

Uma família baiana foi expulsa de um voo da companhia área Air France, em Paris, após um desentendimento por um assento na classe executiva.
A situação aconteceu na madrugada da última quarta-feira (14), e é alvo de versões conflitantes entre os passageiros e a empresa.
Enquanto a família diz que foi vítima de descaso da companhia aérea, a Air France alega ter agido em conformidade com a legislação internacional.
A confusão aconteceu no Aeroporto Charles de Gaulle, dentro do voo AF562, que seguiria da capital francesa para Salvador.
Para deixar o país e voltar para casa, depois de ser expulsa do avião, a família pagou por novas passagens em outra companhia aérea.
O que diz a família
Ao g1, Ivan Lopes contou que viajava com a esposa e duas filhas. A família retornava de uma viagem pela Europa e havia iniciado o trajeto de volta ao Brasil partindo de Milão, na Itália.
Segundo o baiano, no check-in, ainda na madrugada, foi oferecido um upgrade da classe econômica premium para a executiva no trecho Paris–Salvador, pelo valor de 399 euros por passageiro. A família aceitou a oferta e pagou um total de 1.596 euros.
Após o desembarque em Paris e já no portão de embarque para Salvador, a família foi informada de que o upgrade de uma das passageiras, filha de Ivan, não poderia ser mantido, sob a justificativa de um problema técnico no assento 7L.
No entanto, segundo Ivan, ao entrarem na aeronave foi constatado que o defeito estaria em outra poltrona, a 5L, enquanto o assento 7L, que constava no cartão de embarque da filha, estava ocupado por um passageiro francês, que seria funcionário da própria companhia.
Ainda conforme o relato, a família questionou a situação e acabou sendo exposta a um “constrangimento público”.
Ivan afirma que o comandante da aeronave teria adotado uma postura exaltada, com gritos direcionados à esposa e à filha, o que agravou o conflito.
A família acabou sendo retirada do avião com o apoio de policiais armados. Segundo Ivan, após o desembarque, o grupo não recebeu realocação imediata em outro voo, nem assistência adequada.
Ele afirma que funcionários da Air France alegaram que os passageiros teriam causado prejuízos à empresa e que, caso quisessem viajar no dia seguinte, precisariam comprar novas passagens.
As bagagens, segundo o empresário, demoraram cerca de duas horas para serem liberadas.
“O que vivenciamos não foi apenas um transtorno de viagem, mas uma situação humilhante, traumática e desproporcional, que expôs uma família e, especialmente, uma criança a sofrimento emocional desnecessário”, afirmou.
Qual o valor do prejuízo
Ivan Lopes estima um prejuízo em 16 mil euros. Conforme pontuou o baiano, o montante inclui as passagens compradas na Air France, o upgrade para a classe executiva, outros quatro bilhetes em outra companhia aérea, além de alimentação e transporte para outro aeroporto.
O que diz a Air France
Em nota enviada ao g1, a Air France classificou os integrantes da família como passageiros “indisciplinados” e que a tripulação decidiu pelo desembarque deles para garantir a “segurança” e o “bom andamento da viagem”, em conformidade com a legislação internacional.
A empresa informou que um dos assentos da classe executiva estava inoperante e, por isso, o upgrade adquirido no dia da partida não pôde ser honrado para um dos passageiros, sendo o lugar destinado a um cliente que havia comprado originalmente a passagem na classe executiva.
O g1 questionou a Air France por que o assento inoperante foi atribuído a outro cliente, mesmo com o pagamento feito pela família de Ivan Lopes para viajar pela classe executiva.
Conforme a companhia aérea, a ação faz parte da política de venda de upgrades da empresa, e que, em situações como essa, o upgrade pode ser cancelado e o cliente receberá reembolso.
A Air France afirmou ainda que ofereceu assentos na classe econômica premium para que a família viajasse junta, conforme os bilhetes originais, mas que os passageiros optaram por manter três lugares na executiva e um na classe inferior.
Segundo a nota, já a bordo, os passageiros teriam reagido de forma “extremamente exaltada” e mantido comportamento inadequado, mesmo após explicações e pedidos do comandante para que se acalmassem.
Leia nota na íntegra abaixo
“A Air France confirma que a tripulação do voo AF562, de Paris–Charles de Gaulle para Salvador, Bahia, em 14 de janeiro, decidiu desembarcar um grupo de quatro passageiros indisciplinados. O comportamento adotado a bordo, antes da partida, causou atraso, gerou insatisfação entre outros passageiros e poderia ter comprometido a segurança do voo.
De fato, a equipe da Air France no portão informou a um dos quatro passageiros — que originalmente possuía bilhetes em Premium Economy — que, devido à inoperância de um outro assento na Classe Executiva, o upgrade para a Classe Executiva, adquirido no dia da partida, não poderia ser honrado. O assento em questão foi, portanto, atribuído a um cliente que havia adquirido um bilhete de Classe Executiva no momento da reserva.
Considerando o desejo dos passageiros de viajarem juntos, a equipe da Air France ofereceu assentos na cabine Premium Economy, conforme originalmente previsto. No entanto, os passageiros optaram por manter três assentos em Classe Executiva (upgrade) e um assento em Premium Economy (upgrade que não pôde ser honrado devido ao assento inoperante).
Uma vez a bordo, os passageiros reagiram de forma extremamente exaltada e adotaram comportamento inadequado em relação à tripulação de cabine. Apesar das explicações fornecidas e dos reiterados apelos do comandante para que mantivessem a calma, o mau comportamento persistiu.
Diante dessa situação, e em conformidade com a legislação internacional aplicável, o comandante decidiu desembarcar os quatro passageiros da aeronave, a fim de garantir o bom andamento do voo e a tranquilidade de todos a bordo.
A Air France reforça que a segurança de seus clientes e de seus tripulantes é sua prioridade absoluta”.
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