

Durante o Carnaval, a ressaca costuma ser tratada como um efeito passageiro das festas. No entanto, segundo especialistas, ela pode representar um sinal claro de que o organismo está em sobrecarga. Náuseas, dor de cabeça, indisposição e fraqueza são respostas do corpo a processos inflamatórios e metabólicos desencadeados pelo consumo de álcool, especialmente quando associado ao calor intenso e à desidratação.
De acordo com o clínico da Hapvida, Rafael Catramby, o álcool deve ser encarado como um alerta à saúde quando os sintomas se tornam frequentes ou intensos. “O álcool é metabolizado no fígado e transformado em acetaldeído, uma substância tóxica, oxidativa e inflamatória. É justamente quando o teor alcoólico no sangue diminui que os sintomas clássicos da ressaca se instalam”, explica. Embora o fígado tenha alta capacidade de regeneração, o médico ressalta que isso depende da quantidade ingerida e, principalmente, do intervalo de recuperação entre as exposições.
O problema se agrava quando o consumo ocorre em dias consecutivos, algo comum durante este período. “Nesses casos, o fígado perde a capacidade de se recuperar entre os episódios, o que favorece o acúmulo de gordura nas células hepáticas e a manutenção de um estado inflamatório contínuo”, alerta o especialista. Mesmo pessoas jovens e sem doenças prévias podem apresentar alterações, aumentando o risco de evolução silenciosa para doenças hepáticas mais graves.
Além do fígado, o sistema gastrointestinal também sofre com os excessos. O álcool tem efeito irritativo direto sobre o estômago e o intestino, podendo desencadear ou agravar quadros de gastrite, refluxo, náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia. “O consumo repetido também está associado a maior risco de pancreatite aguda, uma condição potencialmente grave que, muitas vezes, exige hospitalização”, destaca Dr. Rafael.
Outro fator de risco importante no período é a desidratação. O álcool interfere na ação da vasopressina, hormônio responsável pelo equilíbrio hídrico, aumentando a perda de líquidos pela urina. “A desidratação pode levar à queda de pressão, tontura, fraqueza, confusão mental e alterações cardíacas”, afirma. Sinais como boca seca, redução do volume urinário, urina escura e taquicardia indicam que o corpo já está em sofrimento.
Outro ponto de atenção é a automedicação para aliviar os sintomas da ressaca. Segundo o especialista, o uso de analgésicos e anti-inflamatórios pode agravar o quadro. “O paracetamol associado ao álcool aumenta o risco de toxicidade hepática, enquanto os anti-inflamatórios podem causar lesões na mucosa gastrointestinal e sangramentos”, alerta. Já os antiácidos podem aliviar sintomas, mas não tratam a causa da ressaca e devem ser usados com cautela.
A orientação é procurar atendimento médico diante de sinais como vômitos persistentes, dor abdominal intensa, confusão mental, sonolência excessiva, dificuldade para manter-se desperto, icterícia ou sinais de desidratação grave. “Esses sintomas podem indicar complicações como hepatite alcoólica, pancreatite, sangramento gastrointestinal ou sofrimento hepático agudo”, reforça.
Para quem pretende curtir o Carnaval sem comprometer a saúde, a principal recomendação é moderação, hidratação adequada e atenção aos intervalos de descanso. “Identificar precocemente alterações orgânicas permite intervenções eficazes e, muitas vezes, reversíveis”, conclui o especialista.
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