5 de March de 2026
Hospital Regional da Chapada
Foto: Reprodução/ Sesab
Essa iniciativa tem como objetivo chamar a atenção das pessoas sobre a conscientização e prevenção do câncer de intestino ou colorretal.
Hospital Regional da Chapada
Foto: Reprodução/ Sesab

Além de ser o mês das campanhas de combate ao câncer de colo do útero e conscientização sobre a endometriose, o mês de março também é dedicado à prevenção do câncer colorretal. Com o Março Azul-Marinho, o município de Seabra recebe o Mutirão Nacional do Março Azul 2026, entre os dias 1º e 6 de março no Hospital Regional da Chapada (HRC).

Em entrevista ao Acorda Cidade, o médico Victor Galvão, especialista em endoscopia intervencionista, falou sobre a campanha e a importância da prevenção. De acordo com o médico, essa iniciativa tem como objetivo chamar a atenção das pessoas sobre a conscientização e prevenção do câncer de intestino ou colorretal, que inclui intestino grosso e de reto. 

Além disso, Galvão explicou que o Março Azul chegou no Brasil através do médico Marcelo Averbach, do Hospital Sírio-Libanês, em conjunto com outros profissionais da área que compõem a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed). Em seguida, a Sociedade de Coloproctologia e a Federação Brasileira de Gastroenterologia também passaram a integrar a campanha. 

Hoje a iniciativa é dessas três sociedades médicas, para chamar atenção para prevenção desse câncer que já é o segundo que mais frequente em homens e mulheres no Brasil e o segundo que mais mata. Mas o mais importante, é que ele é completamente evitável, completamente prevenível com exames de rastreamento. Dentre todos os cânceres, o câncer de colo de útero na mulher e o câncer de intestino são os únicos que você consegue prevenir e evitar que aconteça com exames”.

Dados de câncer colorretal
Foto: Reprodução

“Os outros todos têm um diagnóstico precoce. O próprio câncer colorretal tem também um diagnóstico mais cedo que dá bons resultados de tratamento e cura. Mas o de intestino você consegue evitar encontrando lesões que são pólipos. E esses pólipos são silenciosos. Então, por isso, o paciente, mesmo sem sintoma nenhum, deve fazer o exame de rastreamento. Se localizando esses pólipos e retirando, o paciente não vai ter o câncer”. 

Como funciona o processo

Os exames começam após um agente comunitário entregar os kits de sangue oculto aos pacientes de idades entre 45 e 75 anos. Os pacientes então retornam com o teste para que o laboratório parceiro faça a leitura dos resultados.

Com isso, o resultado volta para o paciente, que é convocado para realizar a colonoscopia e receberá o preparo para o exame, que também é doação e vem de uma indústria de medicação. 

Então o exame é agendado e o paciente faz o preparo e se deslocar para o hospital com um acompanhante, onde serão acolhidos e passarão por uma entrevista. Além de ser realizado o acesso venoso e serem guiados para a sala pré-exame, que é dividida em masculina e feminina. 

“Quando chegar a hora o paciente, vai para a maca, vem fazer o exame e retorna para a recuperação anestésica. Uma vez acordado, bem acordado com critérios de alta, ele vai receber alta com o seu laudo, a sua orientação e com o acompanhante também. E essa ação não se preocupa só com fazer o exame. Toda a linha de cuidado, do pré até o pós, é garantida”.

Os pacientes que receberem o diagnóstico de câncer colorretal serão indicados para tratamento em hospitais como o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) e Unacon, em Feira de Santana, ou Hospital Aristides Maltez, Hospital Geral Roberto Santos e Hospital Santa Izabel, em Salvador. 

Feira de Santana passa a contar com serviço de endoscopia avançada voltado ao diagnóstico precoce pelo SUS
Victor Galvão, médico – Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

O médico Victor Galvão também afirmou que essa ação deixa um legado positivo por onde passa, pois existe uma indicação de que Seabra será contemplada com exames de colonoscopia, o que ampliará essa campanha e pode continuar acontecendo após o fim do mutirão. 

“A colonoscopia é diagnóstica e prevenção ao mesmo tempo, e salva vidas. O câncer de cólon é, quando descoberto no início, 90% dele é curado. Então aquele receio que a gente tem, que alguns pacientes têm de colonoscopia não deve ser superior maior do que a vontade de viver o cuidado com a vida”. 

Sobre os exames e escolha de Seabra como sede

Um dos exames de rastreamento citado por Victor Galvão é a colonoscopia, que tem maior capacidade de fazer o diagnóstico, pois detecta a lesão e dá ao médico a oportunidade de retirar aqueles pólipos. 

