

Uma moradora do bairro Jardim Cruzeiro, em Feira de Santana, procurou o portal Acorda Cidade para relatar as dificuldades que enfrenta para realizar a perícia médica do filho, necessária para a manutenção do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Segundo ela, o procedimento foi marcado em outra cidade, o que torna o deslocamento praticamente impossível diante das limitações do filho e da situação financeira da família.
A dona de casa Creuza Mendes contou que chegou a se deslocar até São Sebastião do Passé, cidade que fica a cerca de 1h20 de viagem de Feira de Santana, para realizar a perícia, após o agendamento feito pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No entanto, ao chegar ao local, foi informada de que não seria atendida porque o médico perito não compareceu.

“Eu tive que pagar uma pessoa para me levar, R$ 150, para ir eu, meu filho e outro filho. Quando chegamos lá, não tinha ninguém. Disseram que eu tinha que remarcar na Previdência, senão o benefício podia ser cancelado”, relatou.
O filho de Creuza, Alisson de Oliveira Obinata, nasceu com um problema neurológico grave, que resultou em paralisia e limitações severas. Segundo a mãe, ele não anda, não fala e não enxerga, apenas escuta. Por causa das condições de saúde, qualquer deslocamento se torna extremamente difícil.
Ao lembrar do momento em que descobriu que não seria atendida, ela conta que ficou emocionalmente abalada. “Eu desabei. Chorei muito quando vi a dificuldade que eu tenho para locomover meu filho para esses lugares e, quando chega lá, dá de cara com a porta fechada. É muito triste.”
A dona de casa explicou que gostaria que a perícia fosse realizada em sua residência ou, pelo menos, em Feira de Santana, onde mora. Segundo ela, as viagens para outras cidades geram custos que não consegue arcar.

“Eu gostaria muito que fosse na minha casa. Se não puder, que marque aqui em Feira de Santana, porque fica mais fácil para mim. Eu não tenho dinheiro. Vivo com o benefício do menino e não dá para tudo”, afirmou.
De acordo com Creuza, o benefício é a única renda da casa. Com ele, ela paga aluguel, contas básicas e parte da alimentação. “Eu pago R$ 550 de aluguel, mais a conta de luz que às vezes chega a mais de R$ 200. É muito difícil para mim.”
Além de cuidar do filho, ela também presta assistência à mãe idosa, de 93 anos, o que torna a rotina ainda mais desgastante. “Eu fico lá e cá o tempo todo, cuidando do meu filho e também da minha mãe idosa. Isso afeta muito emocionalmente.”
A dona de casa teme que, caso a perícia não seja realizada, o benefício seja suspenso, o que agravaria ainda mais a situação da família. “Se suspender, eu não vou ter como pagar o aluguel nem comprar comida. Meu filho precisa desse dinheiro.”
Creuza afirma que ainda não procurou a Defensoria Pública para buscar orientação jurídica, pois não sabe como iniciar o processo.
Quem puder orientar ou ajudar pode entrar em contato pelo telefone (75) 99213-1827.
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.
Matéria escrita pelo estudante de jornalismo Davi Cerqueira sob supervisão.
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