

A permanência dos fotógrafos no tradicional ponto do Lambe-Lambe, na Praça Bernardino Bahia, em Feira de Santana, foi um dos encaminhamentos discutidos durante reunião realizada na manhã da última sexta (6) entre o prefeito José Ronaldo e profissionais que atuam no local. No encontro, também foi sinalizada a possibilidade de organização e padronização das barracas utilizadas pelos trabalhadores, como forma de fortalecer e preservar a atividade cultural.
O diálogo tratou da valorização da fotografia popular e da preservação dessa prática histórica da cidade. Além do serviço prestado, o Lambe-Lambe integra a paisagem cultural feirense há décadas e segue sendo fonte de renda para famílias que mantêm o ofício de geração em geração.

“A gente tem que continuar”
Entre os profissionais que participaram da reunião está a fotógrafa Neuzete Almeida Beltrão, que há 35 anos trabalha no local e é a única mulher atuando no ponto atualmente. Ela disse que o encontro trouxe perspectivas positivas para a continuidade da atividade.
“Ele concordou com a gente ficar atuando na praça para dar o seguimento na história, que é a cultura na cidade. Ele falou que a gente vai organizar. Passou para o secretário se reunir com a gente. Estamos esperando”, afirmou.

Neuzete contou que entrou na profissão por influência do marido, que já mantinha uma barraca no local. No momento ela estava desempregada, veio tomar conta da barraca. Gostou e ficou até os dias de hoje.
Hoje, depois de três décadas de atuação, ela fala da importância do trabalho dos fotógrafos que se tornou uma expressão artística e histórica que precisa ser preservada.
“É arte, é a história da cidade do Lambe-Lambe, a cultura. E daqui a gente ganha o nosso pão de cada dia. Tem que ser preservada, sim. A gente tem que continuar.”

No dia a dia, a fotógrafa produz diversos tipos de fotografias para documentos e lembranças.
“Eu faço a 3×4, 2×2, a 5×7, 10×15.” Segundo ela, o movimento varia bastante ao longo da semana. “Tem dia que a gente tira 12, meia dúzia, eu tiro 13, meia dúzia, tem dia que são 9.”
“Ajuda um pouquinho daqui, um pouquinho de outro lugar, dá pra ganhar o pão. Tem dia que eu ganho um livro aqui, R$ 90. Ontem eu levei R$ 120. E vai vivendo”, completou.

De geração em geração
Outro fotógrafo presente na reunião foi Valtenir Carlos da Conceição, que atua no Lambe-Lambe há 45 anos. Ele também avaliou o encontro como positivo para os trabalhadores.
“Foi ótimo. O prefeito disse que vai ajeitar aqui. Vai ter uma reunião agora, acho que essa semana pra ver qual vai ser a decisão. Mas eu creio que vai ser algo bom.”
Entre as solicitações apresentadas pelos fotógrafos está a melhoria na estrutura das barracas utilizadas no ponto tradicional.

“Barracas padronizadas pelo menos para conservar o que é a tradição. A fotografia aqui é histórica. O lambe-lambe tem quase no mundo todo.”
Valtenir relembra que a história do ofício está ligada à própria trajetória familiar e às transformações da fotografia ao longo das décadas.
“Já tenho 45 anos com fotografia. Eu sou do tempo ainda daqueles cachotão branco. Aquelas máquinas que faziam preto e branco. Aquelas melhores máquinas quem fazia aqui era meu pai. Depois acabou o preto e branco, foi pra o filme colorido que a gente tem que bater com a máquina analógica, com o filme colorido, mandar revelar, secar para fazer; aí entrou a digital, quer dizer, melhorou um pouco, mas a vida é assim mesmo, tudo com o tempo muda.”
Mesmo com a popularização das câmeras em smartphones e celulares, ele afirma que ainda há procura pelo serviço.

Valorização é cuidado
Sobre as condições do local de trabalho, o fotógrafo ainda diz que a praça está bem cuidada, mas reforça a necessidade de melhorias nas estruturas utilizadas pelos profissionais.
Para ele, as barracas organizadas ajudariam não apenas na estética da praça, mas também no atendimento ao público.
“Porque com a barraquinha tem uma água para a pessoa lavar o rosto, tem um pente para pentear o cabelo, tem um espelho para olhar, tem uma coberturazinha para livrar da chuva. Aqui nada é para sempre. Mas, enquanto as pessoas estão vindo tirar foto, a gente quer manter a tradição.”
Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade
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