

Entre os fatores que influenciam a saúde mental, está um dos elementos mais presentes no dia a dia: a internet. Vivemos em um período histórico em que a internet deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação e se tornou parte essencial da vida cotidiana. A chamada “era digital” trouxe benefícios inegáveis, mas também desafios complexos para a saúde mental, exigindo de nós novas formas de reflexão e de autocuidado.
A psicóloga e docente da Estácio, Ana Cristina Fabbri, explica que apesar dos avanços da “era digital”, novos desafios vêm surgindo, principalmente no âmbito emocional. “Vivemos conectados praticamente o tempo todo. Isso transformou nossa forma de trabalhar, estudar e até de sentir e expressar emoções. A internet pode ser uma aliada, mas também se torna fonte de ansiedade, comparação e solidão quando usada sem limites”, afirma.
Curtidas, comentários e compartilhamentos funcionam como recompensas rápidas, mas também criam uma busca constante por aprovação. “A validação que antes vinha em conversas cara a cara agora aparece em segundos na tela do celular. Essa satisfação imediata pode ser prazerosa, mas também nos deixa reféns da opinião alheia”, explica a psicóloga.
Outro ponto de atenção é a forma como nos comunicamos. Emojis, gifs e curtidas facilitam a troca de afeto, mas acabam substituindo conversas mais profundas. “Essa comunicação rápida pode ser prática, mas também reduz a riqueza emocional do diálogo humano”, observa Ana Cristina.
Além disso, o excesso de informações e notificações constantes mantém o cérebro em estado de alerta. A especialista explica que essa avalanche de estímulos contribui para quadros de estresse, fadiga mental e dificuldade de concentração.
O lado positivo
Apesar dos desafios, a internet também pode abrir caminhos positivos. Plataformas digitais oferecem acesso a psicoterapia online, grupos de apoio e conteúdos educativos sobre saúde mental. “Outro aspecto importante é a possibilidade de expressão criativa. Muitas pessoas encontram alívio ao compartilhar vídeos, textos, podcasts ou produções artísticas. Essa troca ajuda a externalizar emoções e fortalecer vínculos de pertencimento”, acrescenta.
O segredo
A especialista lembra que o segredo está no equilíbrio. “Reservar momentos de desconexão, cultivar encontros presenciais e lembrar que a vida mostrada nas redes não é a realidade completa, são atitudes simples que ajudam a manter o bem-estar emocional”, orienta.
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