

Você compra uma muda de lavanda-brasileira, cuida com carinho, escolhe um vaso bonito e logo nos primeiros dias ela exala aquele aroma inconfundível e parece crescer bem. Mas semanas depois, as folhas começam a amarelar, os caules secam de baixo para cima e as flores murcham de forma repentina. A causa mais comum? Regar demais — ou regar mal. A lavanda-brasileira tem um ciclo muito diferente do que a maioria das pessoas imagina, e errar nisso pode literalmente encurtar a vida da planta pela metade.
Lavanda-brasileira exige menos água do que parece
A lavanda-brasileira é uma planta nativa do Cerrado e de regiões quentes, adaptada a solos bem drenados e com baixa retenção de umidade. Diferente de hortaliças ou flores tropicais, ela não tolera raízes encharcadas. Por isso, regar com frequência ou em excesso acaba sufocando as raízes, gerando um ambiente propício a fungos e apodrecimento.
E o mais perigoso: nos primeiros sinais de folhas murchas, muita gente rega ainda mais, agravando o problema sem perceber. Por isso, o primeiro passo é entender que menos, neste caso, é mais.
1. Regar todo dia “só um pouquinho”
Esse é um dos erros mais comuns. A pessoa acredita que, por usar pouca água por vez, não há risco. Mas o solo nunca chega a secar completamente entre uma rega e outra. Esse acúmulo silencioso provoca o encharcamento crônico, uma condição invisível a olho nu, mas extremamente prejudicial à lavanda-brasileira.
O ideal é observar o solo com o dedo: só regar quando os 3 primeiros centímetros estiverem secos. Em vasos, isso pode significar uma rega a cada 4 ou 5 dias, dependendo do clima.
2. Usar pratinho com água acumulada
O pratinho sob o vaso serve apenas para conter excesso momentâneo de água, e não deve manter líquido por mais de 30 minutos. A lavanda-brasileira tem raízes finas que rapidamente apodrecem em contato constante com a umidade. Deixar o vaso em contato com água parada é como mantê-lo numa mini poça o tempo inteiro — uma sentença de morte lenta.
Se o pratinho for indispensável, esvazie sempre após a rega ou troque por um suporte que permita o vaso “respirar”.
3. Regar à noite em locais úmidos
Outro erro que reduz a vida da lavanda-brasileira é regar no fim do dia, especialmente em locais sem muita ventilação. À noite, a temperatura cai e a evaporação é mínima. Isso mantém o solo molhado por mais tempo, favorecendo doenças fúngicas como oídio e podridão radicular.
A melhor hora para regar é logo no início da manhã, quando a planta pode absorver a água sem risco de acúmulo prolongado.
4. Ignorar a drenagem do vaso ou canteiro
Não importa o quanto você controle a quantidade de água: sem drenagem, a lavanda-brasileira vai sofrer. Vasos sem furos ou canteiros compactados retêm a água por muito tempo. O solo precisa ter boa aeração e capacidade de escoar rapidamente.
Use uma mistura com areia grossa ou perlita no substrato e certifique-se de que o fundo do vaso tem camadas drenantes, como argila expandida ou cascalho.
5. Usar borrifador direto nas folhas
Embora pareça inofensivo, usar borrifador para “refrescar” as folhas da lavanda-brasileira é um erro técnico. As folhas dessa planta são cobertas por uma camada de pelos finos (tricomas) que retêm umidade. Ao borrifar água ali, você cria pequenas bolsas de umidade que não evaporam facilmente — o que abre caminho para o ataque de fungos.
Se quiser umedecer o ambiente em dias secos, borrife o ar ao redor da planta, mas nunca diretamente sobre ela.
6. Regar sem observar o clima
Durante o verão ou em regiões muito secas, pode ser necessário aumentar a frequência de rega. Mas o que muitos fazem é manter o mesmo padrão o ano todo. No inverno ou em dias nublados e frios, a planta entra em um estado de crescimento mais lento e consome menos água. Continuar regando como se fosse verão é um erro grave.
A dica é sempre adaptar a rega ao clima da semana, não a um calendário fixo.
Rega certa é vida longa para a lavanda
A lavanda-brasileira é resistente, perfumada, linda — e incrivelmente fácil de manter quando respeitamos sua lógica natural. Regá-la não pode ser um gesto automático, mas uma decisão baseada na observação. Quando a gente entende que essa planta não gosta de “carinho molhado”, tudo muda. Ela floresce por mais tempo, cresce com mais vigor e retribui o cuidado com uma presença aromática difícil de ignorar.
