15 de September de 2026
I Seminário Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio e Atuação em Situações de Crise
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

O 2º Comando Regional de Bombeiros Militar — Leste (CRBM Leste/CBMBA), realizou nesta terça-feira (15), o I Seminário Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio e Atuação em Situações de Crise, reunindo saúde, direitos humanos e segurança pública para discutir prevenção ao suicídio e atuação em rede.

O evento, que ocorre em alusão à campanha Setembro Amarelo, visa à conscientização sobre a importância da saúde mental e a defesa da vida. O encontro reuniu, no auditório do Ministério Público Estadual (MPE), profissionais das áreas de saúde, direitos humanos, segurança pública e assistência social, para juntos debaterem o fortalecimento da política do cuidado.

I Seminário Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio e Atuação em Situações de Crise

Tema a ser encarado de frente

Um dos palestrantes do evento foi o médico generalista Alisson Moreira Luz, que atende em Santo Estevão, na região metropolitana de Feira de Santana. Ele relembrou que o Setembro Amarelo é uma forma de chamar a atenção da sociedade, para a questão do suicídio, que deve ser encarada.

“É um problema de saúde pública. Hoje são mais de 15 milhões de pessoas que já tentaram o suicídio desde o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde em 2024. Isso tende a aumentar porque hoje a gente tem uma sociedade que é doente, tem muitos problemas, tanto sociais quanto de saúde e psicológicos, que afetam o dia a dia, que podem desencadear um destino final de uma pessoa tentar o suicídio.”

médico generalista Alisson Moreira Luz
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Segundo o médico, que é especialista em Medicina de Família, os pacientes não chegam ao consultório apenas com uma doença, ela chega também com afecções mentais, patologias, e é preciso entender o contexto familiar, cultural, que ele está.

“Não existe só remédio, a vida não é remédio. O remédio a gente fala que é como se fosse ali uma situação de urgência, que a gente usa para tirar da crise, mas o cuidado é contínuo. Então a gente tem terapias associadas com psicólogo, atividade física, que hoje para a gente é um carro-chefe no cuidado, as terapias holísticas que a gente vê todo um contexto. O remédio não é a primeira escolha, é uma escolha de emergência.”

Na avaliação, o aumento da demanda de pacientes com sintomas com depressão, ansiedade e outros males pode estar relacionado à pressão social que o ser humano enfrenta no dia a dia.

“Existe uma pressão social muito grande de padrões da internet. Teve a pandemia que causou um isolamento social muito grande e isso tem gerado reflexos ao longo desse tempo. E a internet está fazendo pressão o tempo todo e cada vez mais as pessoas estão adoecendo por conta desse contexto, de querer o que se mostra na internet, que muitas vezes não é a realidade daquela pessoa.”

I Seminário Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio e Atuação em Situações de Crise
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Para aqueles que observam sintomas em pessoas próximas, o especialista aconselha como primeira atitude o acolhimento.

“Seja um amigo, um familiar, qualquer outra pessoa que estiver naquele contexto, ela tem que entender que o problema daquela pessoa é dela. É um problema particular que talvez para mim não seja um problema, mas aquela pessoa está enfrentando, então é você não julgar, acolher, receber aquela demanda e oferecer o suporte que ela precisa. Se você não consegue, não tem condição profissional para fazer isso, você pode encaminhar, direcionar aquela pessoa para um cuidado especializado. É isso que a gente precisa.”

Missão do cuidado com o próximo

Em entrevista ao portal Acorda Cidade, o coronel Neuzito, comandante regional de Bombeiros Militares de Feira de Santana, destacou a missão do órgão de segurança na preservação da vida e na prevenção de ocorrências.

“A gente decidiu convidar membros, representantes de vários segmentos da sociedade e desse sistema de proteção à vida, para participar desse seminário e que a gente possa trazer esclarecimento para que todos saibam exatamente como se comportar em uma ocorrência dessa natureza. Cada um tem o seu papel bem definido para que a gente possa aumentar a proteção à vida das pessoas que estão passando por problemas emocionais e sociais. E se colocam nessa situação de vulnerabilidade, colocam as suas próprias vidas em risco. Então a gente, buscando preservar a vida, proteger as pessoas, tivemos a iniciativa de estabelecer esse seminário”, informou o coronel.

coronel Neuzito comandante regional de Bombeiros Militares de Feira de Santana
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

O debate sobre os temas ligados à saúde, os direitos humanos e segurança pública busca conferir aos órgãos um grau de eficácia maior. Com isso, a programação conta com palestras, ministradas por profissionais reconhecidos.

“Essa é uma iniciativa de qualificação dos profissionais que, de fato, vão atender esse tipo de ocorrência. A gente precisa capacitar aquelas pessoas que estão na ponta atendendo o público. O Comando Regional se preocupa em que esses profissionais estejam bem qualificados para poder fazer esse atendimento da melhor forma possível.”

Cuidar de quem cuida

O Tenente-Coronel Joildo, que comanda o 2º Batalhão de Bombeiros Militares de Feira de Santana, ressaltou que o bombeiro militar lida com ocorrências ligadas à saúde mental em contextos mais críticos e precisa de um olhar mais cuidadoso.

Tenente-Coronel Joildo comdt do 2º Batalhão de Bombeiros Militares de Feira de Santana
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“Os bombeiros acabam tendo que atuar nesse contexto mais gravoso. Então aqui nesse evento a gente teve a oportunidade de falar sobre a atenção, o cuidado, a prevenção da tentativa de suicídio. O bombeiro operacional, aquele que atua nessa ocorrência mais grave, mais dura, entende um pouco mais desse processo, de como a pessoa chegou até aquele momento. E também é importante falar do cuidado com os próprios servidores, os próprios militares.”

I Seminário Interinstitucional de Prevenção ao Suicídio e Atuação em Situações de Crise
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Além disso, Tenente-Coronel Joildo pontuou que não apenas as pessoas da comunidade em geral enfrentam problemas e situações crises, mas também os militares.

“Como ser humano também, o militar passa por situações muitas vezes familiares e pode também desencadear, por exemplo, uma depressão, uma situação difícil. A gente sabe que nas atividades de segurança, existe uma predisposição de uma parcela à depressão, ao adoecimento mental. Então nós também temos que ter esse olhar, esse cuidado com quem cuida de outras pessoas.”

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.

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