

Durante o Carnaval, a combinação de longas horas em pé, dança intensa, deslocamentos prolongados e terrenos irregulares pode aumentar significativamente o risco de lesões no joelho. O período, marcado por excesso de estímulos físicos e pouco tempo de recuperação, exige atenção especial tanto de foliões quanto de profissionais que vivenciam a festa de forma intensa.
Segundo o ortopedista David Sadigursky, especialista em joelho e trauma do esporte, o aumento das queixas musculoesqueléticas após o Carnaval é recorrente nos consultórios. “O joelho é uma articulação de carga e movimento. Durante a folia, ele é submetido a impactos repetitivos, torções inesperadas e longos períodos de sustentação do peso corporal, muitas vezes sem preparo físico ou descanso adequado”, explica.
Entre os principais fatores de risco estão o uso de calçados inadequados, como sandálias sem amortecimento ou tênis desgastados, além da dança intensa em superfícies irregulares. “Essas condições favorecem microtraumas, sobrecarga da cartilagem, estresse em ligamentos e inflamação de tendões, especialmente em pessoas com histórico prévio de dor ou lesão no joelho”, destaca o médico.
Outro ponto de atenção é o cansaço progressivo ao longo do dia. À medida que a musculatura entra em fadiga, a capacidade de absorver impacto e controlar o movimento diminui. “Quando o músculo perde eficiência, o joelho fica mais vulnerável. Pequenos desvios ou torções, comuns em ambientes com grande circulação de pessoas, podem resultar em entorses, dores persistentes ou lesões mais significativas”, alerta David.
Cuidados redobrados para quem trabalha durante o Carnaval
Além dos foliões, o período exige atenção especial de profissionais que atuam diretamente na operação da festa. Organizadores de eventos, seguranças, policiais, músicos, vendedores ambulantes, animadores e jornalistas costumam enfrentar jornadas prolongadas, muitas horas em pé e pouco tempo de descanso, fatores que aumentam a sobrecarga sobre as articulações dos membros inferiores.
De acordo com David Sadigursky, o desgaste físico acumulado ao longo dos dias é um dos principais gatilhos para o surgimento de dores no joelho. “A combinação entre esforço repetitivo, sono insuficiente e alimentação irregular compromete a capacidade do corpo de se recuperar e manter a estabilidade articular”, explica.
O especialista reforça que medidas simples ajudam a reduzir o risco de lesões mesmo em rotinas intensas. “Manter uma boa hidratação, priorizar calçados confortáveis, fazer pausas sempre que possível e respeitar os sinais de cansaço do corpo são atitudes fundamentais para atravessar o Carnaval com mais segurança”, orienta.
Sobre David Sadigursky
David Sadigursky é ortopedista graduado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia, mestre em Cirurgia do Joelho pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorando pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP). Ele realizou fellowship em Doenças da Cartilagem e trauma esportivo na Harvard Medical School, em Boston, EUA, e em cirurgia ortopédica de artroplastia do joelho no Hospital CLINIC, em Barcelona, Espanha. Possui pós-graduação em Clínica da Dor pelo CTD e em Intervenção em Dor pela Universidade da Coreia, em Seul.
É membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) e da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE). Participa ativamente da Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Esporte (ISAKOS) e é membro associado das sociedades de dor e medicina regenerativa, como SBRET, SBED e SOBRAMID. Atualmente, é sócio da Clínica Omane e diretor do centro de estudos em terapias celulares.
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