

De portas abertas para o público, em dois meses de funcionamento após a reinauguração, a Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva já recebeu mais de 3 mil visitas e emprestou mais de 700 livros. O equipamento localizado na Rua Geminiano Costa, no Centro de Feira de Santana, é uma verdadeira oportunidade de transformação de vidas por meio do conhecimento.
Inaugurada em 1966, a estrutura do centro cultural ficou fechada durante seis anos. A reforma teve início em 2019 e foi concluída em 2025. Modernizada, acolhedora, climatizada e com mais acessibilidade para pessoas com deficiência, atualmente a Biblioteca Municipal conta com um acervo com cerca de 15 mil livros físicos e 100 mil títulos digitais disponíveis.
A reportagem do Acorda Cidade foi conferir de perto como está o funcionamento do equipamento. Durante a entrevista, a diretora da unidade e chefe da Divisão Municipal de Bibliotecas, Maura Cedraz, detalhou os serviços oferecidos para a população, como salas de pesquisa, empréstimo, infantil e multiuso, alguns deles ainda entrarão em funcionamento.

“Hoje nós podemos contar com o infocentro, que a população chega e pode utilizar os computadores da própria biblioteca para pesquisa. Também temos agora a biblioteca virtual, que é a Tocalivros, com uma porcentagem em áudio para quem é deficiente visual. Temos uma sala direcionada ao 3D (tridimensional), direcionada à realidade virtual e pesquisa, nós estamos ainda em treinamento com o pessoal para poder dar acesso à comunidade”, explicou a diretora da Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva, que funciona de segunda-feira a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h às 17h.

Confira como estão todos os espaços da biblioteca:
A jovem estudante de Educação Física Larissa Vitória Leite, de 23 anos, frequenta o equipamento cultural há um mês. Ela conta que prefere estudar no local por conta da tranquilidade, longe das distrações de casa. “Eu consigo me focar melhor pela questão do silêncio, de ter livros por perto. Esse espaço é muito importante para fortalecer a educação em Feira de Santana”.

Maria Manoela está morando na Princesa do Sertão há pouco tempo e já está aproveitando a sala infantil para levar as filhas. Ela também aproveita para utilizar os livros e computadores da sala de pesquisa para seus estudos na área de Logística.

“É um ambiente que elas gostam muito, estar em contato com os livros. Um ambiente que proporciona conhecimento e lazer também, tanto para a criança quanto para os adultos”, reforçou a visitante.
Para ter acesso à Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva, basta chegar no horário de funcionamento. Já para utilizar os livros físicos e digitais, além do aparato disponível, é necessário realizar cadastro. Para fazer a carteirinha presencialmente, o usuário deverá levar carteira de identidade, Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), comprovante de residência e uma foto 3×4.

De acordo com Maura Cedraz, ações culturais estão sendo planejadas pela organização da instituição. Clubes do livro, projetos escolares e contação de histórias para crianças deverão movimentar ainda mais o espaço.
“A biblioteca não atua apenas como repositório de livros, mas como fomentadora da cultura e da educação. Ela é um órgão inclusivo onde o plano é justamente esse: trazer toda a parte cultural para dentro dela. Ao longo do tempo, implantar saraus de poesia, shows de hip-hop, tem espaço pra isso também”, afirmou a diretora.
Transformando gerações
Este ano, a Biblioteca Municipal Arnold Ferreira da Silva completa 60 anos e, durante estas décadas de funcionamento, se tornou um espaço multicultural que oportuniza a transformação social.
“Aqui garante-se não só ao jovem, mas a todo mundo que adentra, possibilidades de mudanças. Essa transformação só acontece quando a gente adquire o conhecimento, a instrução. Quando você desconhece algo, você se torna frágil e o conhecimento tem esse poder de te empoderar”, salientou a diretora.

Funcionária da biblioteca há mais de 19 anos, Maura testemunhou casos de superação e inspiração vivenciados na biblioteca.
“Teve um senhor aqui e ele disse que esse espaço mudou a história da família dele. Através dele e daqui, ele pôde se formar, fez o nível superior, começou a levar os irmãos, ele era o mais velho, e todos os irmãos foram”, relembrou.
O jovem Rafael Lima é outro exemplo de transformação. Morador do bairro Tomba, em Feira de Santana, em 2023 ele ganhou destaque na mídia nacional ao ser aprovado em Medicina na Universidade Estadual da Bahia (Uneb), após 28 tentativas de ingressar no sonhado curso.
Para atingir seu objetivo, Rafael lutou e perseverou. A Biblioteca Municipal fez parte desta trajetória. Durante muitos anos, ele percorreu aproximadamente 7 km de bicicleta para ir até o espaço para estudar.

“Por conta da dificuldade financeira, eu tive que ir e voltar de bicicleta, porque se eu fosse pagar a passagem todo dia, não dava. Eu levava meu almoço, o pessoal da biblioteca me recebia muito bem, deixava eu guardar o almoço, esquentava para mim e me abraçava de uma forma, dizendo que eu só iria sair de lá quando fosse aprovado, e eu precisava desse apoio emocional que recebi na Biblioteca Municipal”, disse o jovem ao Acorda Cidade em 2023.
“A gente vê pessoas que chegam aqui de manhã, quando abre, e saem à noite, quando a biblioteca fecha. Nós temos todo cuidado também com a comunidade que chega à biblioteca, a gente trata com afeto. Estamos sempre dispostos a dar uma resposta ao estudante. Ele chega, mas ele não sai sem resposta”, disse Maura.
O feirense Hemérito Gonçalves, hoje analista administrativo, visita a biblioteca há muito tempo, desde a adolescência, quando era estudante. Para ele, o investimento da prefeitura na reforma foi importante. “É um espaço democrático. Acho muito positivo por parte da administração municipal, está investindo em conhecimento e informação”.

Dona Lenilsa Rodrigues esteve na Biblioteca Municipal e disse ao Acorda Cidade que voltou no tempo. Relembrou quando estudava no Instituto de Educação Gastão Guimarães, há mais de 40 anos. “Achei lindo, está perfeito, um show de bola. Aqui era o lugar quando eu vinha pesquisar”, contou.

Ela é irmã do renomado jornalista e memorialista Adilson Simas (1947–2025), que recebeu uma homenagem dando nome ao memorial da biblioteca com acervo sobre a história da Princesa do Sertão.
A jovem estudante do terceiro ano do ensino médio, Yasmim Maria, foi com a avó Lenilsa conhecer o espaço. Ela pretende voltar mais vezes. “Quando eu cursar Direito, eu venho estudar aqui”, reforçou.
Veja o vídeo:
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