

Lavar pano de prato junto com roupas parece inofensivo — afinal, é tudo “tecido”, certo? Errado. Essa prática comum em muitas casas brasileiras pode estar espalhando germes de forma silenciosa por toda a máquina de lavar, criando um risco real de contaminação cruzada. O pano de prato é um dos itens mais expostos a bactérias na cozinha e, quando vai para o cesto de roupas sujas ou para o tambor da lavadora sem os devidos cuidados, ele pode comprometer a higiene de toalhas, camisetas e até roupas íntimas. Tudo isso sem deixar cheiro ou cor diferente. É por isso que o perigo maior não é o que se vê, mas o que se carrega sem perceber.
O pano de prato concentra os piores tipos de bactérias
Usado para secar louças, limpar bancadas, segurar alimentos e às vezes até enxugar mãos, o pano de prato acumula um coquetel de micro-organismos que vai muito além da sujeira visível. Restos de carne crua, respingos de molhos, água suja da pia e resíduos orgânicos criam o ambiente perfeito para bactérias como E. coli, Salmonella e Listeria. E ao contrário do que se imagina, essas bactérias não saem da máquina de lavar com um simples ciclo rápido.
Quando esse pano vai para a lavadora com outras peças, há transferência de microrganismos para tecidos que, teoricamente, estariam limpos — como toalhas de banho, roupas íntimas ou camisetas. Esse é o conceito de contaminação cruzada: o que era para limpar, na verdade, está espalhando sujeira invisível.
1. Lavar com água fria ou em ciclo rápido
A primeira falha é confiar que uma lavagem comum, com água fria ou morna, será suficiente. A maioria das bactérias presentes no pano de prato só é eliminada em lavagens com temperatura acima de 60 °C. Se o ciclo da sua máquina for econômico ou rápido demais, o pano sai com aparência limpa, mas ainda carrega agentes patógenos ativos — que se fixam nas outras peças da carga.
Para higienizar panos de prato de forma eficaz, o ideal é fervê-los antes ou programar um ciclo de lavagem com temperatura alta, seguido de uma secagem completa. Isso reduz drasticamente a chance de contaminação.
2. Misturar com toalhas de rosto ou banho
Esse é um dos erros mais sérios e frequentes. Muita gente aproveita a carga da lavadora para incluir panos de prato com toalhas de uso pessoal, o que espalha bactérias da cozinha para o rosto e o corpo. As fibras felpudas das toalhas são excelentes “colchas” para colônias de microrganismos, que se multiplicam ainda mais se a secagem for feita em varais fechados ou úmidos.
Mesmo que o pano de prato esteja aparentemente limpo, ele pode conter traços de gordura ou restos de alimento, que se fixam nas toalhas e, em contato com a pele, geram irritações, espinhas ou até infecções em peles mais sensíveis.
3. Usar pouco sabão ou sabão inadequado
Economizar sabão ou usar apenas sabão neutro pode ser um erro quando se trata da limpeza de itens altamente contaminados como panos de prato. Diferente das roupas convencionais, eles exigem agentes de limpeza mais potentes e, preferencialmente, com ação bactericida.
Além disso, quando a quantidade de sabão é insuficiente para o volume de peças, o que deveria ser uma lavagem profunda vira uma “distribuição uniforme de sujeira” — ou seja, a máquina mistura resíduos entre as roupas sem eliminá-los de fato.
4. Secar o pano de prato dobrado ou em locais úmidos
Mesmo após uma lavagem aparentemente bem-feita, o pano de prato pode continuar sendo uma ameaça se for mal seco. Secar essas peças ainda úmidas, em varais abafados ou dobradas em cima do tanque, permite que bactérias sobreviventes se reativem. E o que é pior: esse ambiente favorece fungos como o mofo, que também pode migrar para roupas limpas quando tudo vai junto para o armário.
O ideal é pendurar os panos de prato completamente estendidos, em local ventilado e, se possível, com exposição solar direta. Só assim dá para garantir que o pano está realmente seguro para voltar à cozinha.
5. Guardar junto com panos ainda úmidos ou mal lavados
O último erro está no pós-lavagem. Muita gente dobra o pano de prato ainda morno ou levemente úmido e o guarda com os demais — contaminando o lote inteiro. Às vezes, o cheiro pode até parecer fresco, mas o pano não está totalmente seco. Quando misturado com outros limpos, ele “passa” a umidade e, com ela, as bactérias remanescentes.
Esse descuido anula toda a higiene e gera o ciclo vicioso: panos aparentemente limpos que sujam mais do que ajudam. O resultado se reflete em louças com cheiro estranho, superfícies engorduradas mesmo após a limpeza e, em casos extremos, contaminação alimentar.
