

A cidade de Seabra, na Chapada Diamantina, concentra neste início de março uma mobilização nacional voltada à prevenção do câncer colorretal. Médicos voluntários de diferentes estados participam do mutirão do Março Azul 2026, iniciativa dedicada ao rastreamento e diagnóstico precoce da doença. Entre os profissionais envolvidos está o médico feirense Victor Galvão, especialista em endoscopia intervencionista.

A ação prioriza a realização de colonoscopias e a ampliação do acesso a exames preventivos em uma região onde a oferta desse tipo de procedimento ainda é limitada. “Cada paciente atendido representa uma oportunidade concreta de intervir antes que a doença avance. É isso que move essa mobilização”, afirma o médico.
O câncer colorretal, que atinge o cólon e o reto, figura entre os principais desafios da saúde pública. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica indicam que a doença provoca cerca de 900 mil mortes por ano no mundo, ficando atrás apenas do câncer de pulmão. No Brasil, é o segundo tipo de câncer mais frequente entre homens e mulheres, com aproximadamente 45.630 novos casos anuais. Projeções do 9º volume do boletim da Fundação do Câncer apontam crescimento de 36,3% na mortalidade nos próximos 15 anos. Entre os homens, o aumento pode chegar a 35% até 2040; entre as mulheres, a 37,63%.
Apesar do cenário preocupante, o diagnóstico precoce altera de forma significativa as perspectivas do paciente. Quando identificado em estágio inicial, o câncer colorretal apresenta taxa de cura superior a 90%.
Membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia, Victor Galvão reforça que a doença costuma evoluir de forma silenciosa. “Nos estágios iniciais, o câncer de intestino geralmente não provoca sintomas. A colonoscopia é fundamental porque permite identificar e remover pólipos, que são lesões precursoras e podem se transformar em câncer ao longo dos anos”, explica.

A escolha de Seabra como sede da edição de 2026 leva em conta critérios estratégicos, especialmente a necessidade de ampliar o acesso ao rastreamento. O mutirão envolve parceria com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, a Prefeitura de Seabra e instituições apoiadoras, incluindo equipes médicas e de enfermagem especializadas.

Além das colonoscopias, a programação contempla testes de sangue oculto nas fezes e avaliação clínica completa. A expectativa é realizar centenas de exames durante a ação, ampliando o diagnóstico de lesões iniciais e reduzindo o número de casos detectados em fase avançada.
“Prevenir é agir. Quando levamos informação, estrutura e atendimento qualificado à população, transformamos estatísticas em histórias de cuidado e proteção à vida”, conclui Victor Galvão.
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