10 de March de 2026
Inchaço nas pernas pode ser lipedema ou linfedema: saiba como identificar
Foto: Divulgação
Uma das características da doença é a distribuição simétrica da gordura nos membros inferiores, geralmente poupando mãos e pés.
Inchaço nas pernas pode ser lipedema ou linfedema: saiba como identificar
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Sensação constante de peso nas pernas, inchaço persistente e dificuldade para reduzir medidas mesmo com dieta e exercício são queixas comuns em consultórios e que podem ter diferentes causas. Entre elas, duas condições frequentemente confundidas são o lipedema e o linfedema. Apesar de terem nomes semelhantes e afetarem principalmente os membros inferiores, as doenças têm origens distintas e exigem abordagens específicas de diagnóstico e tratamento.

De acordo com a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, especialista no tratamento do lipedema, compreender as diferenças entre essas condições é fundamental para evitar diagnósticos equivocados e garantir um manejo adequado dos sintomas.

“O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Já o linfedema está relacionado a uma alteração no sistema linfático, que provoca o acúmulo de líquido nos tecidos e causa inchaço persistente”, explica.

Segundo a Dra. Mariana, o lipedema afeta predominantemente mulheres e costuma surgir ou se agravar em fases de mudanças hormonais, como puberdade, gravidez ou menopausa. Entre os fatores associados estão predisposição genética, alterações hormonais e possíveis mudanças na microcirculação.

Uma das características mais marcantes da doença é a distribuição simétrica da gordura nos membros inferiores, geralmente poupando mãos e pés. Além da alteração estética, muitas pacientes relatam sintomas físicos como dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso nas pernas, cansaço e aparecimento frequente de hematomas.

Inchaço nas pernas pode ser lipedema ou linfedema: saiba como identificar
Mariana Milazzotto | Foto: Divulgação

“O lipedema não deve ser confundido com obesidade comum. Muitas mulheres mantêm hábitos saudáveis e, ainda assim, apresentam dificuldade para reduzir esse acúmulo de gordura apenas com dieta e exercício”, afirma a Dra. Mariana.

Já o linfedema tem uma origem diferente. A doença ocorre quando o sistema linfático não consegue drenar adequadamente a linfa, um líquido rico em proteínas que circula pelo organismo, levando ao acúmulo desse fluido nos tecidos.

O problema pode ser classificado como primário, quando surge devido a alterações congênitas no sistema linfático, ou secundário, quando aparece após cirurgias, infecções, traumas ou tratamentos como a radioterapia.

Ao contrário do lipedema, o linfedema pode afetar homens e mulheres e costuma envolver também os pés ou as mãos. O inchaço tende a ser persistente, podendo ocorrer de forma assimétrica e, em estágios mais avançados, a pele pode apresentar endurecimento.

Para diferenciar as condições, o diagnóstico clínico é considerado fundamental. No caso do lipedema, os profissionais avaliam o histórico do paciente, o padrão de distribuição da gordura, a presença de dor e sensibilidade e a preservação das mãos e dos pés. Exames complementares podem auxiliar na avaliação do tecido subcutâneo e na exclusão de outras doenças.

No linfedema, além do exame físico, testes específicos podem ajudar na identificação da condição, assim como exames de imagem que avaliam o funcionamento do sistema linfático.

O tratamento também varia de acordo com o diagnóstico. Para o lipedema, as estratégias incluem mudanças no estilo de vida, alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos orientados, drenagem linfática manual e uso de terapias compressivas. Em alguns casos selecionados, pode ser indicada cirurgia com técnica específica de lipoaspiração voltada ao tratamento da doença.

Já no linfedema, o tratamento geralmente envolve a chamada terapia descongestiva, considerada padrão no manejo da condição. O protocolo inclui drenagem linfática, compressão com bandagens ou malhas elásticas, exercícios específicos e cuidados com a pele para prevenir infecções.

“A identificação precoce faz toda a diferença para controlar a progressão dos sintomas e preservar a funcionalidade do paciente”, ressalta a Dra. Mariana Milazzotto.

A especialista também destaca que a alimentação equilibrada pode contribuir para o controle das duas condições. Embora nenhuma dieta seja capaz de curar lipedema ou linfedema, hábitos alimentares saudáveis ajudam a reduzir processos inflamatórios, controlar o peso corporal e favorecer o funcionamento do sistema vascular e linfático.

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