
Entre a sexta-feira (26) e o domingo (28), cinco mortes violentas foram registradas em Feira de Santana. Como o Acorda Cidade já divulgou, os crimes aconteceram em diferentes bairros da cidade e não possuem relação entre si, segundo a Polícia Civil. As investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios (DH), enquanto a Polícia Militar intensifica o policiamento e as ações de inteligência na região para frear os homicídios.
Entre as vítimas estão: um homem que morreu após ser espancado, dois jovens executados a tiros, outro homem assassinado no bairro Tomba e uma mulher morta dentro de casa com cerca de 15 disparos na frente da filha de 8 anos.
Ao Acorda Cidade, o delegado Gustavo Coutinho, titular da Delegacia de Homicídios, classificou o fim de semana como violento e afirmou que todos os casos estão sendo investigados.
“Infelizmente, foi uma semana em Feira de Santana violenta, com cerca de cinco homicídios entre a sexta-feira e o domingo à noite. Sabe-se que nenhum desses crimes tem relação entre si. Cabe agora à Delegacia de Homicídios investigar e tentar, o mais rápido possível, chegar aos autores desses crimes.”
Mulher é morta na presença da filha
Sobre o assassinato de Milena dos Santos Silva, de 30 anos, no distrito de São José, o delegado informou que a vítima estava em casa com a filha quando foi surpreendida pelo atirador.

“Ela estava sozinha em casa, com uma filha de 8 anos, quando foi surpreendida por um atirador, portando uma pistola calibre 9 milímetros, que efetuou cerca de 15 disparos em direção à vítima, que morreu no local. Ela estava deitada sobre a cama de casal do quarto. Tudo indica que conversaram rapidamente antes. Existiam lesões de defesa em ambas as mãos, o que indica que ela tentou se defender.”
Segundo Gustavo Coutinho, as primeiras informações apontam que o crime pode estar relacionado ao tráfico de drogas.
“Há informação de que esse crime tem ligação com o tráfico de drogas, até porque, quando os indivíduos estavam deixando o local, um deles ainda falou alto que veio cobrar algum tipo de dívida. Há informação de que ela tanto traficava como era usuária de drogas. Vale salientar que, no ano passado, ela já tinha sido vítima de tentativa de homicídio, ficou um tempo escondida em Salvador e, ao retornar, continuou morando no mesmo imóvel, onde acabou sendo assassinada dessa forma trágica.”

O delegado também comentou os demais homicídios registrados durante o fim de semana e destacou o caso do homem espancado no bairro Santo Antônio dos Prazeres.
“Os outros homicídios que tiveram foram na Rua de Aurora em que o carona de uma motocicleta adentrou em uma loja de peças e a queimar roupa assassinou uma vítima. Tivemos homicídio também no bairro da Queimadinha, outro no bairro do Tomba e tivemos uma vítima que foi espancada até a morte, certamente terá o caso tratado como lesão corporal seguida de morte. Sabe-se que tem um menor envolvido nesse ato.”
Ostensividade no combate à criminalidade
Já o comandante do Comando de Policiamento Regional Leste (CPR-L), coronel Michel Muller, informou que todos os homicídios foram acompanhados pelas forças de segurança e que houve reforço imediato do policiamento nas regiões onde ocorreram os crimes.
“Monitoramos cada um deles, saturamos com policiamento como protocolo de atuação. A cada evento morte, mesmo quando há tentativa, ocorre a saturação do policiamento no perímetro, busca por informações, levantamentos de inteligência e análise criminal em compartilhamento com a Polícia Civil, buscando identificação de autoria e motivação.”
Apesar da sequência de homicídios, o coronel destacou que os indicadores do primeiro semestre de 2026 permanecem em queda.

“Pela quinta vez consecutiva nós temos a redução do número de homicídios na cidade de Feira de Santana. Isso nos leva à conclusão de que estamos trabalhando no caminho certo, mas as pessoas precisam tomar tento de que, não somente as forças de segurança sozinhas vão fazer a contenção que todos precisamos. Estamos efetivamente trabalhando muito forte, buscando aplicar da melhor forma os investimentos do governo do estado, em parceria com os governos municipais, mas precisamos de mais. Precisamos de toda uma comunidade para que e a gente consiga fazer as transformações que precisamos.”
Muller ressaltou que a maioria dos homicídios registrados tem relação com disputas entre facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas e defendeu a participação da população por meio de denúncias.
“A participação popular, por meio do Disque Denúncia (181), com informações relacionadas especialmente ao narcotráfico, atuação de pessoas, identificação de faccionados, localização e forma de atuação, qualquer dado que possa colaborar com atuação das polícias no sentido de fazer uma repressão dessas pessoas. A conteção dos homicídios, especialmente em Feira, tem acontecido por parte das forças de segurança pra evitar que faccionados matem uns aos outros.”
Temos o número expressivo de pessoas que têm perdido a vida por vínculo íntimo com o narcotráfico e com as facções isso tem direcionado os nossos esforços para a identificação de indivíduos, sua localização e fazer sim, acreditem, a contenção para que um não mate o outro. Existem as situações de pessoas inocentes perdendo a vida, sim, mas não é um número tão significativo quanto parte para uma análise percentual com o total de pessoas que morrem no estado brasileiro, na Bahia e na nossa Região Leste”, reforçou Muller ao Acorda Cidade.
Segundo o Coronel, as forças de segurança seguem atuando de forma integrada para reduzir os índices de violência.
“Esse trabalho tem sido feito pelas forças de segurança de forma absolutamente integrada, compartilhando informações e direcionando as ações da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Guardas Municipais. Assim permanecerá sendo. Encerramos o mês de junho com a convicção de que estamos trabalhando o caminho certo, mas obviamente buscando sempre novas ferramentas para o aprimoramento dos nossos esforços.”
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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