

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) alertou ao governo federal que a manutenção de incentivos fiscais que foram concedidos à montadora chinesa BYD pode causar até 69 mil demissões no setor automotivo brasileiro. Assim como impactos estimados em mais de 200 mil postos indiretos ao longo da cadeia produtiva.
Segundo informações do portal Camaçari Notícia – CN1, parceiro do Acorda Cidade, o alerta foi apresentado no contexto da política de isenção do imposto de importação para os veículos eletrificados nos modelos CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados), um mecanismo que permite a entrada de veículos com menor carga tributária.
Para a Anfavea, essa medida pode estimular a substituição da produção nacional por processos de montagem parcial, o que pode acabar reduzindo os investimentos industriais e na geração de empregos no Brasil.
De acordo com a associação, a continuidade desse modelo pode afetar diretamente os fabricantes, sistemistas e fornecedores de autopeças.
Dessa forma, pode comprometer a competitividade da indústria automotiva nacional, bem como a arrecadação tributária e a sustentabilidade da cadeia produtiva de longo prazo. Com isso, o posicionamento foi encaminhado ao governo federal, como parte das discussões sobre a política industrial voltada ao setor de veículos eletrificados.
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A BYD atua no Brasil focando na mobilidade elétrica. Atualmente, a empresa utiliza o regime de importação com montagem local enquanto estrutura sua produção no país.
Segundo a montadora, o modelo adotado faz parte de uma etapa de transição. Além disso, afirma que há previsão de ampliação gradual nas atividades industriais, conforme o avanço da operação brasileira.
O debate ganhou impacto nacional por envolver a atração de investimentos estrangeiros e preservação da indústria já estabelecida no Brasil. Apesar do alcance federal, a discussão repercute nos polos industriais estratégicos, como Camaçari, onde a BYD implementou uma de suas unidades, após a desativação da antiga fábrica da Ford em 2021.
O governo federal segue em análise da definição sobre a continuidade ou não dos incentivos fiscais. Essa decisão pode influenciar os rumos da política automotiva nacional em um cenário que é marcado por questões como a transição energética, a disputa de mercado entre fabricantes globais e a preocupação com a manutenção de empregos neste setor.
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