4 de September de 2026
Foto: Ed Santos / Acorda cidade

Sete pessoas foram presas pela Polícia Civil da Bahia, em Feira de Santana, durante a Operação Linha Sombria, que investiga uma organização criminosa especializada no tráfico de drogas ligada a uma facção do Estado do Rio de Janeiro (RJ).

Entre os presos da ação, que foi realizada na manhã desta sexta-feira (4), estão um homem de 39 anos, apontado como líder do grupo na cidade, e uma mulher de 20 anos, identificada como companheira dele. O casal é suspeito de liderar o esquema criminoso.

Para a reportagem do Acorda Cidade, o delegado Eudes Aquino, titular da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) de Feira de Santana, explicou que a organização utilizava uma estrutura semelhante a um serviço de entrega em domicílio, conhecido popularmente como delivery.

Eudes Aquino, delegado da Polícia Civil, em Feira de Santana
Eudes Aquino, delegado da Polícia Civil, em Feira de Santana | Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

“Esse grupo agia em diversos bairros aqui de Feira de Santana, tendo como público destinatário pessoas de classe média e classe alta. Nós conseguimos efetuar até o momento sete prisões. Foram cumpridos mais de 30 mandados de busca e as equipes ainda continuam no terreno com o escopo de localizar ainda mais envolvidos”, disse.

Também foram registradas duas prisões fora de Feira de Santana. Um ocorreu no município baiano de Itaberaba e outra em Barueri (SP). Entorpecentes também foram apreendidos nestas localidades. Mais de 140 policiais e 25 equipes da Polícia Civil participaram da operação.

“SAC do Crime”

De acordo com as investigações, os pedidos eram recebidos por meio de uma espécie de central de atendimento. Após a solicitação, o entregador mais próximo era acionado, com autorização da liderança do grupo, para levar a droga até o endereço indicado.

Foto: Ed Santos / Acorda cidade

A apuração da reportagem do Acorda Cidade também confirmou que a liderança da organização criminosa em Feira de Santana tem ligação direta com um grupo criminoso do Rio de Janeiro. O homem apontado como principal alvo da operação foi preso no bairro SIM.

“Ele foi preso juntamente com sua esposa, que também fazia parte do esquema delituoso, e mais outras pessoas envolvidas foram alcançadas também no dia de hoje. São pessoas daqui de Feira de Santana vinculadas a uma organização carioca. Mas são pessoas daqui, que aqui moravam e atuavam aqui no nosso município”, declarou o delegado.

As apreensões

Na residência em que o casal estava, os policiais apreenderam uma pistola, um revólver calibre 38, munições, três carregadores, 11 aparelhos celulares, tablets, notebook e mais de R$ 2 mil em espécie. Também foram encontrados uma balança de precisão, uma máquina de contar dinheiro e máquinas de cartão de crédito.

Ainda segundo a Polícia Civil, as equipes recolheram relógios, óculos de marca, uma motocicleta e um carro, modelo Hilux SW4 avaliada em mais de R$ 400 mil. Além do casal, outros cinco investigados foram presos mediante mandados de prisão temporária.

Ao todo, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão nos bairros Mangabeira, Campo Limpo, Feira V, Gabriela, Sobradinho e Tomba, além do estado de São Paulo.

Adriano Lobo dele gadob e Eudes Aquino Delegado
Delegados Adriano Lobo (esq.) e Eudes Aquino (dir.) | Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

“Essa investigação vem se desenvolvendo há mais de um ano aqui na cidade. Foi apresentado ao Poder Judiciário por diversas cautelares, dentre elas, justamente, as cautelares de busca e apreensão. 29 delas foram deferidas e também 12 mandados de prisão, todos deferidos pelo Poder Judiciário diante da robustez dos elementos informativos apresentados”, explicou o delegado.

Fora da régua 

Ainda conforme o delegado Eudes Aquino, o líder do grupo exercia a profissão de barbeiro e apresentava uma capacidade financeira que, segundo a investigação, não seria compatível com a atividade profissional.

Foto: Ed Santos / Acorda cidade

“Trata-se de um grupo bem articulado e a prova disso é justamente a capacidade financeira que o seu líder tinha atualmente. Um homem que a sua capacidade financeira atual não condiz com a sua atividade laboral”, disse o delegado.

Foto: Ed Santos / Acorda cidade

Sobre o material comercializado, o delegado informou que a cocaína era o principal entorpecente vendido pelo grupo, que também distribuía maconha e outros tipos de drogas.

O trabalho continua

A Polícia Civil informou que a estimativa sobre a movimentação financeira da organização ainda está em análise. Segundo o delegado, os investigadores trabalham para chegar a um valor mais preciso, além de verificar se a atuação do grupo se restringia a Feira de Santana.

“As investigações até o momento demonstraram que eles agiam principalmente aqui na Feira de Santana. Porém, as investigações vão seguir. Se surgir algum elemento informativo que diga que existiam outras ramificações em outras cidades, outros estados, isso também será objeto de apuração”, concluiu o delegado.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.

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