
A família de Marlon Amorim de Souza, trabalhador de 22 anos que morreu dentro de uma empresa em Feira de Santana, esteve na delegacia nesta quinta-feira (10) para registrar um boletim de ocorrência (B.O.) e cobrar esclarecimentos sobre as circunstâncias do acidente que matou o jovem.
Marlon morreu no início deste mês após ser esmagado por uma prensa enquanto trabalhava em uma fábrica de pré-moldados que fica às margens da BR-324. O jovem morava em Amélia Rodrigues, cidade que fica a cerca de 35 km de Feira de Santana, e exercia há mais de um ano a função de ajudante prático na empresa.

Uma dor inexplicável
Jaci Amorim, mãe de Marlon, contou para a reportagem do Acorda Cidade ao sair da delegacia que a família busca principalmente entender o que aconteceu e por que o jovem morreu. Segundo ela, após o acidente, o corpo do filho teria sido retirado do galpão e levado ao hospital já sem vida.

“Queremos justiça. Porque eles pegaram meu menino já falecido, mandaram retirar o corpo do galpão e levar para o hospital? Eu quero que eles esclareçam o que realmente aconteceu, porque meu filho estava trabalhando e de repente cai uma coisa imensa com 30 metros em cima dele. Foi constatado que meu filho morreu com 8 segundos. Queremos que a empresa esclareça”, disse a mãe.
Jaci também reclamou da falta de contato da empresa com a família. De acordo com ela, nenhum representante teria procurado os familiares para prestar nenhum tipo de apoio após a morte. Até os custos com o funeral, segundo a mãe, só foram pagos depois que o pai de Marlon procurou a empresa.
“Fizemos um protesto terça na frente da empresa. Eles queriam que a gente entrasse para conversar com eles, mas como a gente estava fazendo uma manifestação continuamos de maneira pacífica, sem violência, sem tocar fogo em nada. Mesmo depois desse protesto, ninguém da empresa até hoje entrou em contato conosco”, declarou Jaci.
Quem é o responsável pela morte de Marlon?
Manoel Pereira de Souza, pai de Marlon, também esteve na delegacia e disse para a reportagem do Acorda Cidade que busca justiça pela morte do filho. Muito emocionado, ele afirmou que espera que as condições de trabalho na empresa sejam apuradas para evitar novos acidentes.

“Estamos lutando por justiça não só pelo meu filho, mas também por melhorias para quem trabalha lá para que não aconteçam outras mortes. Fiquei sabendo que esta foi a quarta morte dentro dessa empresa. O que eu quero é justiça, porque se houve culpado, quem foi culpado, tem que pagar”, disse o pai de Marlon.

Manoel revelou que recebeu informações de colegas de Marlon de que o maquinário utilizado para movimentar as peças apresentava problemas e estaria quebrado. Ele também afirmou que o trabalhador que operava a máquina no momento do acidente não seria o responsável habitual pela função.
“Quem operou a máquina é uma pessoa que não era qualificada para aquilo, tem muito erros neste caso, maquinário quebrado, desvio de função, muitas coisas que têm que ser apuradas. E o que eu quero é que tudo seja apurado, queremos saber de tudo, se o acidente poderia ter sido evitado, porque se fosse meu filho não ia estar morto agora”, afirmou Manoel.
Descaso e incerteza
A reportagem do Acorda Cidade também conversou com Lara dos Santos, de 20 anos, esposa de Marlon. Muito abalada, ela contou que recebeu a notícia acreditando inicialmente que o marido poderia sair vivo do acidente.

“Está doendo muito. Ele saiu para trabalhar como se fosse voltar. Após saber do acidente nós viemos para cá na esperança de que ele iria voltar para casa. Eu ainda levei a roupa dele, só que infelizmente o pior aconteceu. Quando chegou lá também não tivemos explicação nenhuma, ele estava como indigente. Mas como é que ele tava assim se ele estava fichado há um ano e dois meses na empresa?”
O acidente que matou Marlon ocorreu por volta das 10h20 do dia 3 de setembro. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ainda chegou a ser acionado, mas constatou o óbito do jovem no local. Após esse momento, o corpo do trabalhador foi encaminhado para o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana.

Ainda muito abalada, a esposa de Marlon continuou explicando para a reportagem do Acorda Cidade que, mesmo após a morte do jovem, a empresa seguiu com uma postura no mínimo muito constatável.
“Quando nós chegamos lá não tinha ninguém da empresa para nos receber, não tinha nenhum representante da fábrica lá para falar assim: Ó, seu filho, infelizmente, não resistiu e foi a óbito. Ou então para dizer assim, ‘meus pêsames’, não tinha ninguém lá, a gente ficou lá parecendo um cachorro procurando o corpo dele”, afirmou a esposa de Marlon.
Uma grande saudade
Marlon trabalhava na empresa havia mais de um ano. Lara contou para a reportagem que os dois moravam juntos na casa dos pais dela, cedida à família, e que permanece no imóvel após a morte do marido.

“Mesmo morando sozinha não vou sair de casa porque na verdade nem tenho para onde ir e também é melhor ficar ali na convivência dele, para mim ele tá ali não de corpo presente, mas as lembranças ficam, tudo que a gente viveu ali. Está sendo, um momento difícil. E eu torço para que todo dia que ele volte. A gente dorme e acorda na esperança de que ele vai dizer assim: ‘Ô minha mãe, ô Lara, ô meu pai, foi só um pesadelo, eu estou aqui, eu estou bem‘”, disse a esposa do jovem.
“Todo mundo tá sem querer acreditar no que aconteceu. Eu mesmo durmo todos os dias dizendo a Deus que é um pesadelo. Eu acordo na esperança de que seja realmente um pesadelo, mas que infelizmente não está sendo um pesadelo”, completou a mãe de Marlon.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
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