
A morte de um servidor público do estado da Bahia durante uma corrida de rua em Feira de Santana, no último fim de semana, chamou atenção para os riscos de eventos cardiovasculares durante a prática de exercícios físicos.
José Paulo Cerqueira dos Santos, de 49 anos, passou mal durante a atividade esportiva, chegou a receber atendimento médico ainda no circuito da prova, mas não resistiu. Há suspeita de que ele tenha sofrido um mal súbito.
Nesta segunda-feira (24), um dia após o caso, a reportagem do Acorda Cidade convidou o cardiologista Luís Henrique Borges Ribeiro para comentar a situação. O médico explicou que, embora a morte súbita seja considerada um evento raro, alguns fatores podem aumentar o risco durante atividades de alta intensidade.

“O paciente desmaia e tem esse evento que pode ser desencadeado por várias causas, entre elas arritmias graves e infarto. O fluxo sanguíneo não chega nos órgãos principais do corpo, como o cérebro, e a partir daí o paciente entra em um colapso circulatório, o coração para de bater e aí tem a parada cardíaca”, disse o médico.
Fatores de risco
De acordo com o cardiologista, pessoas que pretendem realizar exercícios de alta intensidade, como corridas e ciclismo, e possuem fatores de risco devem passar por avaliação cardiovascular.

Entre as condições que acendem a luz vermelha para quem pretende iniciar atividades mais intensas estão hipertensão, diabetes, tabagismo, alterações do colesterol e histórico familiar.
“Nem todo paciente obrigatoriamente precisa de uma avaliação cardiovascular, mas toda pessoa que vai se submeter a uma atividade de alta intensidade e que tenha fatores de risco preexistentes deve ser avaliada por um médico”, explicou Ribeiro.
O cardiologista também destacou que pessoas com diabetes devem ter atenção à alimentação antes do exercício. Segundo ele, o aumento do gasto energético durante uma atividade intensa pode provocar hipoglicemia quando não há alimentação adequada.
🔎A hipoglicemia é a queda do nível de glicose no sangue para valores abaixo do recomendado.
Atenção aos sinais
Durante a entrevista ao Acorda Cidade, Luís Henrique também orientou os praticantes a não ignorarem sintomas durante os exercícios. Desconforto no peito, falta de ar acima do habitual, palpitações acompanhadas de tontura e mal-estar são sinais que indicam a necessidade de avaliação médica.

“É importante que toda pessoa que vai praticar uma atividade como essa faça um condicionamento progressivo e esteja sempre atenta a sintomas. Eles são um alerta que serve para a gente fazer uma avaliação”, disse o médico.
Calor e hidratação
As condições climáticas também podem influenciar o desempenho e aumentar o risco de complicações. O médico explicou que, quanto maior o calor, maior a possibilidade de desidratação e sobrecarga do organismo, especialmente durante exercícios intensos. Por isso, o planejamento da atividade deve considerar as condições do ambiente, além da hidratação adequada.

Apesar da preocupação provocada por casos durante corridas, o cardiologista afirmou que a morte súbita é um evento raro. Henrique ressaltou, porém, que o aumento do número de pessoas praticando atividades físicas também amplia a possibilidade de ocorrência desses eventos.
Começar aos poucos
Para quem pretende iniciar a prática de exercícios, a recomendação é evitar mudanças bruscas de intensidade.

“Toda pessoa que quer começar uma atividade física deve começar progressivamente, começar com caminhadas, alternando com corridas leves, até chegar à meta que deseja”, disse o médico.
O cardiologista reforçou que pessoas com doenças ou fatores de risco, assim como aquelas que apresentarem sintomas durante a atividade física, devem procurar avaliação especializada antes de intensificar os exercícios.
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.
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