

Durante a sessão desta quinta-feira (5), na Câmara Municipal de Feira de Santana, o presidente da Casa, vereador Marcos Lima (União Brasil), criticou os altos cachês pagos a artistas com recursos públicos e anunciou a elaboração de um projeto de lei para limitar esses valores. A declaração foi feita em entrevista ao Acorda Cidade.
Segundo o vereador, os valores cobrados por alguns artistas são incompatíveis com a realidade dos municípios. Vale relembrar que o prefeito José Ronaldo já havia rechaçado a ideia de pagar R$ 1 milhão ao cantor Bell Marques para se apresentar na Micareta deste ano.
A União dos Municípios da Bahia (UPB) também já começou a discutir a alta no cachê das bandas contratadas pelas prefeituras. Na última sexta (30), uma reunião do grupo debateu sobre o assunto na sede da unidade. Pelo menos representantes de municípios de seis estados defendem diálogo com órgãos de controle para preservar recursos públicos durante o São João.
“É uma preocupação nossa muito grande em relação aos cachês pago aqui na Bahia. Nós temos observado que tem artista que está cobrando aproximadamente um milhão e meio por 90 minutos de shows. Esse R$ 1,5 milhão vem dos cofres públicos das prefeituras, do governo do estado”, afirmou.
Marcos Lima disse que o dinheiro poderia ser investido em áreas essenciais e mais emergentes como saúde, educação, e infraestrutura . “Construção de novos postos de saúde, de escolas, estradas, calçamento”, pontuou.
O presidente da Câmara lembrou que o gasto vai além do cachê dos artistas, mas também há investimento em profissionais de outras áreas. “E não é só um milhão e meio que a prefeitura gasta com apenas um artista. Tem toda uma estrutura por fora que é investido, que é os palcos, que é a iluminação, que é a segurança”.
O vereador disse ainda que a proposta não tem o objetivo de desvalorizar os artistas, mas limitar um teto para pagamentos desses profissionais. “Não querendo desvalorizar fique bem claro aos artistas. Tem muitos atravessadores, que para poder chegar até o artista, esses valores já conseguiram passar por muitas outras mãos. Inclusive, a gente tem informação que tem artistas que não recebem nem a metade do cachê que foi cobrado. Então temos que ter cuidado com os recursos da cidade”.

“Você pagar 90 minutos que não vai favorecer de melhoria na vida das pessoas em nada. Onde a gente vê que precisa de creche, de melhoria na iluminação, na pavimentação dos bairros e se investir tanto para poder passar pouco tempo ali e depois que acabou, o dinheiro público, o horário público foi embora. Então há essa preocupação sim da Câmara Municipal, do vereador Marcos Lima e nós vamos trabalhar para impedir que esses recursos sejam jogados fora dessa maneira”, opinou o vereador, presidente da Casa da Cidadania.
Ainda de acordo com ele, o projeto está em fase de ajustes, mas será apresentado ainda no primeiro semestre.
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
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