

Nesta sexta-feira (6), os Coletivos Bahia pela Paz – Feira de Santana realizaram o evento Trilha do Cuidado – Ciclo Formativo dos Coletivos Bahia pela Paz – Interior do Estado, OAB Subseção Feira de Santana.
Com o tema “Violência doméstica e familiar: direito das mulheres e estratégias de articulação em rede”, a palestra teve como objetivo dialogar sobre o enfrentamento à violência doméstica e familiar, com foco nos direitos das mulheres.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o coordenador geral dos Coletivos Bahia pela Paz, Frank Ribeiro, disse que um dos princípios do centro é fazer formação, e por isso, esse evento, que é o primeiro, está acontecendo.
“A gente está fazendo aqui em parceria com a OAB de Feira de Santana. E o objetivo é que mensalmente a gente se encontre com os serviços da rede, Cras, Creas, a Polícia Militar, lideranças comunitárias, para que a gente discuta um tema e aperfeiçoe a nossa prática no dia a dia para melhor servir a comunidade. Como primeiro tema, a gente está tratando da violência doméstica e familiar contra as mulheres”.

De acordo com ele, é importante discutir esse assunto pois a violência contra a mulher tem crescido cada vez mais. Além disso, destacou que o coletivo conta com um núcleo de acompanhamento familiar para famílias que estão em contexto de vulnerabilidade.
“Então não é estranho a gente encontrar todo tipo de violência, patrimonial, física. Hoje a gente está contando com a participação de Tainara Souza, que é uma especialista no tema, justamente para que a gente possa trazer essas questões que a gente tem encontrado, ouvir os parceiros da rede e fortalecer essa rede de cuidado que a gente tem aqui no território”.
Avanços e parceira com outras instituições
Sobre os avanços quanto à defesa dos direitos das mulheres, o coordenador salientou que a Lei Maria da Penha é um marco no Brasil. Assim como iniciativas feitas pelas Secretarias da Mulher, como “Oxe, Me Respeite! Nas Escolas”, e a Ronda Maria da Penha, feita pela Polícia Militar.

“Existe sim um arcabouço de ações públicas para o cuidado com as mulheres. Mas a importância disso é a gente fortalecer isso e compreender essa rede”.
Frank Ribeiro também abordou como as instituições podem se articular para enfrentar a violência doméstica. Segundo ele, a comunicação entre as redes é importante para que as instituições saibam dos trabalhos feitos.
“Aqui é uma oportunidade da gente trocar contatos, conhecer o que cada um está fazendo, um ajudar o outro e fortalecer esse cuidado. Então por isso que esse evento, que não é pontual, é o que a gente vai fazer de forma contínua ao longo do ano, é muito importante”.
Quanto à parceria com os Cras (Centro de Referência de Assistência Social) e Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), Frank Ribeiro disse que não se trata exclusivamente de uma questão de mulheres, mas sim da sociedade.
“Então todo e qualquer órgão tem que estar disposto a discutir, aprimorar a sua prática. Para que efetivamente a gente consiga dirimir a questão da violência contra as mulheres”.
Por fim, o coordenador dos Coletivos Bahia pela Paz afirmou que a presença de um capitão nas escolas é fundamental para a proteção e evitar que certas situações aconteçam.
“Um outro exemplo muito comum é, por exemplo, 20 anos atrás, talvez estivesse aqui fumando um cigarro e ninguém dissesse nada, com lei e educação, a gente superou essa questão. A questão da violência vai no mesmo caminho, com lei, com educação, a gente vai superando isso. Então, essa pauta na escola também é muito importante”.
Presença da OAB
A advogada e presidente da OAB Subseção Feira de Santana, Lorena Peixoto também esteve presente no evento. Segundo ela, a OAB não apenas dá apoio a essa iniciativa, mas também faz parte desse movimento.
“Nós estamos fazendo parte desse movimento, conclamando todos os órgãos e instituições a também fazer parte dessa Bahia pela Paz, que nada mais é do que um processo de conscientização também, de unir forças para estarmos levando temáticas de cunho social, familiar e jurídico para um processo de capacitação e mudança de cultura”.

Além disso, ressaltou que violência doméstica é um tema relevante e necessário, pois assola a sociedade brasileira, e muitas mulheres sofrem dessa realidade. “Faz-se necessário mudar essa cultura, levar a conscientização à sociedade e empoderar a mulher para que ela possa romper esse ciclo”.
De acordo com Lorena Peixoto, essa capacitação tem como objetivo envolver toda a rede de apoio à mulher, para que cada vez mais pessoas, órgãos e instituições façam parte desse movimento.
Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade
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