10 de March de 2026
Feirantes da Marechal Deodoro realizam café da manhã em homenagem às mulheres trabalhadoras
Foto: Paulo José/Acorda Cidade
Além da confraternização, o encontro também abriu espaço para discussões sobre as condições de trabalho das feirantes.
Feirantes da Marechal Deodoro realizam café da manhã em homenagem às mulheres trabalhadoras
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Pela primeira vez, as trabalhadoras e os trabalhadores da feira livre da Marechal Deodoro promovem uma celebração especial pelo mês da mulher em Feira de Santana. A iniciativa busca homenagear todas as mulheres trabalhadoras do município, especialmente feirantes, ambulantes, artesãs e camelôs que atuam diariamente nas feiras da cidade.

A atividade aconteceu nesta terça-feira (10), com a realização de um café da manhã coletivo organizado pelos próprios feirantes. A programação integra as ações alusivas ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo (8).

Feirantes da Marechal Deodoro realizam café da manhã em homenagem às mulheres trabalhadoras
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Segundo a presidente da Associação de Trabalhadores e Trabalhadoras da Feira Livre da Marechal, Edneide Ribeiro, a iniciativa tem como objetivo valorizar o trabalho feminino e reforçar a importância da luta histórica das mulheres.

“Pela primeira vez a gente está fazendo para celebrar a passagem do Dia das Mulheres e também reforçar ainda mais a nossa luta, que o dia da mulher, na verdade, se deu por conta da luta das mulheres revolucionárias, então a gente permanece aqui nessa luta.”

Diariamente, existem 270 feirantes na Marechal. De acordo com Edneide, desse número, 80% são mulheres.

Café recheado para mulheres de luta especiais

O café da manhã contou com diversos alimentos preparados pelos próprios trabalhadores da feira, como lelê, rosquinhas, o tradicional pãozinho com manteiga, batata-doce cozida, banana da terra, bolos, o tradicional pãozinho com manteiga, além de sopa, caldo de aipim e salada de frutas. Como de costume nos eventos promovidos pela associação, não pode faltar o tradicional chá do Zé, do quilombo Candeal II, direto do distrito de Matinha.

Feirantes da Marechal Deodoro realizam café da manhã em homenagem às mulheres trabalhadoras
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Entre as feirantes homenageadas estava Terezinha dos Santos Ribeiro, de 82 anos, que trabalha há décadas no local, construiu sua história, criou seus filhos e ainda passou a profissão de mãe para as filhas. “Criei oito filhos aqui na Marechal, estou com 82 anos mantendo aqui da feira da Marechal.”

Sobre a homenagem, ela completou: “É muita alegria, muita consideração e respeito às mulheres que merecem. Só que as coisas hoje estão muito diferentes, mas a gente vai levando devagar e a vida continua.”

Com produtos direto da roça de Humildes, Terezinha vende um pouco de tudo: frutas, verduras. Ela conta que todos os dias chega cedo. A partir das 7h, já está tudo montado para atender os clientes.

Feirantes da Marechal Deodoro realizam café da manhã em homenagem às mulheres trabalhadoras
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

A luta por direitos continua

Além da confraternização, o encontro também abriu espaço para discussões sobre as condições de trabalho das feirantes e pautas sociais relacionadas às mulheres.

A militante do movimento negro, Urânia Santa Bárbara, reforçou que o evento é um espaço de acolhimento às trabalhadoras, mas também é o momento de trazer essas pautas importantes.

“É de fundamental importância a gente estar aqui com essas mulheres pensando na questão da violência, da estrutura das feirantes que estão aqui e principalmente pautando também, no nosso caso, o movimento negro, a questão racial e das mulheres negras.”

Feirantes da Marechal Deodoro realizam café da manhã em homenagem às mulheres trabalhadoras
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

A feirante Elisete dos Santos, que atua há mais de 40 anos na Marechal Deodoro ao lado da mãe Terezinha e da irmã, Edneide, também participou do encontro e destacou a necessidade de melhorias na estrutura para quem trabalha no local.

Ela cobrou a entrega das barracas padronizadas que ainda não chegaram para as trabalhadoras e cobrou a instalação de um banheiro para trazer mais segurança para elas.

Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade

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