18 de June de 2026
Morre Carlo Ginzburg, historiador que revolucionou a forma de estudar a história
Foto Aprimorada (com uso I.A – Gemini): Reprodução / Redes Sociais

O historiador italiano Carlo Ginzburg morreu nesta quarta-feira (17), aos 87 anos, na cidade de Bolonha, na Itália. A morte foi confirmada pela Scuola Normale Superiore de Pisa, uma das mais importantes instituições acadêmicas do país, onde Ginzburg se formou e atuava como professor emérito. A causa do falecimento não foi divulgada pela família. 

Por meio de nota, a Associação Nacional de História (ANPUH) do Brasil manifestou pesar e respeito pela morte do cientista italiano. Suas associações pelo país compartilhadas também manifestaram pesar. Na Bahia, a revista de História da Universidade Federal da Bahia (Ufba) compartilhou a publicação. Veja a nota:

Contribuição historiográfica

Ginzburg era reconhecido mundialmente como um dos historiadores mais influentes e criativos das ciências humanas. Seu principal legado foi a criação da chamada “micro-história”, uma corrente historiográfica que surgiu na Itália a partir da década de 1970 e mudou a forma de estudar e interpretar o passado.

A proposta desse método era olhar para histórias de pessoas comuns e de pequenas comunidades, em vez de concentrar a atenção apenas em grandes líderes ou acontecimentos políticos e econômicos. Com isso, os pesquisadores passaram a compreender melhor a sociedade e a cultura de uma época por meio de casos específicos e experiências individuais.

Essa abordagem mostrou que pequenos acontecimentos e personagens aparentemente sem importância também podem revelar aspectos fundamentais sobre o funcionamento da sociedade. Ao analisar detalhes do cotidiano, Ginzburg ajudou a ampliar o entendimento sobre diferentes períodos históricos.

Outro ponto marcante de sua obra foi o desenvolvimento do chamado “paradigma indiciário”, um método de pesquisa que ele comparava ao trabalho de detetives e médicos. A ideia era investigar pistas discretas e sinais quase imperceptíveis para reconstruir fatos e compreender contextos históricos mais amplos.

Por meio da análise cuidadosa de documentos oficiais, como registros de tribunais da Inquisição, Ginzburg conseguiu identificar vestígios deixados por grupos pouco representados nos registros históricos. Dessa forma, ajudou a recuperar histórias, crenças e modos de vida de populações marginalizadas que, muitas vezes, ficaram fora dos relatos tradicionais.

Fonte: Bahia Notícias, site parceiro do Acorda Cidade

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