15 de January de 2026
Comércio de Feira de Santana no Natal
Foto: Paulo José/ Acorda Cidade
Segundo Antônio Cedraz, presidente do Secofs, os impasses para definir a convenção ainda estão nos feriados.
Comércio de Feira de Santana no Natal
Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

O Sindicato Patronal de Feira de Santana (Sicomércio) realizou na manhã desta quinta-feira (15) a sétima reunião para tratar da Convenção Coletiva de Trabalho 2025/2026, que ainda não foi definida. O encontro aconteceu na sede do Sicomércio, no bairro Kalilândia.

Segundo Antônio Cedraz, presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Feira de Santana (Secofs), os impasses para definir a convenção ainda estão nos feriados. Uma das datas é o Dia do Comerciário, celebrado em 30 de outubro ou na terceira segunda-feira do mês, que ainda está em discussão sobre quando o trabalhador poderá desfrutar do momento.

“Porque no Dia do Comerciário, todos os comerciários no Brasil comemoram ou no dia 30 ou na terceira segunda-feira de outubro. Porém, nós demos condições, outros feriados para o carnaval. Mas ele só quer o dia do comerciário no carnaval. Poxa, eu acho que é meio que você pegar a sua data de aniversário e permutar para uma outra data que não existe.”

Antônio Cedraz disse que a categoria não abre mão do feriado. No caso, eles não querem trocar o Dia do Comerciário pela segunda-feira de Carnaval.

“Isso aí impactou demais porque é uma demanda dos comerciários, das federações, das confederações, que isso é que está se tornando já nacional o nosso dia. A gente não abre mão desse dia. Mas, no entanto, a gente conciliou de liberar outros feriados para compor o carnaval, mas ele só quer o dia do comerciário. E, no entanto, a gente está dando mais dois feriados para compensar e o comércio ser fechado.”

Fechamento do comércio nos bairros

Outro impasse está no fechamento do comércio nos bairros, que, no ano passado, teve a flexibilidade para permanecer aberto durante os feriados.

Antônio Cedraz
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

“Não é o trabalhador do comércio do centro e dos bairros, para a gente são todos trabalhadores. Como é que o pessoal dos bairros não tem um feriado durante o ano?”, questionou Antônio Cedraz ao Acorda Cidade.

“Todos os feriados trabalham, todos os domingos trabalham. Ninguém pode ter um feriado nos bairros? Só o centro? Não, também é injusto. Nos bairros a gente fez a proposta de três feriados, só três, e mesmo assim não passou. Eles querem todos os feriados nos bairros, é desumano isso.”

Reajuste salarial

Durante a reunião, a única definição foi sobre o reajuste dos trabalhadores. Será de 6,02% para quem ganha o piso e 5,5% para quem ganha acima do piso. Apesar disso, enquanto a convenção não é aprovada, os trabalhadores ficam sem o direito de receber o aumento.

O valor do salário do comércio passará de R$ 1.660 para R$ 1.760.

O que diz o Sindicato Patronal

O presidente do Sicomércio, Marcos Silva, também conversou com o Acorda Cidade sobre a rodada de negociações. Para ele, é um retrocesso o fechamento do comércio nos bairros durante os feriados com a concorrência das lojas online.

“Nesse mundo de hoje de concorrência de sites internacionais que chegam aqui, às vezes pagando imposto muito baixo ou nenhum imposto, o comércio fechado é uma porta aberta para que nosso comércio tradicional enfraqueça. Isso a gente não vai permitir”, declarou.

Marco Silva disse que o desejo é aprovar a convenção o quanto antes para que os trabalhadores possam usufruir do reajuste salarial.

“Foi um ganho acima da inflação; a inflação do último ano foi R$ 4,45, a gente está dando R$ 6,02. Então, a gente queria já divulgar para que as empresas começassem a pagar essas diferenças e que os comerciários também começassem a receber esse dinheiro, que com certeza eles estão ansiosos, porque já tem acumulado.”

Também está sendo proposto o pagamento das parcelas pendentes em duas vezes, o que a categoria não quer aceitar. Já tem acumulado os valores referentes aos meses de novembro, dezembro, 13º e agora entrando em janeiro, configurando quatro meses em débito dos empresários.

Sem definição: convenção coletiva do Comércio empaca na troca do Dia do Comerciário pela segunda de Carnaval
Marco Silva | Foto: Paulo José/Acorda Cidade

“O empresário, na hora de pagar, também vai ter impacto, porque R$ 100 para quem ganha acima do piso é mais do que isso. Então hoje o comerciário já tem quatro parcelas de R$ 100 a receber. Aí eu pergunto: o empresário pode de uma vez só pagar mais R$ 400 do salário? Não”, explicou Marcos Silva ao Acorda Cidade.

“A gente fechar comércio hoje que já existe abertura é uma tradição, por isso que a gente colocou na Convenção: shoppings e bairros abrem nos feriados. Então, a gente não vai permitir esse retrocesso.”

Segundo Marco Silva, a exigência dos feriados é para apenas três feriados fortes em que movimentam bastante o comércio de Feira.

“Esse ano de 2026 nós temos 13 feriadões. O que a gente pediu pelo centro da cidade? Apenas três datas e mais o 12 de outubro para quem vende artigos infantis, entre outras coisas que os pais podem dar às crianças, como roupas.”

“Próximo do São João, dia dos namorados e próximo de mais duas datas importantes. Todos os outros dez feriados, o centro vai estar fechado na cidade.”

Ele também falou sobre alguns benefícios que já foram conquistados pelos trabalhadores do comércio.

“Fechar comércio, a gente não vai participar dessa ação de fechar comércio. O que a gente tem que regular é o trabalho, e o comerciário está sendo, sim, prestigiado. Estamos oferecendo ganho real. Aquela questão de que já existe um plano odontológico integral, telemedicina, consulta com preço acessível. A gente ampliou também agora a NR1, que é o atendimento psicossocial, sem nenhum custo para o trabalhador; quem paga é o seu empresário.”

A próxima reunião está marcada para o dia 4 de fevereiro.

Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade

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