15 de September de 2026
Operação Sem Lastro
Foto: Pedro Moraes/ Ascom-PCBA

Três pessoas foram presas nesta terça-feira (15), em Salvador, durante a Operação Sem Lastro, com o objetivo de desarticular um grupo suspeito de criar e negociar títulos de crédito e recebíveis fraudulentos, incluindo duplicatas falsas.

Segundo a Polícia Civil da Bahia, um casal foi localizado no bairro de Jardim Armação, enquanto a terceira prisão ocorreu no bairro de Jardim das Margaridas. Além disso, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em residências e estabelecimentos comerciais.

Durante a ação, foram apreendidos celulares, tablets, escrituras, cadernos, comprovantes bancários e outros documentos que podem contribuir para as investigações.

Conforme as investigações, o grupo utilizava empresas ligadas ao ramo veterinário, com atividades de comercialização e armazenamento de ração e insumos veterinários, para dar aparência de regularidade às operações e viabilizar a emissão e negociação dos títulos no mercado financeiro.

Operação Sem Lastro
Foto: Pedro Moraes/ Ascom-PCBA

Divisão de tarefas

Ainda de acordo com a PC, os três presos exerciam funções distintas.

O homem, que foi localizado em Jardim Armação, atuava nos setores financeiro e comercial. Ele é apontado como responsável pela criação, falsificação e negociação dos títulos fraudulentos. O suspeito também participava do chamado autopagamento, utilizando recursos de empresas ligadas ao grupo para quitar alguns dos próprios títulos e criar uma falsa aparência de capacidade financeira. Mesmo após a descoberta das primeiras irregularidades, apresentou uma nova carteira de títulos fraudulentos no valor de R$ 17 milhões.

A mulher presa no Jardim das Margaridas atuava na área financeira e contábil. Com base nos autos, ela participava da manipulação de balanços e informações financeiras para conferir aparência de solidez econômica às empresas utilizadas nas operações.

Já a terceira investigada, médica-veterinária e esposa do principal investigado, atuava na área patrimonial e societária. Um dos elementos analisados foi a transferência, em 24 de março de 2026, da totalidade das cotas de uma empresa, avaliadas em R$ 1 milhão, para ela.

Operação Sem Lastro

A operação ocorreu durante as investigações e, conforme a apuração, esteve relacionada a uma suposta separação considerada simulada pelos investigadores. Publicações em redes sociais indicaram a continuidade da relação e da convivência do casal.

Segundo o delegado responsável pela operação, José Nélis, as fraudes teriam provocado impactos e prejuízos para comerciantes e investidores. Alguns pequenos comerciantes foram até levados à falência.

“O esquema atingiu comerciantes e investidores, além de diversas pessoas que tiveram seus nomes protestados indevidamente por títulos que não correspondiam a dívidas reais. Os prejuízos foram especialmente graves para pequenos comerciantes, levando alguns deles à falência. A movimentação societária identificada durante as investigações também funcionou como mecanismo de proteção patrimonial, dificultando a localização e eventual recuperação de bens relacionados aos valores obtidos com as fraudes”, detalhou.

Os três presos permanecem à disposição da Justiça. A Operação Sem Lastro é realizada pelo Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), e as investigações continuam para esclarecer a participação individual dos envolvidos, acompanhar o fluxo dos recursos e identificar possíveis outros integrantes.

Leia também: Operação combate grupo suspeito de negociar R$ 32 milhões em duplicatas falsas

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