
A pele libera uma molécula chamada nonenal que explica grande parte do cheiro característico que algumas pessoas desenvolvem com a idade, um odor levemente gorduroso que lembra grama seca ou papel guardado.
Esse composto se intensifica a partir dos 40 anos, quando o processo de envelhecimento altera a forma como as gorduras cutâneas reagem com o oxigênio.
O surgimento dessa substância não está ligado a falta de higiene. Ainda assim, pequenas mudanças na rotina do banho permitem controlar seu acúmulo na pele e nas roupas.
Como e por que a substancia começa a ser produzida pela pele com a idade
O 2-nonenal é um aldeído que se forma quando ácidos graxos chamados ômega-7, presentes no sebo da pele, entram em contato com oxigênio.
Com o passar dos anos, o corpo produz menos antioxidantes naturais, o que causa acúmulo de peróxidos lipídicos, exatamente a matéria-prima de que essa molécula precisa para se desenvolver.
Diferentemente do suor das axilas, que cheira mal principalmente por causa de bactérias, o nonenal depende mais do processo de oxidação. Por ser uma substância solúvel em gordura, ela fica retida nos poros, nas golas das camisas e nas fronhas.
A pessoa que tem esse odor raramente o percebe, porque o olfato naturalmente se acostuma ao próprio cheiro corporal. Uma pesquisa de junho de 2023 desenvolveu biossensores capazes de detectar o vapor dessa substância liberado pelo corpo.
Os cientistas coletaram medições em quatro regiões, a nuca, atrás da orelha, axila e ombro, e encontraram diferenças significativas entre adultos de 20 e de 50 anos, confirmando a relação entre o composto e o envelhecimento.
Esses pontos de coleta funcionam como um mapa prático para a higiene diária, indicando exatamente onde o nonenal tende a se acumular. Embora ainda experimental, a tecnologia dos biossensores pode no futuro avaliar o impacto de sabonetes, cremes e tratamentos dermatológicos sobre o odor corporal.
Quais regiões pedem mais atenção no chuveiro e como adaptar a higiene para reduzir o acúmulo?
As áreas com maior concentração de glândulas sebáceas acumulam mais dessa molécula, especialmente quando recebem pouca atenção durante o banho. A nuca e a linha do cabelo produzem muito sebo e frequentemente são esquecidas por quem lava apenas o couro cabeludo.
Atrás das orelhas é uma dobra onde oleosidade e células mortas se acumulam facilmente. Os ombros e a parte alta das costas dificultam a limpeza por sua posição no corpo e produzem quantidade considerável de gordura.
O peito e o colo possuem glândulas sebáceas ativas e ficam em contato constante com o tecido da roupa. Axilas e virilha concentram tanto suor quanto bactérias, combinando diferentes tipos de odor corporal.
Como a molécula de nonenal se dissolve em gordura, apenas água não é suficiente para removê-la. Aplicar sabonete com as mãos ou uma esponja macia nessas regiões-chave ajuda a reduzir o problema. A nuca e a parte de trás das orelhas precisam do mesmo cuidado dedicado às axilas.
Usar uma escova de cabo longo alcança melhor os ombros e as costas. Água morna é mais adequada do que muito quente, pois a temperatura elevada prejudica a barreira natural da pele. Após o banho, hidratar o corpo com produtos sem perfume intenso evita irritações na pele mais madura.
Além disso, lavar com frequência fronhas, golas de camisetas e toalhas impede que o composto volte à pele durante o sono.
Quando o odor permanece forte mesmo com banhos diários, pode indicar outro quadro dermatológico. Nesses casos, uma consulta com dermatologista ajuda a investigar as causas reais e as opções de tratamento disponíveis.