
Na manhã desta quinta-feira (20), diversas pessoas compareceram ao Parque de Exposição João Martins da Silva, em Feira de Santana, a fim de realizarem a inscrição para participarem da seleção dos barraqueiros que irão comercializar alimentos e bebidas durante a Expofeira 2026.
Durante as inscrições, houve grande insatisfação entre os interessados, devido ao valor cobrado pela Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri). As barracas deverão ser instaladas na mesma área onde ficará o parque de diversões. Os espaços terão uma metragem de seis metros quadrados, e a taxa será de R$ 1 mil. Porém, somente os que forem selecionados no sorteio, receberão o boleto para pagamento do encargo.

A comerciante Ivone Cléa Ribas dos Santos Silva, que reside no Conjunto Feira VII, contou em entrevista ao Acorda Cidade que há muitos anos comercializa alimentos na Expofeira. “Eu trabalho com maçã, uva, morango, bombom. Eu trabalho aqui há muitos anos.”
Ela reclamou do valor cobrado pelas barracas e disse que o espaço não está organizado. “Ninguém vai dar mil reais, ninguém está achando dinheiro.”

A comerciante Noêmia Moreira da Silva disse que há mais de 40 anos trabalha na Expofeira. Ela também não ficou satisfeita com a taxa cobrada pela barraca. “Eu acho isso um absurdo e nós não temos condições. Eu comercializo tudo: é cerveja, suco, lanches. De tudo um pouco aqui.”
A vendedora afirmou que na edição anterior teve prejuízo nas vendas e teme que esse ano a situação se repita. “É complicadíssimo, porque o ano passado todos nós, em geral, tivemos prejuízo.”
A vendedora Daiene Mendes, que mora nos Três Riachos, confirmou que o valor da estrutura está muito alto. “Eu ainda não me inscrevi. Está nesse jogo de empurra-empurra, desde o dia 5 que começou.”
Lucília Evangelista Mendes, morador do Aviário, vende bebidas, caldos e outros tipos de alimentos. Ela se queixou que os comerciantes não conseguem ter um diálogo com o secretário da Agricultura para ver se conseguem baixar o valor da taxa.

“A conversa é que já tem outras pessoas inscritas. Mas nós, que já trabalhamos aqui há anos, e estamos juntas, a gente já se conhece, e nenhum de nós ainda teve nenhum êxito, nada, nenhuma resposta.”
Maria das Graças, do bairro Queimadinha, relatou que no passado pagou o valor de R$ 240 em um espaço de quatro metros quadrados. Mas esse ano a taxa está inviável. “É alto demais. E é pequeno demais o espaço, no fundo. A gente quer que ele olhe o preço e venha atender a gente.”
O vendedor ambulante Roberval Silva Reis comercializa brinquedos no evento. “O ano passado ele cobrou R$ 240, todo mundo pagou e nem reclamou, rapaz. Agora vem ele dizendo que é R$ 1 mil, aí fica difícil. Todo mundo tem direito de arrumar sua casa, mas só que há uma maneira de arrumar a casa que não cabe no bolso de qualquer um, não. Eu vou desistir porque não tenho condições de participar de uma festa dessa.”
Padronização das barracas
Ao Acorda Cidade, o secretário municipal de Agricultura, Silvaney Araújo, afirmou que o valor cobrado este ano por cada barraca é referente à padronização dos espaços, que deverá ofertar mais conforto e organização para quem trabalha.

“O ano passado a gente teve naquele espaço ali 200 barracas. Então a gente perdeu totalmente o controle de padrão, porque um tinha um modelo, outro já tinha outro. E esse ano a gente vai padronizar, principalmente porque o ano passado a gente teve alguns gargalos, grandes dificuldades com essas barracas mais soltas. Cada um fazia um tamanho e ocupava a área que desejava. Esse ano a gente já está organizando, trazendo o limite, barracas padrão”, justificou o secretário.
Ele disse que todas as barracas serão entregues com toda a estrutura pronta, diferentemente dos anos anteriores, quando os comerciantes ainda tiveram que realizar alguns ajustes para funcionar.
“A gente já vai dar a barraca montada, com a parte elétrica, com tudo. Sem estar montada cada um faz no seu padrão. E aí tem um risco de segurança de energia, de quantidade de pessoas para trabalhar, de equipamentos internos. Ano passado teve gente que colocou dois freezers, geladeira, uma gôndola de comida a kilo. A gente perdeu o controle. Então, esse ano estamos ajustando e trazendo uma qualidade, uma beleza melhor pra nossa Expofeira.”

Silvaney Araújo reiterou que a Expofeira não é só a exposição de animais e maquinários, mas também um evento que traz inclusão social, geração de renda e emprego.
“E é com esse sentimento que a gente vem pra cá. Mas com tudo isso, a gente quer uma Expofeira organizada e grande. Quando eu apresentei a barraca e o que a gente está preparando para eles, muitos ficaram convencidos e satisfeitos com o tamanho da barraca e por causa do valor. E eles exigiram que a gente não crie uma vila, que a gente crie agora de dentro para fora. Então eu vou sentar com a empresa que está montando para tentar ajustar. O nosso intuito aqui não é atrapalhar a vida de ninguém, é favorecer para todos virem para cá com conforto.”
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
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