26 de January de 2026
Estudantes indígenas - nota do Enem
Foto: Arquivo pessoal: Ana Beatriz
Em 2025, a rede estadual registrou cerca de cinco mil estudantes quilombolas e mais de sete mil indígenas.
Estudantes indígenas - nota do Enem
Foto: Arquivo pessoal: Ana Beatriz

Duas estudantes indígenas da rede estadual da Bahia chamaram a atenção pelos resultados alcançados na Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2025. Primas e colegas, elas são alunas do Colégio Estadual Indígena Capitão Francisco Rodelas, no município de Rodelas, no Território de Identidade de Itaparica, e integram ações de equidade desenvolvidas pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC).

Mesmo sem a divulgação de dados oficiais por Estado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), um levantamento preliminar da SEC, realizado junto aos 27 Núcleos Territoriais de Educação (NTE), identificou notas de destaque obtidas por estudantes, incluindo de escolas quilombolas e indígenas. Em 2025, a rede estadual registrou cerca de cinco mil estudantes quilombolas e mais de sete mil indígenas.

Entre os exemplos está Ana Beatriz Cá Arfer Jurum Tuxá, do povo Tuxá, que alcançou 920 pontos na Redação do Enem. “É gratificante a sensação de missão cumprida. Esta conquista representa minha família, meu povo e minha escola. O apoio recebido e a metodologia adotada foram decisivos, assim como a leitura. O tema do envelhecimento dialoga com nossa visão indígena, que reconhece os anciões como guardiões da sabedoria e da memória”, afirma.

A prima Eduarda Ferreira Alves, também do povo Tuxá, obteve 900 pontos. “A escrita constante ao longo do ano, o estudo da estrutura do texto dissertativo-argumentativo e o incentivo da escola fizeram a diferença. O tema do envelhecimento é essencial, porque combate estigmas e reforça o respeito aos idosos, que simbolizam identidade, cultura e tradição para os povos originários”, destaca.

Para a diretora de Educação dos Povos e Comunidades Tradicionais da SEC, Poliana Reis, os exemplos refletem uma política construída de forma coletiva. “A escuta, a participação das comunidades e o investimento nos historicamente excluídos orientam nosso trabalho”, avalia. Com o desempenho no Enem, os estudantes podem concorrer a vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), além de acessar o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

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