
Nariz escorrendo, alguns espirros e uma noite mal dormida. Para muitas famílias, os primeiros sinais da bronquiolite podem parecer apenas mais um resfriado comum. Mas, em bebês e crianças pequenas, a doença pode evoluir rapidamente e causar dificuldade para respirar, chiado no peito e muito cansaço.
Com a chegada dos dias mais frios, quando os vírus respiratórios circulam com mais intensidade, especialistas reforçam o alerta para que pais e responsáveis saibam identificar os sinais de agravamento e procurem atendimento médico quando necessário.
Em entrevista ao Portal Acorda Cidade, a pediatra Raquel Mascarenhas Freitas explicou os principais sintomas, os fatores que tornam os bebês mais vulneráveis e as formas de prevenção.
Quando o resfriado deixa de ser apenas uma virose?
Segundo a médica, a bronquiolite costuma começar de forma semelhante a outras infecções respiratórias comuns, mas é preciso muita atenção.
“A bronquiolite inicia como se fosse um resfriado comum. Tem sintomas de coriza, espirros, muita obstrução nasal, mas ela é uma doença que evolui para um quadro de desconforto inspiratório, tosse seca persistente, muito cansaço e chiado no peito. Então, esse é o principal sinal de diferenciação, porque ela tem uma evolução para o quadro de desconforto respiratório.”
A evolução para dificuldade respiratória é o principal sinal de alerta que diferencia a doença de um resfriado comum.
Por que os bebês correm mais risco?
A bronquiolite afeta principalmente os menores porque suas vias aéreas são mais estreitas e ficam mais facilmente obstruídas pelas secreções produzidas durante a infecção.

“Principalmente porque o bebê tem uma via aérea menor e a doença é caracterizada por uma grande quantidade de produção de secreção. Essas secreções, elas acabam impactando as vias aéreas e, por ser menor, acaba tendo uma maior facilidade de ficar mais obstruída e assim promover micro atelactasias (colapso parcial ou total de uma parte do pulmão) e a dificuldade desse ar de passar e chegar até os alvéolos e favorecer a oxigenação do sangue”, explicou a médica ao Acorda Cidade.
Quando procurar atendimento médico imediatamente?
Segundo a médica orientou ao Acorda Cidade, a recomendação é não esperar diante de sinais de agravamento respiratório.
“Deve procurar atendimento médico imediato quando a criança tem um quadro de um desconforto inspiratório; ficar com a respiração muito rápida, ofegante, afundando as costelinhas, isso precisa procurar. Quando tem rejeição alimentar ou a criança está muito agitada, ou então quando ela está muito mole ou prostrada e principalmente quando tem recuso também do uso de algumas medicações.”
Quais vírus podem causar a doença?
Embora o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) seja o principal responsável pelos casos de bronquiolite, ele não é o único agente causador.
“Ela pode ser causada pelo vírus da influenza, pelo vírus da Covid, pelo metapneumovírus, então tem outros vírus que também fazem parte desse quadro.”
Por que os casos aumentam no frio?
Segundo a especialista, o aumento das aglomerações em ambientes fechados favorece a transmissão dos vírus respiratórios.
“Eles acabam fazendo aglomeração de pessoas, essas pessoas geralmente são adultos que estão resfriados e que o vírus, às vezes, fazem uma doença não tão invasiva, e esses adultos acabam tendo contato com essas crianças e acabam transmitindo.”

Vacinar é prevenir
A médica destaca ainda que existem formas de prevenção disponíveis atualmente, mas a principal é a vacinação.
“A gente tem a vacinação que faz na gestante agora para o Vírus Sincicial Respiratório, a gente tem a vacinação para os prematuros e também a vacinação contra a influenza que também acaba sendo um grande agente.”
Além da vacinação, ambientes ventilados ajudam a reduzir a circulação viral. No entanto, a principal recomendação continua sendo evitar o contato de bebês com pessoas doentes.
“A doença é viral, então se a gente tem um ambiente adequado, bem ventilado, acaba que essa circulação não vai favorecer as aglomerações e deixar esse ambiente mais bem circulado. Se você tem uma pessoa resfriada em casa, se você tem uma pessoa doente em casa, tem que evitar o contato, independente se o ambiente vai estar ventilado ou não; o ideal é que você evite o contato com pessoas que estejam doentes.”
Nos últimos atendimentos, a pediatra tem observado casos da doença em diferentes contextos de assistência, desde o consultório até o ambiente hospitalar, onde também acompanha pacientes com sintomas respiratórios.
“Atendi alguns pacientes, tanto no consultório, quanto no ambiente hospitalar, para fazer o tratamento, que é um tratamento de suporte que a gente faz, não é um antibiótico que vai curar a doença, não tem nenhum remédio mágico que a gente vai curar a doença. A doença, na verdade, ela tem um dia de começar e geralmente tem um dia de terminar e ela é autolimitada.”
Por isso, o acompanhamento médico e a observação dos sinais de agravamento são fundamentais para garantir a recuperação segura das crianças, sem intercorrências mais graves.
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