12 de January de 2026
Manifestação protesto contra municipalização de colégio estadual no bairro baraúnas em Feira de Santana
Foto: Paulo José / Acorda Cidade
A manifestação, que começou por volta das 8h, foi uma forma que os moradores encontraram para chamar a atenção do poder público.
Manifestação protesto contra municipalização de colégio estadual no bairro baraúnas em Feira de Santana
Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Moradores de Feira de Santana realizaram uma manifestação contra a interrupção das atividades de uma escola no bairro Baraúnas. O ato, que ocorreu na manhã desta segunda-feira (12), reuniu pais e responsáveis contrários à municipalização do Colégio Estadual Eduardo Fróes da Mota.

A manifestação, que começou por volta das 8h, foi uma forma que os moradores encontraram para chamar a atenção do poder público sobre os efeitos negativos que podem surgir com o fechamento da única escola estadual do bairro.

“Queremos saber para onde vão as crianças e os funcionários, e isso não está acontecendo agora. O tempo todo eles falaram que não ia fechar, e agora, no começo do ano, avisaram que vão fechar. É muito preocupante”, disse Daiane de Almeida, moradora das Baraúnas.

Manifestação protesto contra municipalização de colégio estadual no bairro baraúnas em Feira de Santana
Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Entenda o processo

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a municipalização de uma escola estadual pode ser entendida como um processo em que ocorre a transferência da gestão da unidade escolar, ou seja, a escola que até então era administrada pelo governo do estado (escola estadual) passa a ser de responsabilidade da prefeitura (escola municipal).

Incertezas

Uma moradora que preferiu não ser identificada contou à reportagem do Acorda Cidade que a escola foi fundada há mais de 50 anos e que os próprios filhos, hoje adultos, estudaram na instituição. Para a manifestante, a ação só deve trazer prejuízos para a comunidade e diversas incertezas.

“Onde é que vai botar os meninos do ginásio? E os moradores adultos que precisam terminar os seus estudos e frequentam a noite? O pessoal do bairro quer estudar e não tem condição de estudar. Isso é um grande absurdo”, disse a moradora.

“Qual o transporte para esses pais levarem essas crianças para a escola em outro lugar? Vão tirar daqui para botar para onde? Vão fechar a escola para os meninos entrarem no mundo do crime? Os meninos não vão ficar estudando e vão cair no mundo do crime”, complementou a moradora.

Manifestação protesto contra municipalização de colégio estadual no bairro baraúnas em Feira de Santana
Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Sem transparência

David Lima contou à reportagem do Acorda Cidade que estudou na escola Eduardo Fróes da Mota do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio e que a instituição foi fundamental para que ele conquistasse a vaga na tão sonhada universidade. Para o ex-aluno, a municipalização representa um desrespeito.

“Não houve um processo transparente nem apresentação de estudos técnicos, benefícios e prejuízos que teriam a comunidade com o fechamento e a municipalização da escola. O processo não levou em conta todas as demandas e as necessidades da comunidade durante todo o funcionamento da escola, e agora, de maneira abrupta, o estado vem e dá uma portaria de que o colégio vai fechar”, disse.

“Quando a gente puxa a mobilização, a comunidade pede um processo transparente e que a única escola de ensino médio do bairro não seja fechada e comece a atender às necessidades da própria comunidade. A gente precisa de diálogo e de transparência dentro do que pede a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação”, concluiu o ex-aluno.

Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.