

Mesmo no último dia oficial de Carnaval, a movimentação na Avenida Noide Cerqueira, em Feira de Santana, foi intensa nas primeiras horas da manhã de terça-feira (17), feriado da festa. O motivo não foi folia, mas sim a corrida de rua, prática que tem se consolidado como parte da rotina de muitos feirenses e refletido uma mudança no estilo de vida urbano. Ao longo do ano, diversas maratonas e eventos ligados à prática tem chamado atenção dos praticantes na região.
Segundo a maior pesquisa já realizada sobre a cultura da corrida no país, promovida pela Olímpicos, mais de 13 milhões de brasileiros declararam correr pelo menos uma vez por semana. Em Feira, o cenário confirma a tendência nacional.

Instrutor de um dos maiores grupos de corrida da cidade, Robson Santos atribuiu o crescimento da modalidade a fatores ligados à saúde física e mental.
“A gente vê os casos de ansiedade e depressão aumentando, então como o esporte agrega muito nessa perspectiva de estar reduzindo a ansiedade, a gente tem comprovação de que atua diretamente nos quadros de depressão e o esporte outdoor tem esse poder, eu acredito que essa inserção até após a pandemia mesmo, um período que todo mundo ficou restrito em casa fez com que tivesse essa ascensão da corrida, que o esporte outdoor, o próprio esporte em grupo, consegue fazer essa captação, essa interação em grupo e acaba ajudando o pessoal.”

Além dos benefícios na saúde mental, a corrida também é aliada de quem busca emagrecimento e condicionamento físico. Ao Acorda Cidade, Robson destacou, no entanto, a importância da associação com musculação.
“Sim, desde que associado à musculação que é importante a gente ter a preservação da musculatura, a gente tem como os principais parâmetros de saúde hoje, o VO2 máximo que é direcionado normalmente em maior proporção com treinos de corrida e a musculação para fazer o condicionamento físico na parte de manutenção muscular. Então, a associação da corrida com a musculação, acho que seja o casamento perfeito pensando em emagrecimento.”

Para quem está começando, a orientação é ter cautela e buscar acompanhamento profissional para evitar excessos. O ideal é fazer um check-up com um cardiologista para avaliar a saúde cardiovascular. Se a pessoa não tem hábito de praticar esporte aeróbico, como a corrida, a recomendação é iniciar com pequenas caminhadas e, à medida que for evoluindo, com os devidos cuidados e orientação profissional, avançar gradualmente até conseguir correr de forma contínua.
Sobre a frequência, o treinador orienta manter regularidade sem excessos. Os treinos podem durar entre uma hora e meia e duas horas, chegando a quatro ou cinco dias por semana, conforme a evolução. No mínimo, recomenda-se treinar dois dias para manter a continuidade e evitar longos intervalos.
Onde e quando correr
O grupo coordenado por Robson reúne atualmente entre 400 e 450 corredores, com treinos às terças, quintas e sábados, na própria Noide Cerqueira. Ele conta com o apoio de mais cinco professores para atender à demanda.

Superação e disciplina
Entre os corredores, a motivação vai além da estética. A advogada previdenciarista Larissa Alexandrino, que corre há três anos, afirma que começou em busca de performance física.
“Eu já treinava e aí quando começou os clubes de corrida me incentivou a começar a buscar mais saúde, a buscar mais questão mesmo de correr melhor e aí eu fui alcançando outras motivações. Comecei a correr 5km, 10km e aí por diante.”

Ela treina de três a quatro vezes por semana, pelo menos 9km por dia. “A gente fala que corrida é um esporte individual, porque a gente acaba correndo um treino individualizado mas estar em companhia estar com o grupo que lhe motiva estar com assessoria que lhe motiva a ir sempre mais é muito melhor.”

A empresária Beatriz Carvalho também investe na corrida. Para ela, o sentimento de superação que faz a diferença na busca pelo esporte. “Porque quando eu estou correndo eu sinto que se eu supero a dificuldade física, o desconforto, eu consigo superar também qualquer obstáculo na minha vida pessoal e profissional também”, relatou.
Já o professor Charles Mota, que atua na área de educação especial, destaca a disciplina como um dos principais ganhos. Ele já completou uma maratona de 42 quilômetros em Feira de Santana e acredita que a prova é, sobretudo, mental.
Charles, que é natural do interior, começou a correr sozinho na roça pelo menos duas vezes por semana. Na terça (17) mesmo, ele correu 12km, depois de deixar o Carnaval de Salvador, na segunda.
“Eu percebi que isso me autorregulava, eu tenho TDAH, então isso me ajuda. O importante é o ciclo de treinos e você seguir direitinho as planilhas que o seu professor passa. A maratona nada mais é do que um trabalho mental.”
Para ele, a corrida é essencial para a qualidade de vida. “A corrida nos mantém no foco, na disciplina. Então, de quebra, vem toda outra parte de fortalecimento. Então, você procura uma academia, você procura um pilates, uma liberação. Isso tudo vai organizando a nossa vida. Então, a saúde está muito alinhada a isso.”
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.


