5 de February de 2026
Entenda os principais motivos que levaram quase 9 milhões de brasileiros a pedirem demissão em 2025
Foto: Pressfoto/Freepik
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que, em 2025, quase 9 milhões de pessoas pediram demissão, número recorde no país.
Entenda os principais motivos que levaram quase 9 milhões de brasileiros a pedirem demissão em 2025
Foto: Pressfoto/Freepik

Trocar de emprego deixou de ser exceção e passou a fazer parte da estratégia de muitos trabalhadores brasileiros. Em um cenário de mais vagas disponíveis e mudanças na relação com o trabalho, pedir demissão tem sido, para muita gente, uma forma de buscar melhores salários, crescimento profissional e qualidade de vida.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que, em 2025, quase 9 milhões de pessoas pediram desligamento voluntário, número recorde no país. Para explicar o fenômeno, o Acorda Cidade ouviu o professor de administração da Faculdade Estácio, em Feira de Santana, Claudimir Matos Jr.

Segundo ele, o principal fator é o aquecimento do mercado de trabalho, que amplia o poder de escolha dos profissionais.

“Quando você tem esse aquecimento, você aumenta o poder de barganha do profissional. Quando você tem uma diminuição das ofertas de emprego, então aumenta o poder de barganha das empresas.”

Com mais oportunidades, o trabalhador passa a circular entre empresas em busca de melhores condições.

“Ele consegue ter uma maior oferta de vagas e, com isso, ele consegue, então, achar outras ofertas de emprego, alguma vaga que ele se sinta melhor observado, melhor plano de crescimento e, com isso, então, ele pede demissão para ir para outra empresa.”

O que pesa na decisão de pedir demissão

De acordo com o professor, o salário segue importante, mas deixou de ser o único fator decisivo. Ambiente, cultura e valores passaram a ter peso maior, especialmente após a pandemia.

“Pós pandemia, a própria questão do trabalho teve um significado para os trabalhadores. Então outros valores começaram a importar.”

Entre os motivos mais comuns para o pedido de desligamento estão problemas de gestão e o baixo salário.

Entenda os principais motivos que levaram quase 9 milhões de brasileiros a pedirem demissão em 2025
Claudimir Matos Jr | Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“Baixo salário, o ambiente tóxico, principalmente liderança, uma má liderança, aquela liderança autocrática que centraliza as informações e despreza os funcionários. Salários atrasados. É muito comum o trabalhador se endividar em empresas onde elas não pagam o salário. Então, ele pensa, olha, eu vou pagar para trabalhar. Então, essas situações são muito comuns.”

A geração Z também aparece como um elemento relevante nesse cenário, por apresentar menor disposição para permanecer longos períodos na mesma empresa.

“Essa é uma característica da nova geração, de não permanecer muito tempo nas empresas. O que ela vislumbra hoje é crescimento. Então, muitas vezes, não vê um crescimento, não vê uma projeção, não vê uma rentabilidade, ele parte para outra.”

Por outro lado, o professor defende a valorização dos profissionais mais experientes.

“O idoso experiente, eu chamo de ‘novo experiente’. Se você for analisar alguns postos de trabalho hoje, a maioria deles estão contratando pessoas com maior idade. Exatamente porque não tem essa rotatividade tão alta como a geração atual.”

Matos ainda reforça que a junção do novo com o experiente é uma grande chave para o sucesso.

Impacto para as empresas

Para as empresas, a alta rotatividade representa custos financeiros e perda de profissionais experientes.

“Isso vai impactar nas empresas, principalmente na questão de treinamento, na questão de novos colaboradores. Então isso vai permitir que a empresa tenha, de alguma forma, maior custo. Porque você vai ter dois pontos: a questão de você ter um custo financeiro, que é o custo da rescisão do trabalhador, e, ao mesmo tempo, o custo de você perder o empregado, muitas vezes, já capacitado”, destacou o professor ao Acorda Cidade.

Ele reforça que substituir um funcionário experiente não é algo imediato.

“Quando a empresa substitui um profissional experiente em qualquer área e coloca outro, por melhor que seja esse outro funcionário, não substitui à altura, de imediato. Você vai ter ali o que a gente chama de ‘curva de aprendizagem’ “, explicou o professor ao Acorda Cidade.

Áreas com maior demanda

De acordo com Claudimir, alguns setores seguem com forte demanda por profissionais, o que contribui diretamente para a mobilidade no mercado.

“TI, ciência de dados, as engenharias, educação, são as áreas que hoje nós temos uma demanda de profissionais que é muito pujante. A área de TI, tecnologia da informação, por exemplo, você tem muita oportunidade de home office.”

Ele destaca ainda a possibilidade de atuação para empresas estrangeiras.

“Muitas empresas estrangeiras também contratam pessoas. Muitas vezes você pode não imaginar, mas o seu vizinho pode estar trabalhando para uma empresa americana, europeia.”

Bons ventos

Com o mercado aquecido, a tendência é que a movimentação continue em 2026, por isso, é preciso oferecer ambientes de trabalho mais saudáveis, planos de carreira claros e valorização dos profissionais com quem se divide o dia a dia.

Ainda segundo o professor, ter por perto talentos exige mais do que salário, mas a remuneração ainda é muito importante, assim como outros benefícios.

“Primeiro ponto, o salário, os benefícios, que serão a primeiro modo aquele principal atrativo, mas além disso, outros benefícios como uma cultura organizacional, que seja atrativa no sentido de você captar aquele funcionário para ele se sentir à vontade na empresa e você ter benefícios além do salário. Tem empresas onde você pode levar o seu cachorro, você tem ticket de academia, você tem reuniões de desempenho, você tem PLR, a depender da empresa, bimestral, trimestral, semestral. Então você tem incentivo de aprendizagem, faculdade corporativa. É tornar aquela empresa um ecossistema onde o colaborador não vai somente ganhar o seu dinheiro, por assim dizer, mas vai também se desenvolver enquanto pessoa.”

Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade

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