

A mulher de 54 anos que havia sido atropelada por um motociclista no bairro Cidade Nova, em Feira de Santana, morreu após passar 10 dias internada no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA).
O motociclista, que realizava manobras proibidas, desobedeceu a uma ordem de parada da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e fugiu em alta velocidade. Rita foi atingida na Rua K, local onde morava, durante uma perseguição policial.
Segundo relato da família, a vítima sofreu uma grave pancada na cabeça, o que provocou traumatismo craniano, teve o pulmão perfurado e cinco costelas quebradas. Rita foi sepultada por volta das 16h de terça-feira (24), no Cemitério Jardim das Flores.
Uma família destruída
Em um relato extremamente emocionado, Dilma Pinheiro, irmã de Rita, contou que, há cerca de sete anos, ela também foi vítima de um atropelamento semelhante ao da irmã e que, desta vez, está muito mais abalada, pois o caso teve um desfecho trágico.

A mulher contou que estava sentada no passeio da própria casa, que fica próximo à Rua K, como normalmente faz no fim de todas as tardes, e que, após ouvir a sirene da viatura da polícia, percebeu que se tratava de uma perseguição policial.
“Ele passou na minha rua correndo. Eu gritei: ‘É ladrão’, e a PRF já vinha atrás dele. Então eu falei com meu vizinho que era ladrão. Fomos atrás para ver. Ele já tinha entrado no beco, então veio em direção para cá, e eu saí gritando: ‘Volta, volta’. Pensei: ‘Se ele entrar na rua de minha mãe, vai matar alguém’, e eu fui atropelada aqui do mesmo jeito”, disse.
Dilma contou à reportagem do Acorda Cidade que, após tomar conhecimento de que a perseguição havia acabado e que a polícia tinha capturado o motociclista, foi até a Rua K conferir a situação e, ao chegar lá, percebeu que ele havia atropelado uma pessoa.
“Quando eu pisei o pé na rua, eu avistei minha irmã já caída. Ela tinha ido lá em casa às 13h30. Eu falei: ‘Foi Rita’, e voltei para casa desesperada. Eu vi a poça de sangue embaixo dela. Ela ficou internada no Clériston. A pancada foi toda na cabeça, mas ela já tinha perfurado o pulmão, só que ele não queria falar com a gente”, disse.
“A médica chegou a dizer que o caso dela estava menos grave, mas eu questionava. Minha irmã perdeu muito sangue. Eu falava com a minha sobrinha mais velha: ‘Rita está ficando cada vez mais roxa, toda preta, e agora está com o pescoço todo duro’. A médica só falava que ela estava bem, mas, no meu coração, eu sabia que minha irmã não estava bem”, completou Dilma.
Marcas da tragédia
Iris Ferreira Pinto, de 79 anos, presenciou o atropelamento da própria filha. À reportagem do Acorda Cidade, a idosa contou que Rita estava do outro lado da Rua K, na mesma direção da residência onde morava, e que a vítima ficou assustada com a perseguição policial e tentou atravessar a pista em direção à casa.

“Ela estava varrendo e, quando saiu, que veio a zoada, ela gritou assim: ‘É ladrão’. Quando gritou ‘ladrão’, ele já estava quase se aproximando. Rita levantou para correr. Eu disse: ‘Ô Rita, não atravessa não’, mas ela veio para casa. Outra filha minha me agarrou, porque eu ia pegar ela, mas não consegui. Ele atropelou ela aqui e arremessou para cá”, disse.
Segundo a idosa, foi nesse momento que o motociclista atingiu Rita. Em mais um relato emocionado, Dona Iris, como é conhecida, contou que enfrenta uma verdadeira batalha após a perda de familiares em um curto intervalo de tempo.

“Eu perdi uma sobrinha, uma nora querida e agora minha filha, além de três irmãs no decorrer do tempo. Isso foi uma tragédia na família. Fiz 79 anos em outubro e estou aguentando isso tudo. Deus está me fortalecendo no meu coração”, disse Dona Iris.
Ouvindo o relato da própria mãe, Dilma afirmou que, além de lidar com mais uma perda familiar, busca força para dar apoio à Dona Iris.
“É muita dor. Eu sei que nada que a gente venha falar ou fazer vai trazer ela de volta, mas queremos justiça. O meu atropelamento ficou impune, mas o dela não vai ficar. Se o atropelador tem um coração bom, eu não sei. A mãe dele disse que ele tem um coração bom, mas eu disse: ‘Minha senhora, qualquer pessoa que corre da polícia está errada’. Meu coração está dilacerado”, finalizou Dilma.
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Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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