13 de September de 2026
Bailarina feirense Beatriz Ribeiro (1)
Foto: Arquivo Pessoal

Entre um passo de balé e outro, a bailarina feirense Beatriz Ribeiro, de 16 anos, vem acumulando prêmios, celebrando títulos e desde 2025 desenvolve um projeto beneficente que visa levar conhecimentos nas áreas de linguagem da programação e da matemática para estudantes de escolas públicas.

A dançarina, que atualmente reside nos Estados Unidos, desde a infância trilha um caminho de sucesso e alta performance, combinando a delicadeza da arte com a precisão das ciências exatas. Entre suas conquistas nos palcos de todo o mundo, destacam-se o 2º lugar geral nas categorias Pas de Deux e Grupos no prestigiado Round Final, entre as melhores bailarinas do mundo, nas Finais Mundiais do Youth America Grand Prix (YAGP) em 2026.

Bailarina feirense Beatriz Ribeiro (2)
Foto: Arquivo Pessoal

Na última semana, a jovem retornou a Feira de Santana e durante sua estadia na cidade também participou de palestras para estudantes e eventos promovidos pelo Rotary Club, bem como gravações de podcasts.

Em suas palestras, Beatriz Ribeiro compartilhou sua história, como se encantou pelo universo do balé, mas também revelou como tem sido sua experiência na área da filantropia, por meio do projeto Resolve Code. Ela anunciou ainda o lançamento do seu livro ‘O que eu não contei para a minha psicóloga: uma autobiografia de uma adolescente de sucesso.’

Em entrevista ao portal Acorda Cidade, Beatriz revelou que seu fascínio pelo universo do balé e a sede por conhecimento contribuíram para que, aos 14 anos, ela conquistasse uma bolsa integral em uma prestigiada escola de ballet dos EUA.

Palestra de Beatriz Ribeiro
Foto: Kaio Vinicius/Acorda Cidade

“Minha trajetória começou aos 11 anos, quando eu fui ao teatro do Bolshoi e eu vi todas aquelas bailarinas profissionais e decidi que eu também queria levar aquela vida. Eu decidi me dedicar ao balé de forma profissional e o meu empenho, o empenho da minha família e dos meus professores renderam grandes frutos, porque a partir daí eu passei a participar de competições de balé e conquistei uma vaga disputadíssima em uma bolsa de 100% na prestigiada escola The Rock School, que fica na Filadélfia, nos Estados Unidos, onde eu estudo e resido atualmente, há mais de 3 anos”, contou.

A feirense afirmou que desde os 10 anos consegue se comunicar em quatro idiomas e dialoga com colegas vindos de mais de 20 países, que assim como ela, estão em busca dos seus sonhos na escola de balé. Além disso, foi a única menina a participar da Olimpíada de Matemática nos Estados Unidos.

Bailarina feirense Beatriz Ribeiro
Foto: Kaio Vinicius/Acorda Cidade

“Por incrível que pareça, só havia meninos naquela sala. E eu percebi que é necessário que as mulheres tenham muito mais participação nas Olimpíadas, que elas não vão ter vagas diferentes, mas sim o mesmo potencial de um menino. E eu também consegui trazer essa ideia de que as bailarinas também podem realizar outras atividades extracurriculares, que também vão aprimorar as habilidades cognitivas, desenvolver novos pensamentos. Então, tudo isso é importante para conseguir formar uma trajetória de vida.”

Uma área que também chama a atenção de Beatriz é o uso da Inteligência Artificial como jurada para bailarinas. Este é o tema de um artigo científico desenvolvido por ela.

“A IA vai se tornar um coaching acessível para bailarinas carentes ou bailarinas que estão longe de grandes centros de dança. E algo que eu percebi nesse meu projeto é que a Inteligência Artificial não consegue ter aquele pensamento humano de ter aquelas diferenças na avaliação das bailarinas, ele precisa trabalhar muito ainda os detalhes, as nuances, que é algo essencial para conseguir avaliar a dança, já que é uma arte, é algo que varia, algo que está em constante evolução.”

Filantropia na adolescência

Nos Estados Unidos, Beatriz Ribeiro, além de estudar e praticar o balé, busca ajudar outros jovens a destravarem seus sonhos e suas carreiras profissionais através do projeto Resolve Code, que segundo ela, está com vagas abertas para estudantes que sonham em ingressar na área.

Palestra de Beatriz Ribeiro
Foto: Kaio Vinicius/Acorda Cidade

“Desde mais nova, eu participei de Olimpíadas de Programação e Matemática e diante dessa minha paixão eu decidi unir a matemática e a programação a um ideal, que é trazer um pouco mais dessa educação que eu recebi dentro de casa para outros jovens carentes e poder transformar a vida deles. Foi aí que surgiu o projeto Resolve Code, que visa trazer inclusão social, cognitiva e educacional de alunos de escola pública por meio de aulas online de programação. E a partir daí eles vão se preparar para a OBI, que é a Olimpíada Brasileira de Informática, que ocorre todo ano e a partir dessas Olimpíadas e os medalhistas têm a chance de receber bolsas para universidades.”

Conforme Beatriz Ribeiro, podem participar desta seleção estudantes do quinto e sexto ano do ensino fundamental de escolas públicas. A inscrição no curso é gratuita para este público. Além disso, ela disponibilizou quatro vagas para estudantes de escolas particulares, com uma pequena taxa.  

“Nesse projeto são realizadas aulas online na Bahia e de outras partes do Brasil. Faz dois anos que o Resolve Code existe e neste ano estamos abrindo essas oportunidades para os alunos de quinto e sexto ano. Também contamos com um parceiro que contribui com o projeto e faz o projeto crescer. E a cada aluno de escola particular, três alunos de escola pública podem entrar no projeto, já que eles ajudam, contribuem com a transformação da vida de outras pessoas também a partir dessas doações e de sua participação no projeto.”

Bailarina Beatriz Ribeiro de Feira de Santana
Foto: Arquivo Pessoal

Um legado para as gerações

Conforme a bailarina feirense, ao desenvolver o projeto social e lançar sua autobiografia, ela busca deixar um legado para os jovens e também pessoas adultas, que precisam de um incentivo para ir em busca dos seus sonhos.

“Meu objetivo principal com esse livro é inspirar os jovens a construírem projetos de vida sólidos desde cedo. E também convido alunos adultos a se reencontrarem com a coragem de sonhar. É no cotidiano simples da vida que a vida real acontece e onde construímos a força para alcançar o mundo. A partir daí, eu gostaria também de trazer a Bahia como um estado participante dessas Olimpíadas do Conhecimento. Porque a gente vê o Ceará e Brasília ganhando grande espaço e um dos meus maiores sonhos é que a Bahia possa também ser participante; e que a educação dos alunos e dos jovens de hoje em dia possam ser ainda mais completa. Não só exclusiva à escola, mas também em tudo que existe além disso.”

Para saber mais informações sobre o projeto social Resolve Code, da bailarina Beatriz Ribeiro, basta acessar a página oficial da ONG no Instagram.

Com informações do repórter Kaio Vinicius, do Acorda Cidade.

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