
A ‘Noite Feirense’ do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs) foi dominada pela música popular sertaneja e o reggae raiz. Na última quarta-feira (26), os mestres da voz Dionorina e Asa Filho manifestaram tradição e identidade no Centro de Convenções.
Veja o vídeo:
Reggae na veia
O cantor, compositor e violonista Dionorina não escondeu a felicidade ao apresentar-se mais uma vez no festival. Presente no Flifs desde as primeiras edições, este ano o veterano subiu ao Palco Márcia Porto com repertório novo.

“Me sinto feliz. Desde a Praça do Fórum, da Praça da Matriz, e hoje a gente estreia aqui no Centro de Convenções. Pra mim é maravilhoso. Com um show praticamente novo, a gente está buscando músicas que eu não executei dentro dos meus cinco CDs e do LP. Estamos aí mostrando com essa banda nova”, contou o cantor em entrevista ao Acorda Cidade.
Fã do mestre, a cantora Lua Maria esteve na plateia da ‘Noite Feirense’ do Flifs. Para ela, o artista merece ser celebrado e contemplado. A participação de Jôhras no show de Dionorina também foi um atrativo, principalmente pela representatividade feminina no reggae.
“Admiro bastante esse artista aqui da nossa terra, uma pessoa que fortalece o gênero do reggae”, disse.

Ao Acorda Cidade, a cantora e compositora do bairro Rua Nova, Jôhras, apresentou o essência reggae roots e relembrou seu pai, Jorge de Angélica, ícone do gênero musical na Bahia falecido em outubro de 2023.

“É bom ter mais espaço para nós, mulheres, acessarmos espaços como esse. E agradeço ao Flifs também por essa festa linda e por nos dar essa linda e rica oportunidade”, declarou.
Sempre que há apresentação de Dionorina na região, o jovem professor Felipe Queiroz está presente. “As músicas dele são muito massa. Então, a gente precisa também valorizar o artista da terra”.

Pheka Barbosa acompanha Dionorina há cerca de 30 anos. Além de curtir as músicas, ele já teve a oportunidade de fazer aula de violão com o mestre do reggae.
“O cara que é fã não é fã no discurso. Mas eu tenho todo o material dele. Espero um dia ser parceiro dele. Eu sou poeta. E, desde sempre, eu curto as músicas dele e sei tudo dele”.

O show contou ainda com a participação de Gilsam Reggaeman e Kiko Nascimento.
De Tiquaruçu para o Flifs
O artista feirense, Asa Filho, apresentou um repertório autoral no Teatro Carlos Pitta. No palco, ele recebeu ainda o Reisado de São Vicente, manifestação cultural e religiosa secular realizada há mais de 200 anos no distrito de Tiquaruçu, sua terra natal.

“Para mim é uma honra estar aqui. É um espaço que realmente se trata de leitura, de livro e de cultura. Estamos valorizando a nossa arte e o que temos aqui na nossa cidade, que tem que ser visto”, destacou o feirense.

Asa Filho enfatizou que cantar no Flifs, evento realizado pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e pelo Sesc Bahia, significa um processo de evolução e conhecimento.
“Eu fui um dos primeiros alunos da Uefs, em 1976, quando foi inaugurada. Estar nesse processo é uma continuação de estudar ainda, de ler e de cantar”.
O show foi enveredado pelo projeto “Apelos & Canções”, obra musical e literária do mestre da cultura popular, Asa Filho.

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