28 de September de 2026
Justiça encerra processo mais antigo do Espírito Santo sem decidir a quem pertence terreno de 1,7 milhão de metros quadrados – Imagem: Pixabay

Um processo aberto em 1912 foi encerrado sem definir a quem pertence o terreno de 1,7 milhão de metros quadrados em Venda Nova do Imigrante, na região serrana do Espírito Santo. 

A disputa, considerada a mais antiga em tramitação no estado, buscava a demarcação e divisão de terras que hoje formam parte da área urbana do município.

Justiça encerra processo mais antigo do Espírito Santo sem decidir a quem pertence terreno de 1,7 milhão de metros quadrados

O juiz José Borges Teixeira Junior, da Vara Única de Venda Nova do Imigrante, assinou a sentença na última terça-feira, 22 de setembro. 

A ação foi extinta sem julgamento do mérito porque os responsáveis pelo pedido não conseguiram, mesmo após vários prazos, apresentar a identificação de todas as pessoas que precisavam integrar o processo.

O terreno em disputa é conhecido como Fazenda Providência e representa cerca de 1% de todo o território do município.

Ao longo de mais de um século, a tramitação enfrentou o desafio de localizar herdeiros e demais interessados que poderiam ser atingidos por uma sentença sobre a área.

Para tentar destravar o andamento, a Justiça pediu apoio à prefeitura e ao Cartório de Registro de Imóveis, em busca de dados que ajudassem a mapear a situação das terras. 

Mesmo com as informações em mãos, o grupo que pedia a divisão deixou passar o último prazo sem apresentar resposta, o que levou o magistrado a encerrar o caso.

Na decisão, ele deixou claro que não houve abandono da causa, e sim a falta de condições para que ela seguisse adiante.

Com base no artigo 485, inciso IV, do Código de Processo Civil, a extinção não define quem detém a propriedade nem avalia os direitos reivindicados sobre a área. 

Na prática, a questão da titularidade das terras continua sem resposta judicial.

O valor da causa, que era de R$ 200 mil, subiu para R$ 10 milhões. O juiz levou em conta o tamanho da área, sua localização e a ocupação urbana já consolidada no local. 

Quem pedia a divisão das terras deve pagar eventuais custas processuais ainda pendentes, calculadas sobre esse novo valor.

Justiça encerra processo mais antigo do Espírito Santo sem decidir a quem pertence terreno de 1,7 milhão de metros quadrados – Imagem: Divulgação/Governo do Espírito Santo

Uma região que já é bairro

Milhares de famílias vivem hoje no local, que integra a zona urbana do município. 

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) havia incluído o caso entre os processos estratégicos, categoria reservada a ações de grande relevância ou tempo excepcional de tramitação.

O arquivamento definitivo só deve ocorrer depois do trânsito em julgado, quando não restar mais espaço para recurso contra a sentença. 

Até lá, a área onde vivem essas famílias permanece sem um dono reconhecido oficialmente pela Justiça.