

Pela primeira vez, as trabalhadoras e os trabalhadores da feira livre da Marechal Deodoro promovem uma celebração especial pelo mês da mulher em Feira de Santana. A iniciativa busca homenagear todas as mulheres trabalhadoras do município, especialmente feirantes, ambulantes, artesãs e camelôs que atuam diariamente nas feiras da cidade.
A atividade aconteceu nesta terça-feira (10), com a realização de um café da manhã coletivo organizado pelos próprios feirantes. A programação integra as ações alusivas ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo (8).

Segundo a presidente da Associação de Trabalhadores e Trabalhadoras da Feira Livre da Marechal, Edneide Ribeiro, a iniciativa tem como objetivo valorizar o trabalho feminino e reforçar a importância da luta histórica das mulheres.
“Pela primeira vez a gente está fazendo para celebrar a passagem do Dia das Mulheres e também reforçar ainda mais a nossa luta, que o dia da mulher, na verdade, se deu por conta da luta das mulheres revolucionárias, então a gente permanece aqui nessa luta.”
Diariamente, existem 270 feirantes na Marechal. De acordo com Edneide, desse número, 80% são mulheres.
Café recheado para mulheres de luta especiais
O café da manhã contou com diversos alimentos preparados pelos próprios trabalhadores da feira, como lelê, rosquinhas, o tradicional pãozinho com manteiga, batata-doce cozida, banana da terra, bolos, o tradicional pãozinho com manteiga, além de sopa, caldo de aipim e salada de frutas. Como de costume nos eventos promovidos pela associação, não pode faltar o tradicional chá do Zé, do quilombo Candeal II, direto do distrito de Matinha.

Entre as feirantes homenageadas estava Terezinha dos Santos Ribeiro, de 82 anos, que trabalha há décadas no local, construiu sua história, criou seus filhos e ainda passou a profissão de mãe para as filhas. “Criei oito filhos aqui na Marechal, estou com 82 anos mantendo aqui da feira da Marechal.”
Sobre a homenagem, ela completou: “É muita alegria, muita consideração e respeito às mulheres que merecem. Só que as coisas hoje estão muito diferentes, mas a gente vai levando devagar e a vida continua.”
Com produtos direto da roça de Humildes, Terezinha vende um pouco de tudo: frutas, verduras. Ela conta que todos os dias chega cedo. A partir das 7h, já está tudo montado para atender os clientes.

A luta por direitos continua
Além da confraternização, o encontro também abriu espaço para discussões sobre as condições de trabalho das feirantes e pautas sociais relacionadas às mulheres.
A militante do movimento negro, Urânia Santa Bárbara, reforçou que o evento é um espaço de acolhimento às trabalhadoras, mas também é o momento de trazer essas pautas importantes.
“É de fundamental importância a gente estar aqui com essas mulheres pensando na questão da violência, da estrutura das feirantes que estão aqui e principalmente pautando também, no nosso caso, o movimento negro, a questão racial e das mulheres negras.”

A feirante Elisete dos Santos, que atua há mais de 40 anos na Marechal Deodoro ao lado da mãe Terezinha e da irmã, Edneide, também participou do encontro e destacou a necessidade de melhorias na estrutura para quem trabalha no local.
Ela cobrou a entrega das barracas padronizadas que ainda não chegaram para as trabalhadoras e cobrou a instalação de um banheiro para trazer mais segurança para elas.
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
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