3 de November de 2026
Hospital Geral Clériston Andrade
Foto: Assessoria de Comunicação do HGCA

Neste feriadão de Dia de Finados, o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) registrou um alto movimento na unidade, principalmente por conta dos acidentes de trânsito em Feira de Santana e outras cidades. Segundo a diretora-geral da unidade, Cristiana França, haviam 61 macas apenas no corredor do hospital.

Em entrevista ao programa Acorda Cidade, nesta terça-feira (3), Cristiana contou que 85% dos pacientes que ocupavam as macas eram vítimas de acidentes de trânsito. Desse total, 99,9% dos casos envolviam motocicletas. 

O hospital estava altamente tensionado durante esse feriado. Foi muito tenso o trabalho no Clériston, justamente porque a gente nunca viu tantos acidentes, principalmente de motocicleta. Estava a ponto de eu pedir ajuda à Central Estadual de Regulação.”

A diretora afirmou que ainda não conseguiu levantar o número total de acidentes registrados durante o feriadão. No entanto, destacou que a maioria dos casos foi provocada por imprudência dos condutores.  

Diretora do HGCA usa Tribuna Livre da Câmara para prestar contas à população
Cristiana França | Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Atraso nos atendimentos e cancelamentos de cirurgias

De acordo com Cristiana, o volume de acidentes aumenta a quantidade de pacientes no HGCA e, com isso, cirurgias de outros pacientes podem ser adiadas, já que os casos mais graves, principalmente de vítimas com fraturas expostas, precisam ser atendidos com prioridade.

A diretora explicou que muitos acidentes se tornam prioridades e devem ser atendidos com urgência, o que adia os procedimentos de outros pacientes que já estavam programados para serem operados ou atendidos. 

“A consequência é que, se o hospital está cheio, a gente não consegue abarcar as outras patologias que também estão pedindo regulação. Muitas vezes a gente está programando o paciente para operar, mas muitas vezes a gente tem que protelar ou cancelar essas cirurgias para o outro dia, porque entram primeiro esses acidentes, que a maioria tem muita fratura exposta e a gente precisa operar logo. Então, aquelas vagas que deveriam ser para atender outras doenças, outras patologias, o Clériston não consegue lidar.”

Regulação

Questionada sobre os pedidos de regulação, Cristiana disse que entrou em contato com a Central Estadual de Regulação para solicitar apoio e foi prontamente atendida. Com a ajuda do órgão, alguns pacientes foram transferidos para unidades de saúde coirmãs. 

A diretora relatou ainda que as equipes do HGCA realizaram uma mobilização por meio de um plano de contingência, o que permitiu ampliar o número de cirurgias. As transferências para outros hospitais continuaram até a noite de segunda-feira (2), na tentativa de aliviar a demanda na unidade.

“Nós fizemos algumas regulações, apesar da gente saber que hoje, na fila da Central Estadual de Regulação, a maioria dos atendimentos que estão aguardando é justamente ortopedia, por fratura, por acidente. Mas a Central nos ajudou, a gente transferiu alguns pacientes para as outras unidades coirmãs da gente. Também fizemos uma mobilização que a gente chama de plano de contingência e conseguimos operar muita gente, até ontem à noite a gente estava transferindo pacientes para as outras unidades. Mas é muito ruim ter que fazer isso, sabendo que a gente poderia estar com o hospital mais tranquilo.”

Projeto de conscientização

Ainda durante a entrevista, a diretora disse que tem trabalhado em um projeto voltado para a questão dos acidentes que envolve vários órgãos de segurança. Porém, o desenvolvimento do projeto precisou ser pausado por conta das eleições de 2026. 

“Na realidade a gente quer fazer uma campanha de conscientização a começar pelas escolas, porque nós sabemos que se a gente leva para as escolas, os pequenos passam uma mensagem para os pais. Então a gente entende que chegando à escola, a gente vai ter uma conscientização melhor, inclusive, já tem uma outra notícia, que a gente pede que nas escolas já tenha uma disciplina de educação no trânsito.”

Tratamento de AVCs

Além disso, Cristiana comentou sobre o tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC), tema abordado anteriormente durante o programa Acorda Cidade. A diretora colocou o HGCA à disposição da Secretaria Municipal de Saúde e de outros órgãos interessados em promover treinamentos para os profissionais de saúde. 

Ela também mencionou o Projeto Pulsar, do Governo do Estado, que capacita equipes para agilizar o atendimento de pacientes com infarto e AVC, e o Projeto Angel, desenvolvido em parceria com grandes hospitais e também voltado à conscientização nas escolas.

Cristiana acrescentou que o Projeto Angel também busca ensinar os estudantes a reconhecer os sintomas do AVC, permitindo que eles ajudem a disseminar essas informações. A diretora afirmou que já houve uma primeira conversa com a Secretaria Municipal de Educação para levar a iniciativa às escolas.

Leia também:

Motorista passa mal e colide com outros três veículos na Avenida Ayrton Senna

Vítima de capotamento em Serrinha morre no HGCA após quase 20 dias internada

Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e do grupo no Telegram.