3 de February de 2026
Cardiologista 4 sintomas perigosos que podem indicar problemas no coração
Foto: arte
“Muitas vezes o infarto acontece depois de um choque emocional intenso, porque o coração já estava vulnerável”, explica o especialista.
Cardiologista 4 sintomas perigosos que podem indicar problemas no coração
Foto: arte

O estresse costuma ser tratado como algo emocional, passageiro ou inevitável da rotina moderna.

No entanto, ele vai muito além de uma sensação psicológica. Trata-se de uma resposta fisiológica complexa, capaz de interferir diretamente no funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos.

O estresse não é apenas emocional, ele é fisiológico. Ele age diretamente sobre o coração”, explica o médico Dr. Adriano Faustino, especialista em metabologia e medicina funcional e diretor da Sociedade Brasileira de Medicina da Longevidade (SBML).

O que significa “estresse” para o corpo

Quando uma pessoa vive em constante estado de alerta, o sistema nervoso simpático é ativado repetidamente, elevando hormônios como cortisol e adrenalina. Isso causa aumento da pressão arterial, inflamação das artérias e dano ao endotélio — a camada interna dos vasos sanguíneos — onde se desenvolve o entupimento que precede o infarto.

O coração não foi feito para viver em emergência permanente”, alerta o médico.

Como o estresse afeta diretamente o coração

Existem duas formas principais de impacto:

Reatividade crônica — leva a desgaste cardiovascular ao longo do tempo. A sobrecarga constante de hormônios do estresse eleva a pressão arterial e favorece inflamação e disfunção metabólica, condições associadas a maiores taxas de eventos cardíacos.

O corpo não entende discurso. Ele entende hormônio, descarga química”, reforça Dr. Adriano Faustino.

Gatilhos agudos — episódios intensos de estresse podem funcionar como um “estopim”. A descarga abrupta de adrenalina pode causar espasmo das artérias coronárias, elevar de forma súbita a pressão arterial e desencadear um infarto, especialmente em pessoas com artérias já fragilizadas.

Muitas vezes o infarto acontece depois de um choque emocional intenso, porque o coração já estava vulnerável”, explica o especialista.

Dados sobre doenças cardiovasculares e estresse

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil óbitos por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Embora fatores tradicionais como hipertensão, sedentarismo e tabagismo sejam amplamente conhecidos, cresce o reconhecimento do papel do estresse e da saúde mental na prevenção cardíaca.

Estudos epidemiológicos internacionais mostram que indivíduos com altos níveis de estresse apresentam risco significativamente maior de eventos cardiovasculares, incluindo infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). O estresse psicossocial é hoje reconhecido como um fator de risco relevante para doença arterial coronariana.

O coração não falha de repente. Ele se desgasta sob pressão constante até não suportar mais”, afirma Dr. Adriano Faustino.

Estresse e riscos associados confirmados pela ciência

Pesquisas sugerem que:

• Pessoas com estresse persistente apresentam maior probabilidade de desenvolver doença coronariana ao longo do tempo

• O estresse após um infarto está associado a maior risco de eventos cardíacos futuros

• A saúde mental — incluindo ansiedade e depressão — está fortemente conectada ao risco cardiovascular, influenciando processos inflamatórios e respostas hormonais.

Estresse normalizado: por que isso é perigoso

Um dos maiores desafios da prevenção é a normalização do estresse. Muitas pessoas convivem diariamente com pressão extrema e a encaram como algo inevitável.

“A pessoa diz que está só sob pressão, no limite, aguentando firme. Mas o corpo cobra”, observa Dr. Adriano Faustino.

O organismo não distingue estresse emocional de estresse físico. Em ambos os casos, há ativação hormonal capaz de desgastar o sistema cardiovascular.

Fatores que interagem com o estresse

O estresse também favorece comportamentos de risco que ampliam ainda mais o impacto no coração:

  • Tabagismo
  • Alimentação desequilibrada
  • Sedentarismo
  • Ganho excessivo de peso

Esses fatores, quando combinados ao estresse crônico, potencializam significativamente o risco de doenças cardiovasculares.

Prevenção começa pela gestão do estresse

Controlar o estresse não é luxo; é estratégia de prevenção cardiovascular. Técnicas de relaxamento, atividade física regular, sono adequado, acompanhamento psicológico e redução de fatores de risco comportamentais ajudam a diminuir a sobrecarga hormonal que afeta o coração.

“Tudo tem limite. O corpo sempre dá sinais antes de colapsar”, conclui Dr. Adriano Faustino.

Quem é Dr. Adriano Faustino

  • Médico graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG);
  • Diretor da Sociedade Brasileira de Medicina da Longevidade (SBML) e da Sociedade Brasileira de Medicina da Obesidade (SBEMO);
  • Coordenador do Ambulatório de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital Regional de Betim/MG;
  • Possui Formação em Geriatria, Nutrologia, Medicina Funcional, Fisiologia Hormonal e Oncologia Integrativa;
  • Possui título de Especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas;
  • Professor universitário nas áreas de Medicina Legal, Anatomia Médica, Primeiros Socorros e Legislação Médica;
  • Foi Professor de Pós-Graduação na Fundação Unimed e no Mestrado em Saúde da Faculdade de Direito Milton Campos (MG);
  • Desenvolvedor do Protocolo C.A.U.S.A. – Câncer, Autocuidado, Unidade, Saúde e Ação;
  • Idealizador do Programa Saúde Máxima e do Protocolo de Medicina Investigativa, já ajudou milhares de pacientes a transformarem suas vidas com diagnósticos precisos e abordagens terapêuticas baseadas em ciência de ponta, estilo de vida, alimentação e intervenções personalizadas;
  • Autor do livro Cientificamente Divino – Princípios bíblicos e científicos para uma saúde máxima.

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