

Tradicionalmente associada ao consumo de alimentos estragados — sobretudo no período de verão, quando as altas temperaturas favorecem a deterioração mais rápida dos alimentos — a diarreia pode ter outras causas. Além da contaminação hídrica e alimentar, a doença também pode estar relacionada a infecções como influenza, Covid-19, dengue e outros vírus respiratórios.
De acordo com o nutricionista da Vigilância Epidemiológica (Viep), Lázaro Melo, a diarreia não deve ser atribuída exclusivamente à alimentação. “Existe uma relação importante entre a diarreia e algumas viroses, assim como outras doenças que podem cursar com diarreia. A população costuma associar o quadro apenas à alimentação, mas essa não é sempre a causa”, explicou.
Conforme dados da Viep, a doença acomete com maior frequência crianças de 1 a 4 anos e pessoas acima dos 10 anos de idade. Segundo Lázaro Melo, a maior incidência entre crianças pequenas está diretamente relacionada ao comportamento típico dessa faixa etária. “Crianças de um a quatro anos costumam brincar no chão, engatinhar e levar as mãos e objetos à boca com frequência. Quando estão em ambientes contaminados ou em contato com alimentos e superfícies sem a higiene adequada, acabam se expondo mais ao risco de contaminação”, detalhou.
Ainda segundo o nutricionista, entre adolescentes e adultos, os casos estão mais associados ao consumo de alimentos e água fora de casa. “Nessas faixas etárias, a diarreia ocorre principalmente por contaminação de água e alimentos ingeridos fora do domicílio, muitas vezes sem as condições ideais de conservação e preparo”, acrescentou.
A maioria dos casos apresenta evolução leve e pode ser resolvida com ou sem tratamento medicamentoso. “Geralmente é uma doença autolimitada, que pode durar até 14 dias. O mais importante é manter a hidratação e observar os sintomas”, orienta Lázaro Melo.
Na maior parte das situações, o tratamento é realizado em domicílio, com monitoramento dos sinais clínicos. “São quadros leves, que não costumam apresentar desidratação significativa nem presença de sangue nas fezes. Os sintomas podem durar de um a três dias e, caso persistam por mais de 14 dias, a recomendação é procurar uma unidade de saúde”, acrescentou.
Virose gastrointestinal
No ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica, notificou 9.317 casos de diarreia aguda, com maior concentração na faixa etária acima de 10 anos.
Somente em janeiro de 2025, foram registrados 1.252 casos da doença. Já no primeiro mês deste ano, a Vigilância Epidemiológica notificou 769 casos de diarreia.
“Reforçamos a importância da prevenção, com cuidados na manipulação e conservação dos alimentos, consumo de água tratada, higienização das mãos e atenção aos sintomas gripais e gastrointestinais, principalmente em crianças e idosos”, pontuou o nutricionista.
As informações são da Secretaria de Comunicação Social de Feira de Santana (Secom)
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