26 de January de 2026
Imagem ilustrativa gerada com Inteligência Artificial por meio da ferramenta Gemini
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O espelho revela quem somos, quem éramos e nos questiona sobre o que seremos. Ver-nos exige coragem. Coragem para assumirmos quem somos.
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Quase todos os dias, nos olhamos no espelho para fazer a barba, arrumar o cabelo, ajeitar a roupa e ver como está nosso semblante. O espelho é um instrumento que mostra nosso rosto e faz pensar em nossa alma. Não mente, não consola e nos convoca a parar de fingir. O espelho revela quem somos, quem éramos e nos questiona sobre o que seremos.

UM ADÁGIO popular afirma: “Quanto mais atrasada uma tribo, mais o cacique se enfeita”. São as “máscaras” que colocamos para esconder nosso rosto. É muito comum a pessoa fingir o que não é. Isso significa não assumir a própria identidade. E de tanto enganar os outros, acabamos por enganar a nós mesmos. Ver-nos exige coragem. Coragem para assumirmos quem somos. Às vezes, valorizamos demais aquilo que os outros dizem e pensam de nós!

EM CADA um de nós, vivem três tipos de imagens, que se misturam e, em certos momentos, uma se sobressai mais do que a outra. Há em nós a experiência da imagem negativa: tudo é defeito, desconfia-se de si e dos outros, o pessimismo toma conta em nosso dia a dia, tudo dá errado, a vida é um peso, tudo parece noite, joga-se no fator sorte e ela nunca mostra a cara.

A SEGUNDA experiência é da imagem do ambicioso e presunçoso. Tudo gira em volta do eu. É quando achamos que sabemos tudo e que fazemos certo. É quando nos colocamos no centro de tudo e desprezamos os outros como inferiores e malsucedidos. Não aceitamos o erro em nós mesmos e nem admitimos perder. Quando percebemos que não estamos em primeiro lugar, usamos ironia e desprezo, com as ideias e posições de outros, para que não prevaleçam.

A IMAGEM normal é a terceira experiência que há em nós. Conhecemos nossa realidade. Sabemos que a vida é feita de fracassos e sucessos, de vitórias e derrotas, de céu e inferno, de tristezas e alegrias, de sofrimentos e felicidades. Temos consciência de nossas qualidades e de nossas fraquezas, de nossas potencialidades e de nossas limitações. Vivemos nossa identidade. Somos realistas e ser realista é ter uma autoimagem certa.

SÓCRATES, filósofo grego, afirma: “Conhecer a si mesmo é a mais alta de todas as artes e o ponto mais alto da sabedoria”. Uma autoimagem exagerada ou uma autoimagem muito baixa não ajudam a viver e conviver. Nós somos o que somos diante de Deus e não o que os outros dizem de nós. O Apóstolo Paulo, que teve muitos fracassos espirituais, coloca a sua vida nas mãos de Deus ao afirmar: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).  

Dom Itamar Vian
Arcebispo Emérito
di.vianfs@ig.com.br

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