5 de August de 2026
paciente idosa de 76 anos
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Paciente da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), em Feira de Santana, desde 2018, a idosa Edna Dantas Pinho, de 76 anos, recorreu ao hospital para um atendimento de urgência e emergência, na tarde desta segunda-feira (3), porém foi informada que não poderia receber a assistência médica.

A Unacon faz parte da infraestrutura do Hospital Dom Pedro de Alcântara (HDPA) e oferece o tratamento gratuito de alta complexidade nas áreas de oncologia clínica, radioterapia e cirurgias, para pacientes com câncer através do Sistema Único de Saúde (SUS).

Indignado com a recusa, o filho da paciente idosa, Alan Dantas, buscou a reportagem do Acorda Cidade para relatar o drama que viveu ao lado da mãe, em busca de um atendimento no município.

O estudante de Psicologia relatou que a mãe é portadora de câncer na tireóide e passou mal por volta das 13h de ontem, com saturação baixa, pernas inchadas e febre. Inicialmente, eles buscaram o atendimento na Unacon, porém foram orientados a buscar outro local.

“Como ela é paciente da Unacon, tem o atendimento especializado pelo Dom Pedro. Como eles disseram que poderíamos encaminhar para lá, assim foi feito. Só que quando chegamos, eles não atenderam, se negando, dizendo que ela não estava tomando medicação e que não poderia ser atendida por conta disso”, informou Alan Dantas, que é estudante de Psicologia.

filho de paciente idosa, Alan Dantas
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Ele contou que devido ao câncer, a mãe possui alergias e dificuldade para respirar.

“Eles alegaram que para ela ser atendida, precisaria ir para uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), para encaminhar de lá. Quando eu fiz o acionamento da Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), a Samu chegou, e a saturação dela estava em 75, ela estava debilitada, já praticamente apagada em cima de uma cadeira de rodas, e eles se negando ao atendimento.”

O estudante explicou que a mãe tem toda a documentação da Unacon, e questionou ao hospital se eles poderiam se negar a prestar os primeiros socorros a um paciente daquela forma. Ainda assim, a equipe informou que a unidade não era porta aberta.

“O que eu poderia fazer era encaminhar para uma UPA. Nós a levamos para Unidade de Humildes, que foi onde conseguimos uma vaga, e ela se encontra agora na sala vermelha, em estado gravíssimo.”

O estudante de Psicologia justificou ainda que não tinha o conhecimento de que não poderia levar a mãe para a Unacon, uma vez que há dois anos, na mesma situação, foram para a unidade e foram recebidos.

“Quem toma conta de minha mãe, quem resolve tudo pra ela sou eu. Eu sou o acompanhante dela em todos os lugares que ela precisa ir. Ela não pode andar só. Ela ficou internada 15 dias na UTI, quem ficou acompanhando fui eu, lá no Dom Pedro, há dois anos. E agora, quando ela voltou, se negaram ao atendimento”, lamentou.

Alan Dantas acrescentou que o Samu prestou todo o atendimento necessário, assim como a Upa de Humildes. “Se não fosse o Samu, ela não estaria viva, que ela já chegou lá quase indo a óbito, mas a médica atendeu rápido e diante do atendimento ela voltou a melhorar ali nos balões de oxigênio.”

O que diz a Unacon

Em nota enviado ao Acorda Cidade, a Unacon esclareceu que HDPA é referência para o atendimento de urgências e emergências oncológicas dos pacientes que se encontram em tratamento ativo na instituição. Confira o esclarecimento na íntegra:

“A Santa Casa de Feira de Santana, mantenedora do Hospital Dom Pedro de Alcântara e da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), informa que tomou conhecimento do caso divulgado pelo Acorda Cidade, sobre a Sra. identificada pelas iniciais E.S.P., e realizou a devida verificação dos registros assistenciais.

O Hospital Dom Pedro de Alcântara é referência para o atendimento de urgências e emergências oncológicas dos pacientes que se encontram em tratamento ativo na instituição, conforme critérios clínicos e protocolos assistenciais. O caso mencionado, entretanto, não se enquadra atualmente nessa hipótese.

Em respeito ao sigilo médico, à privacidade da paciente e à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, a Santa Casa não divulgará publicamente informações sobre diagnóstico, histórico clínico, atendimentos ou tratamentos realizados. Os esclarecimentos pertinentes serão prestados diretamente à paciente, ao seu representante devidamente autorizado ou às autoridades competentes, pelos canais institucionais adequados.

Nas situações que não estejam relacionadas a intercorrências decorrentes de tratamento oncológico ativo, a orientação é procurar uma unidade da rede de urgência e emergência, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), onde será realizada a avaliação inicial e definida a conduta assistencial mais adequada.

A Unacon de Feira de Santana realiza mais de 4 mil atendimentos por mês, assistindo pacientes do município e de mais de 70 cidades da macrorregião centro-leste da Bahia. Integrada ao Hospital Dom Pedro de Alcântara, oferece uma linha de cuidados que inclui consultas, exames, tratamentos e suporte às intercorrências oncológicas, de acordo com a indicação clínica e os protocolos aplicáveis.

Com atuação histórica na assistência oncológica, a Santa Casa de Feira de Santana reafirma seu compromisso com o acolhimento, a ética, a segurança do paciente e a prestação de um cuidado qualificado e humanizado, preservando os direitos individuais e observando rigorosamente as normas que regem a assistência à saúde.”

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.

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