22 de June de 2026
peixes no lago
Foto: Magnific

A introdução de uma nova espécie de peixe não nativa em Feira de Santana tem gerado preocupação entre ambientalistas e pescadores da região. Membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu, que abrange diversos rios, incluindo o Jacuípe, alertam para a frequente introdução de espécies de peixes não nativas nos rios da região.

Segundo os ambientalistas, ao longo dos anos, pessoas têm introduzido, de forma aleatória e até considerada criminosa, peixes que vêm de outras bacias hidrográficas nos rios Paraguaçu, Santo Antônio e Jacuípe, o que pode causar desequilíbrios ambientais e ameaçar as espécies nativas.

Introdução de surubim

Em entrevista ao Acorda Cidade, João Dias, ambientalista e pescador, contou que, ao longo do tempo, pessoas introduziram o peixe tilápia, que é da bacia do Rio Nilo, e o panga, que é da bacia do Rio Mekong, no Vietnã. A maior preocupação, segundo ele, é a introdução de uma espécie de peixe surubim no Lago de Pedra do Cavalo.

João Dias
João Dias, ambientalista e pescador | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“Introduziram vários peixes da bacia amazônica e um dos piores deles é o pirarucu. Agora, recentemente, um pescador capturou uma espécie de surubim, possivelmente do Pantanal, que foi capturado aqui no Lago de Pedra do Cavalo, em Feira de Santana, no distrito Governador João Durval Carneiro. Essa introdução de peixes de outras bacias de forma indiscriminada, com o passar do tempo tem trazido problemas sérios para a bacia do Paraguaçu e Jacuípe”.

Segundo João Dias a pesca fica comprometida, pois diminui a introdução de espécies exóticas ou invasoras, diminui os filhotes, o alevino (peixe jovem recém-eclodido), as ovas e os peixes menores, que são nativos dos rios locais, o que pode trazer danos irreversíveis, já que muitas destas espécies podem desaparecer ao longo dos anos.

“Isso é muito ruim para os ecossistemas. As pessoas precisam entender que o ser humano não vive só. O ser humano também é dependente do meio, e esse meio é composto por ecossistemas complexos.”

De acordo com o ambientalista, diversas espécies de peixe já desapareceram. Entre elas, estão:

  • Matrinchã
  • Curimbatá
  • Forrageiros 
  • Gulosa (espécie de pititinga)
  • Corró
  • Acará
  • Peixe bagre (leandrinho e patiapá)

“Alguns desses peixes serviam para a gente fazer moqueca e temperar outros peixes. Além disso, servem para alimentar e atrair a piranha nativa. É preciso que as autoridades tomem providência nesse sentido”, pediu João.

Dias sugeriu ainda que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) contratasse profissionais para realizar pesquisas referentes aos impactos ambientais já existentes e os riscos futuros da introdução de espécies não-nativas. 

O ambientalista destacou que preservar a biodiversidade dos rios da região é fundamental para garantir o equilíbrio ambiental e a sobrevivência da pesca artesanal.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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