23 de January de 2026
Pausa Necessária: psicóloga explica porque o ócio criativo é o melhor amigo da sua saúde mental
Foto: Freepik
Diferente da preguiça ou do simples "não fazer nada", o ócio criativo tem uma camada mais profunda.
Pausa Necessária: psicóloga explica porque o ócio criativo é o melhor amigo da sua saúde mental
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Em meio à correria do dia a dia, às notificações sem fim e à pressão por produtividade, parar pode parecer errado. Mas não é. Segundo a psicóloga Amanda Brito explicou ao Acorda Cidade, o chamado ócio criativo é justamente o oposto da preguiça: é uma pausa necessária para a mente respirar, se reorganizar e criar com mais conforto.

O que é, afinal, o ócio criativo?

Diferente da preguiça ou do simples “não fazer nada”, o ócio criativo tem uma camada mais profunda.

“O conceito vem da sociologia, a psicologia também abraça. E diferente do ócio, onde a gente não tem um sentido produtivo, o ócio criativo é aquele tempo que a gente dedica para descansar, sem necessariamente estar focado em produzir resultados imediatos, mas também se permitindo se conectar com ideias, permitindo que sua mente divague, que você tenha uma certa pausa com uma atividade interna, ainda que externamente pareça que você não está fazendo nada.”

A psicóloga chama atenção para a hiperestimulação dos dias de hoje, especialmente por conta das redes sociais. Todo esse excesso com a falta de pausas no dia a dia tem causado adoecimentos físicos e psicológicos.

Pausa Necessária: psicóloga explica porque o ócio criativo é o melhor amigo da sua saúde mental
Psicóloga Amanda Brito | Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“Estamos excedendo os nossos limites, temos produzido muitos adoecimentos tanto físicos quanto psicológicos. Então ter esses momentos é fundamental tanto para que a gente possa restaurar o nosso desgaste, quanto também para que a gente possa se conectar com a criatividade, com o lazer, com o descanso”, afirmou.

A atualidade vive a era da produtividade tóxica, onde o valor de uma pessoa parece estar ligado ao quanto ela entrega. Pode-se fazer uma comparação com muitos conteúdos das redes sociais. Nem sempre é algo construtivo, mas as pessoas produzem e postam com frequência. Para muitos, o importante é postar para mostrar a presença na plataforma.

Por que as pessoas tem tanto medo de parar?

A psicóloga explica que o preconceito com o ócio tem raízes culturais.

“Hoje deixamos de ser explorados apenas externamente, a gente se cobra muito internamente. Então, quando se pensa no ócio, a ideia que vem é de que se você não faz nada, você se torna uma pessoa improdutiva, e uma pessoa improdutiva é uma pessoa inútil na nossa sociedade. Precisamos ressignificar isso, porque o descanso é um necessidade do ser humano.”

Além disso, o silêncio nos obriga a encarar o que está dentro.

“Uma mente ativa não está prestando atenção a algumas emoções, em sentimentos desconfortáveis, pensamentos incômodos. Então, as pessoas geralmente tendem a evitar esses momentos de pausa e a se ocupar para se sentirem produtivas ou para fugir dessas emoções.”

Mulher respirando de olhos fechados
Fonte: Agência Einstein

Benefícios que vão além da mente

Praticar o ócio não ajuda apenas a “ter ideias”, mas regula todo o organismo. Amanda Brito destaca que o corpo e a mente são uma via de mão única.

“Eu acho que ele é a oportunidade de autoconhecimento, com isso, melhora a nossa clareza mental, diminui o nosso estresse, e que acaba contribuindo também para a nossa saúde física. O nosso mental e o nosso físico estão sempre conectados. Então, você descansar a mente é você descansar também o corpo.”

Como praticar no dia a dia? Não espere as férias!

Você não precisa de um mês na Tailândia para praticar o ócio criativo. Pequenas pílulas diárias de 10 minutos já transformam a rotina. Não existe um tempo ideal ou regra rígida para praticar o ócio criativo. Reduzir o tempo de tela, ouvir música, contemplar a natureza e valorizar o silêncio são estratégias simples e acessíveis. E não é preciso esperar férias ou o fim do ano para fazer isso.

“Descansar não é perder tempo. Pelo contrário, é você restaurar e se dar condição para que você esteja melhor na vida.”

“Uma meditação, uma caminhada de repente sem um destino pensado, você simplesmente dá uma pausa ali para fazer uma respiração, dez minutos, ir na janela contemplar o horizonte, são pequenas coisas no dia a dia, mas que já servem e trazem muitos benefícios”, sugeriu em entrevista ao Acorda Cidade.

Meditação Yoga
Foto: Pixabay

No fim das contas, parar também é cuidar. E, muitas vezes, é justamente nesse “tempo aparentemente vazio” que surgem ideias, equilíbrio e bem-estar.

Se permitir um momento de “vazio” hoje pode ser o que você precisa para chegar ao final do ano com mais saúde.

“Cada pequena atitude no dia a dia conta e com certeza vai influenciar para que no final do ano você chegue com um pouco mais de vitalidade e menos desgastado”, conclui a psicóloga.

Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade

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