7 de March de 2026
Thainara dos Santos
Foto: Reprodução/Redes Sociais
O julgamento do caso de Tainara está marcado para as 9h, no Fórum Augusto Teixeira de Freitas, no município de Cachoeira.
Thainara dos Santos
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O caso da jovem quilombola Tainara dos Santos, desaparecida desde outubro de 2024, será levado a júri popular no próximo dia 12 de março. O julgamento está marcado para as 9h, no Fórum Augusto Teixeira de Freitas, no município de Cachoeira.

Segundo o Odara – Instituto da Mulher Negra, que acompanha e assessora o caso, o crime é tratado como feminicídio mesmo sem a localização do corpo da vítima. O principal suspeito é o ex-companheiro de Tainara, que permanece preso preventivamente.

Tainara tinha 27 anos, era trancista e morava na comunidade quilombola de Acutinga Motecho, localizada no território da Bacia do Iguape, em Cachoeira. Mãe de duas meninas, de 11 e 2 anos, ela era conhecida na comunidade pelo envolvimento em atividades de cuidado com mulheres e crianças.

Relembre o caso

De acordo com as investigações, no dia 9 de outubro de 2024, Tainara saiu de casa para se encontrar com o ex-companheiro, com quem mantinha um relacionamento marcado por episódios de violência. A última vez que foi vista foi no porto da cidade, acompanhada por ele e outros homens que ainda não foram identificados.

Durante as investigações, o suspeito apresentou três versões diferentes sobre o que teria ocorrido naquele dia. Desde então, o corpo da jovem não foi encontrado e não há informações conclusivas sobre o seu paradeiro.

O julgamento estava inicialmente previsto para dezembro de 2025, mas foi adiado para março deste ano. Para familiares e entidades que acompanham o caso, o adiamento prolonga a espera por respostas e justiça.

Em abril de 2025, a justiça reconheceu o caso como feminicídio sem corpo.

Violência contra a mulher é crime!

Segundo o Odara, o assassinato de Tainara ocorre em um contexto de crescimento da violência contra mulheres no Brasil. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o país registrou recorde de feminicídios em 2025, com 1.470 casos entre janeiro e dezembro. Em 2024, haviam sido contabilizados 1.464 registros, que até então representavam o maior número da série histórica. Os números indicam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia no ano passado.

Entre mulheres quilombolas, a situação é considerada ainda mais grave. Um levantamento da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas mostra que o feminicídio foi a segunda principal causa de mortes entre pessoas quilombolas no país entre 2018 e 2022, representando 31,25% dos casos, atrás apenas dos assassinatos relacionados a conflitos fundiários.

O caso de Tainara recebe acompanhamento jurídico e social do Instituto Odara e da organização TamoJuntas, que oferecem assistência multidisciplinar gratuita a mulheres vítimas de violência e familiares.

Leia também: Justiça reconhece feminicídio no caso Tainara dos Santos: passo importante na luta por justiça e contra a violência de gênero

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