

Nada mais frustrante para quem cultiva a exuberante pleomele tricolor do que vê-la perder sua graça aos poucos, mesmo estando em local bem iluminado. As folhas, antes vibrantes, com listras amarelas e esverdeadas marcantes, vão ganhando um tom uniforme e desbotado. O que muitos não sabem é que, mesmo com a luz correta, um fator escondido pode estar sabotando o visual da planta: a deficiência nutricional silenciosa. Isso acontece porque a pleomele tricolor depende não só de luz, mas também de micronutrientes específicos para manter suas cores vivas — e quando esses elementos faltam no solo, a planta reage apagando seus tons.
Pleomele tricolor precisa mais que sol: ela exige equilíbrio no solo
Conhecida também como dracena reflexa variegata, a pleomele tricolor é uma planta que se adapta bem a ambientes internos iluminados. No entanto, diferentemente de outras dracenas, essa variedade possui folhas variegadas sensíveis ao equilíbrio químico do solo. Mesmo que a luz esteja perfeita, se houver deficiência de ferro, magnésio ou nitrogênio, a clorofila se desenvolve de forma irregular, e as cores claras simplesmente desaparecem.
O excesso de matéria orgânica também pode ser um problema. Quando o solo está “pesado” ou encharcado demais, as raízes não conseguem absorver os nutrientes corretamente, criando uma falsa sensação de que o problema está na iluminação — quando, na verdade, está no subsolo.
Como identificar que o sumiço das cores é por deficiência nutricional
O primeiro sinal de que a pleomele está sofrendo por falta de nutrientes é a uniformização da folhagem. As listras amarelas e esbranquiçadas vão desaparecendo aos poucos, até que as folhas fiquem completamente verdes ou com um tom amarelado pálido e sem brilho.
Outro sintoma é o crescimento mais lento e o encolhimento das novas brotações. Quando a planta está com o solo equilibrado, ela emite folhas alongadas, bem definidas e com contraste evidente. Quando há deficiência, as folhas ficam mais curtas, espessas e opacas. Em alguns casos, surgem manchas marrons nas bordas, causadas por acúmulo de sais minerais ou estresse hídrico relacionado à má absorção.
Luz direta demais também pode atrapalhar o colorido
Apesar de amar ambientes bem iluminados, a pleomele tricolor não se dá bem com luz solar direta por muitas horas. Quando isso acontece, as partes mais claras das folhas tendem a queimar, resultando em manchas secas ou esmaecimento das cores.
O ideal é mantê-la próxima a janelas com cortinas leves, em áreas de meia sombra ou com luz difusa. Uma dica prática: se você consegue ler um livro tranquilamente no local durante o dia, a intensidade de luz é suficiente para manter as cores vivas — desde que os nutrientes do solo estejam em dia.
Como recuperar as cores perdidas da pleomele tricolor
Se a planta já perdeu a vivacidade das cores, é possível reverter o quadro com alguns ajustes simples:
- Faça uma adubação balanceada a cada 30 dias, com NPK do tipo 10-10-10 ou fórmulas específicas para plantas variegadas;
- Inclua quelatos de ferro no solo ou na rega quinzenalmente, especialmente em períodos de crescimento ativo (primavera e verão);
- Evite o excesso de matéria orgânica e mantenha o solo bem drenado, usando perlita, areia ou casca de pinus na mistura;
- Mantenha a planta em local com boa ventilação e luminosidade filtrada — nem sombra demais, nem sol pleno.
Com cerca de 2 a 3 semanas, é possível começar a notar o retorno gradual das listras e do contraste entre as cores. As folhas antigas não recuperam a pigmentação, mas as novas surgem com tons mais definidos quando o problema é corrigido.
Trocar a planta de lugar nem sempre resolve — e pode piorar
Um erro comum de quem percebe o desbotamento da pleomele é trocá-la de lugar várias vezes, em busca de “mais luz”. Essa movimentação frequente causa estresse à planta e pode agravar ainda mais o problema. A pleomele leva um tempo para se adaptar ao novo ambiente, e cada mudança zera esse processo.
Antes de reposicionar, verifique se o substrato está adequado, se o vaso tem boa drenagem e se a planta está recebendo a nutrição correta. Só depois de resolver esses pontos vale testar um novo local com melhor luminosidade.
Cores vibrantes são resultado de equilíbrio invisível
A beleza da pleomele tricolor não está só nas folhas — mas no equilíbrio silencioso que acontece no solo. Luz é essencial, sim, mas ela é apenas parte do quebra-cabeça. Para que as listras claras e o contraste entre tons se mantenham vivos, a planta precisa estar nutrida, enraizada em um substrato bem estruturado e em um ambiente com estabilidade.
Cuidar da pleomele é um lembrete delicado de que o que sustenta a beleza muitas vezes não se vê. E com o manejo certo, essa planta se torna um ponto de cor vibrante em qualquer ambiente — sem precisar de intervenções exageradas, apenas com atenção aos detalhes.
