

Os trabalhadores da Neoenergia Coelba seguem em tratativas com a empresa por melhores condições de trabalho e o fechamento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Nesta segunda-feira (26), os funcionários realizaram uma nova assembleia informativa na subestação da empresa, localizada na Avenida Maria Quitéria, em Feira de Santana.
Segundo Mário Bonfim, diretor jurídico do Sindicato dos Eletricitários da Bahia (Sinergia), no último dia 20 houve uma mediação na Secretaria Regional de Trabalho e Emprego, mas a empresa não apresentou nenhuma proposta à categoria. De acordo com ele, desde setembro de 2025 os trabalhadores tentam avançar no diálogo com o sindicato patronal.

“Estamos com uma pauta bem extensa, mas alguns itens estão mais impactando, que é o plano de saúde, a hora-atividade da linha viva, o ganho real, dentre outras cláusulas que a gente vem discutindo. A partir do momento que ela não tem o ganho real, apenas repõe a inflação, ela tem perda sim e a gente quer que além da reposição da inflação, do período do nosso acordo, que tenhamos um ganho real.”
Sobre a possibilidade de paralisação, Mário Bonfim destacou que a greve é considerada apenas como último recurso.

“Estamos nas mobiliza estamos em estado de alerta iremos progredir para a Assembleia Permanente e em último caso, se não tiver nenhuma negociação, que espero que tenha, a gente pode sim vir fazer uma greve.”
Ainda segundo o diretor, existem atualmente sete pontos que ainda podem avançar nas negociações.
“Estamos abertos a negociar. Hora nenhuma a gente se fecha a negociação. Agora vamos sim discutir em mesa de negociação essas cláusulas que estão impactando o fechamento do acordo coletivo.”

Durante a assembleia, o trabalhador Igor de Oliveira Silva, que está prestes a completar 15 anos de atuação na empresa, relatou os impactos diretos da demora nas negociações para os funcionários.
“A gente vem se rastejando nessa luta, nesse acordo coletivo com a empresa desde outubro, onde o sindicato apresentou a proposta em setembro e a empresa vem só postergando, fazendo com que o trabalhador fique desgastado, insatisfeito. Hoje a gente tem várias cláusulas que nos beneficiam e a empresa quer defasar essas cláusulas, quer fazer alterações que desfavorecem o trabalhador e isso a gente não concorda, principalmente aumento no plano de saúde, onde não demonstra transparência com os números”, disse ao Acorda Cidade.

Igor também chamou atenção para problemas estruturais e de gestão enfrentados no dia a dia de trabalho.
“E também questão de ausência de material, frota sucateada, ausência ferramental, EPIs, uma dificuldade imensa. Então a nossa luta hoje é para fechar um ACT e conseguir melhorias. Muitos líderes despreparados que assediam trabalhadores e isso a gente vem combatendo diariamente, veementemente, para que melhore, para que a empresa forneça melhores condições de trabalho a nós trabalhadores.”
Segundo ele, a indefinição do acordo tem provocado desgaste emocional e financeiro na categoria.
“Ela está condicionando o empréstimo, liberar o empréstimo ao fechamento do ACT, sendo que o empréstimo não é vinculado ao ACT. Então ela está usando uma moeda de troca, que é um empréstimo, castigando os trabalhadores em troca dos trabalhadores acertando o que ela está oferecendo.”
O trabalhador ainda destacou que todas as cláusulas financeiras seguem congeladas enquanto o ACT não é fechado.

“Sem contar o reajuste salarial está paralisado, enquanto não fecha um ACT, reajuste de auxílio dependente, todas as cláusulas financeiras estão paralisadas até fechar. Isso já vem por quatro meses e isso dói muito no bolso do trabalhador.”
Sobre uma possível paralisação, Igor reforçou que a categoria já está em estado de mobilização.
“Já estamos em alerta, estamos em estado de mobilização. Hoje é uma assembleia informativa. O momento é tenso e a questão da paralisação da greve depende muito do posicionamento da empresa.”
Ele também relacionou a situação dos trabalhadores com a queda na qualidade do serviço prestado à população.
“A qualidade de serviço para a população não é boa. Muita reclamação, muitos clientes ficando 48h, 12h, o zona rural com uma semana, com falta de energia, sem atendimento, falta efetivo, falta gente suficiente, e aí com isso, sobrecarrega os trabalhadores, trabalhadores tendo que diariamente estender a sua carga horária, tendo que vir trabalhar no final de semana, tendo que trabalhar no seu dia de folga, para poder compor essa falta de funcionários. E é por isso que a população hoje sofre.”
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
Leia também: Trabalhadores da Coelba realizam assembleia em Feira de Santana e criticam proposta da empresa
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.
