
Depois de analisar as declarações dos candidatos ao governo da Bahia nas eleições deste ano e descobrir que o patrimônio de ACM Neto é 10 vezes maior do que a soma do de todos os outros candidatos na disputa, o Acorda Cidade resolveu voltar o olhar para a corrida ao Senado.
E, com base no novo estudo, realizado com dados disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é possível afirmar que, neste ano, o atual senador Jaques Wagner (PT), que disputa a reeleição, é de longe o maior destaque.

Wagner lidera de forma isolada o ranking dos candidatos mais ricos após afirmar possuir cerca de R$ 24,5 milhões de patrimônio. O segundo lugar da lista está com João Roma (PL), que declarou pouco mais de R$ 17 milhões em bens. Para fechar o pódio, Angelo Coronel (Republicanos) ficou com a medalha de bronze ao dizer que possui cerca de R$ 5,3 milhões.
O que dizem os dados
1º – Jaques Wagner (PT)
Além de possuir o maior patrimônio declarado entre os candidatos ao Senado, Jaques Wagner também é dono do maior crescimento de patrimônio, levando em consideração sempre o valor declarado pelo político na última eleição que ele disputou. O senador também possui o maior ganho real.

De 2018 para cá, o patrimônio do ex-governador da Bahia cresceu cerca de 630%, ao sair de R$ 3,3 milhões para os atuais R$ 24,5 milhões. Outro aspecto relevante ao analisar o perfil patrimonial de Wagner é perceber a distância dele e do candidato que está na base da lista. O patrimônio do senador é aproximadamente 3.134 vezes maior do que o declarado pela Professora Delliana, que está na última colocação do ranking.
2º – João Roma (PL)

Com a medalha de prata, João Roma possui R$ 17 milhões em patrimônio. O candidato também possui o segundo maior crescimento patrimonial da lista, após ter um ganho real de cerca de R$ 11 milhões nos últimos quatro anos. Outro detalhe que chama atenção é que grande parte do patrimônio do ex-ministro de Jair Bolsonaro está em imóveis (79,05%).
3º – Ângelo Coronel (Republicanos)
Coronel aparece em uma segunda faixa, com R$ 5,32 milhões em patrimônio. Embora seja o terceiro colocado, seu patrimônio corresponde a pouco mais de um quinto do patrimônio declarado por Jaques Wagner, o que confirma o perfil de disparidade patrimonial entre os próprios candidatos que estão no topo do ranking.

Outro dado interessante sobre o senador Ângelo Coronel é que o patrimônio do candidato sofreu uma redução de 2018 para 2026. Na última eleição que disputou, o parlamentar afirmou possuir R$ 5,6 milhões, o que indica uma leve queda de 6,06% no patrimônio.
4º – Marcelo Santtana (DC)

O candidato do Democracia Cristã inaugurou na lista a faixa dos candidatos ao Senado que declararam um patrimônio próximo ou levemente superior a R$ 1 milhão. De 2024, quando concorreu para o cargo de vereador no município baiano de Lauro de Freitas, para 2026, o patrimônio de Marcelo Santtana cresceu cerca de 43,76%.
5º – Rui Costa (PT)
Para a surpresa de alguns, o ex-governador da Bahia Rui Costa está fora do G-4 dos candidatos mais ricos ao Senado e, ao declarar que possui pouco mais de R$ 1,2 milhão em patrimônio, garantiu uma vaga muito longe do colega de partido Jaques Wagner.

Apesar da tímida colocação no ranking, o crescimento do patrimônio de Rui Costa também merece destaque. De 2018, quando concorreu pela primeira vez ao Senado e declarou possuir, ao todo, pouco mais de R$ 674 mil, o patrimônio Rui cresceu mais de 87%.
6º – Gregorio Gould (UP)

Gregorio Gould finaliza a faixa do ranking com candidatos que declaram possuir patrimônio próximo da cifra milionária. O político afirmou possuir, ao todo, pouco mais de R$ 994 mil em patrimônio, que está concentrado em sua grande parte na categoria de imóveis. Não há dados do patrimônio de Gould antes de 2026.
7º – Carlos Sodré (Mobiliza)
O candidato Carlos Sodré é o segundo político da lista que apresentou uma queda do patrimônio, mas, diferentemente do que aconteceu com Ângelo Coronel, a redução do político do Mobiliza foi bem mais acentuada.

Em 2012, Carlos Sodré disputou as eleições para o cargo de prefeito de Itapé. Naquele ano, o candidato declarou possuir, ao todo, R$ 1,3 milhão em bens, mas, nestas eleições, concorrendo a uma vaga no Senado, Sodré declarou possuir apenas R$ 561 mil, o que representa uma queda de quase 60% do patrimônio ao longo desses anos.
8º – Marcelo Carvalho (REDE)

O candidato do partido Rede Sustentabilidade é o terceiro da lista que apresentou uma redução patrimonial. Marcelo Carvalho disputou o cargo de vereador da capital baiana nas eleições de 2024 e, naquele pleito, declarou possuir R$ 635 mil de patrimônio. Agora afirmou para a Justiça que possui R$ 540 mil, o que indica uma queda de quase 15%.
9º – Professora Delliana (PSOL)
Na última colocação da lista, a Professora Delliana afirmou para a Justiça que concorre ao cargo de senadora da Bahia possuindo pouco mais de R$ 7 mil como patrimônio. O valor está depositado em uma conta corrente em um banco nacional.

Nas eleições de 2024, a candidata concorreu utilizando o nome de “Delliana É Nóis” ao cargo de vereadora do município baiano de Itabuna e declarou, naquela ocasião, não possuir bens.
Marcelo Millet, que disputa a vaga de senador da Bahia pelo PCO, é o único candidato nas eleições deste ano que afirmou para a Justiça que não possui nenhum tipo de patrimônio.
🚨 Vale destacar que a declaração de patrimônio é uma exigência da Justiça Eleitoral e são os próprios candidatos que informam se possuem determinado bem e qual o valor dele. Outra informação importante é que a elevação do patrimônio, ainda que milionária em um espaço relativamente curto de tempo, não constitui, por si só, crime.
Com informações do jornalista Jefferson Araújo, do Acorda Cidade.
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