

O interesse dos brasileiros pela internet e redes sociais supera, de forma expressiva, a leitura de livros, como aponta a 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro. Segundo o levantamento, 81% da população dedica o tempo livre à internet, enquanto apenas 20% afirmam ler livros, um número que caiu em relação a 2015, quando 50% usavam a internet no tempo livre e 24% liam.
Apesar disso, o início do ano é visto como uma oportunidade para mudar esse cenário, já que muitas pessoas colocam o aumento da leitura como uma das metas para 2026, buscando equilibrar o hábito de se conectar virtualmente com o prazer e os benefícios que a leitura pode oferecer.
No lado oposto dos brasileiros que reduziram o hábito da leitura está Clara Pamponet, uma leitora assídua, jornalista e escritora de Feira de Santana que leu 109 livros durante o ano de 2025. De acordo com ela, que gosta de livros de romance, ficção de cura, fantasia e poesia, o interesse pela leitura surgiu desde a infância.

“Minha mãe começou a ler para mim quando eu era bem pequena, quando eu não sabia ler. Quando eu aprendi a ler com 5 para 6 anos, as professoras tentavam me tirar da biblioteca do colégio para eu brincar no intervalo. Mas eu sempre estava fugindo para a biblioteca. Então, eu acho que já veio mesmo enraizado em mim, porque eu não me lembro de nenhum momento em que eu não estou com um livro na mão. Para a profissão, a leitura me ajuda muito em termos de ter mais empatia em muitas situações onde, infelizmente, não se deve imprimir uma opinião mais pesada mas a situação acaba fazendo com que nós não consigamos ficar calados”.
Segundo Clara disse ao Acorda Cidade, um livro que marcou sua trajetória foi “No Meio do Caminho Tinha um Amor”, do escritor também feirense Matheus Rocha. A partir dessa leitura, Clara disse que não parou mais de ler.
“Eu acho que eu incluo as demandas do dia a dia no meio da leitura, porque entre uma demanda e outra, eu estou lendo. Não consigo não ler. Mas é, realmente, de manhã mesmo no trabalho, tempinho livre, opa, livro para dentro. De tarde eu tento conciliar, mas às vezes eu acabo deixando umas coisas para depois para ler, por me perder na leitura. É aquele famoso meme, nascida para ler e forçada a trabalhar”.

Benefícios da leitura e impactos da internet no hábito
A escritora também falou sobre os benefícios da leitura, como o fato de que ajuda a melhorar a escrita e o vocabulário. Assim como a ajudou a se posicionar melhor. Quanto ao impacto das redes sociais e da internet no hábito da leitura, Clara acredita que é uma questão bastante negativa.
“As redes sociais acabam destruindo tudo, porque a gente lê menos, a gente se prende na rede social. É como se fosse aquela coisa para prender a gente. Então, os impactos, ao meu ver, são negativos, quando a gente não sabe utilizar. Mas também pode ser positivo para poder pesquisar alguma coisa do seu interesse. Mas a maioria dos impactos são realmente negativos em termos de leitura”.
Conselhos de Clara
Como conselho para quem deseja adquirir ou retomar o hábito de ler com mais frequência, a escritora recomendou que as pessoas leiam aos poucos, como algumas páginas e/ou capítulos por dia. Além de optarem por livros mais leves e que agradem o leitor.

“Não adianta você pegar uma coisa para ler e que você não se conecte com esse livro. Se você não se conectar, já foi, perdeu tudo. Para mim, tem que ter aquela conexão do leitor com a leitura, para poder tudo fluir bonitinho e começar a ter o ritmo bonito da leitura e o costume também de ler”.
Clara Pamponet já escreveu seis livros, e leu 109 livros em 2025. No entanto, ela reforçou que a leitura não é fixa, pois em alguns meses, ela não leu nada, mas em dezembro, leu 23 livros.
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
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