Mas como nem todo mundo tem acesso à colonoscopia, existem também alguns testes de sangue oculto nas fezes, em que vai detectar hemácia e hemoglobina humana nas fezes de maneira microscópica. E isso leva a uma chance aumentada desse paciente ter pólipo, é como se fosse uma peneira. Como nem todo mundo, a partir dos 45 anos, vai ter acesso à colonoscopia, nós fazemos então o sangue oculto. Em sangue oculto dá positivo, esse paciente, sim vai para a colonoscopia com uma chance maior de ter pólipo, e não é que o paciente tenha câncer, não é isso. Mas tem uma chance um pouco aumentada, como se fosse uma peneira, um filtro”. 

O município de Seabra foi escolhido para sediar essa ação social com base no acesso que a população tem à colonoscopia e onde essa ação pode ter maior impacto. Essa é a sexta edição do Mutirão Nacional do Março Azul, que começou em Pilar, Alagoas, e seguiu em Piranhas, também em Alagoas. Seabra é a segunda cidade da Bahia a receber essa campanha, a primeira foi Cairu. 

Geralmente são cidades que têm algumas características, além de ter um acesso difícil ao exame, seja por barreiras geográficas ou qualquer outra barreira, são populações com mais ou menos 50 mil habitantes, onde nós conseguimos calcular qual é a população de 45 a 75 anos, como que em uma semana nós possamos promover o rastreamento, oferecer o rastreamento àquela população. Então, é tudo muito organizado e calculado para que a ação seja efetiva”.

mutirão endoscopia feira de Santana
Vitor Galvão, coordenador da equipe de endoscopia do Hospital Dom Pedro | Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

O mutirão em Seabra

O médico também informou que o processo segue com os pacientes nessa faixa etária, que ao realizarem o exame de sangue oculto, a equipe responsável pela ação irá calcular com base na positividade e saber quantas colonoscopias serão feitas. 

De acordo com Galvão, o mutirão em Seabra tem sido o mais efetivo dos seis, pois o recorde era de cerca de 2 mil kits de sangue oculto em Goiás. Até então, foram distribuídos mais de 6 mil kits de sangue oculto, e a expectativa é de que sejam realizados entre 500 e 600 exames em Seabra, o que pode fazer com que a ação seja a maior desse tipo da América Latina.

Tudo está transcorrendo muito bem certo. Eu estou como responsável técnico do evento e um dos organizadores da comissão local, que compõe também o doutor Sylon Ribeiro, doutor Victor Rossi e doutora Mayara Maraux. Somos nós quatro da organização local e da regional veio a doutora Eduarda Tebet e o professor Eduardo Moura, que é o presidente da Sobed. Então é uma ação muito bonita, muito grande. A escolha foi por isso, Seabra é o centro geográfico da Bahia é o coração, é considerada a capital da Chapada e a expectativa é muito boa e é um esforço coletivo muito grande que tem dado resultado”. 

Como funciona a ação

Sobre o que consiste esse mutirão, o médico explicou que a comissão é tri societária, então após a escolha da cidade, a comissão entra em contato com as autoridades para falar sobre a campanha e oferecer a ação. 

“Então nós buscamos o apoio da Prefeitura de Seabra, da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, a Sesab, apoiou a gente desde o início. A doutora Roberta (secretária de saúde), ainda no março azul do ano passado, como em possibilidade de voltar à Bahia, fizemos um contato extraoficial e ela prontamente se colocou à disposição, então isso para a gente foi uma coisa bastante legal, que deu um incentivo para que a gente começasse”.

Hospital Regional da Chapada
Foto: Reprodução/ Sesab

Posterior a isso, são feitas visitas técnicas ao hospital que pode sediar a ação, nesse caso o Hospital Regional da Chapada, que é gerido pela Fundação Fabamed, para checar a estrutura do local. O médico destacou que foi feita uma pequena reforma em uma das alas, para fazer uma desinfecção de alto padrão. 

“Consiste na organização da saúde do local, do município, em relação a treinamento e capacitação dos agentes para levar a informação da população. E existe também essa adaptação da estrutura do hospital que vai sediar, do local que vai sediar a ação e estabelecemos todos os fluxos, processos e protocolos baseados no que tem de melhor, respeitando todas as regras da vigilância”.

Atrelado a isso, há um contato com as indústrias parceiras que serão responsáveis por trazer os equipamentos, pois o mutirão não faz uso dos materiais do hospital.

“Esse ano tivemos cinco marcas diferentes de aparelho. Todos os exames são feitos com gás carbônico, que é mais moderno. O paciente tem menos dor, menos complicação pós-exame, menos incômodo pós-exame. Bisturis elétricos inteligentes. Então, tudo isso é trazido pela indústria. Acessórios de endoscopia a indústria também traz. Então, são vários parceiros envolvidos nessa ação, que é gigante”. 

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