11 de March de 2026
Complexo de Delegacias do bairro Sobradinho
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade
Durante as apurações, a equipe da Deam descobriu ainda a existência de outra vítima, uma ex-namorada do investigado.
Complexo de Delegacias do bairro Sobradinho
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

A investigação que resultou na prisão de um homem, de 33 anos, suspeito de ataques virtuais contra mulheres em Feira de Santana ganhou novos desdobramentos. Além da primeira vítima, cuja imagem foi manipulada e divulgada em sites pornográficos, a Polícia Civil identificou uma segunda mulher que também teria sido alvo do investigado, em um caso caracterizado pela polícia como “pornografia de vingança”.

A prisão ocorreu no bairro Tomba, na tarde de terça-feira (10), durante a Operação Face Oculta, realizada pela Polícia Civil por meio da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), com apoio do Grupo de Apoio Tático e Técnico à Investigação (Gatti/Sertão) da 1ª Coorpin. O suspeito é investigado por crimes como perseguição, violência psicológica, injúria, difamação e divulgação de conteúdo íntimo sem consentimento.

Em entrevista ao Acorda Cidade nesta quarta-feira (11), a delegada Lorena Almeida explicou que o caso começou a ser investigado após a primeira vítima procurar a delegacia ao descobrir que imagens dela estavam sendo divulgadas na internet.

“Nós iniciamos a investigação a partir do momento que a vítima compareceu na delegacia e noticiou ter ficado sabendo que fotos estavam sendo divulgadas em sites pornográficos e também em aplicativos de mensagem, que na verdade eram montagens. A pessoa havia pegado fotos do Instagram dela, então fez uma montagem com o rosto dela em outros corpos e estava divulgando em sites pornográficos.”

A partir do trabalho de inteligência, a polícia conseguiu identificar a origem das publicações e chegar ao suspeito, morador de Feira de Santana. Segundo a delegada, a vítima reconheceu o homem como alguém com quem teve um envolvimento casual há mais de dez anos.

Durante as apurações, a equipe da Deam descobriu ainda a existência de outra vítima, uma ex-namorada do investigado. Neste caso, segundo a delegada, foram divulgadas fotos íntimas verdadeiras, tiradas durante o relacionamento. Após o término, ele teria divulgado as fotos.

Lorena Almeida fala sobre violência contra a mulher
Lorena Almeida | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“Nesse caso dessa ex-namorada eram fotos verdadeiras que ela tinha confiado nele, enviado essas fotos para ele e após o término do relacionamento ele divulgou essas fotos entre pessoas conhecidas, entre pessoas da academia, causando uma série de transtornos a ela. Isso é o que a gente chama de pornografia de vingança, que é uma situação motivada por misoginia na qual o homem acaba divulgando essas imagens com o objetivo de depreciar a mulher, humilhar e constranger”, informou a delegada ao Acorda Cidade.

Com base nas provas reunidas, a Justiça autorizou a prisão preventiva do investigado e o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Durante a operação, os policiais recolheram celulares, notebooks, um tablet, computador, pen drives e cartões de memória, que serão periciados para identificar possíveis novas vítimas.

“Acreditamos que provavelmente existam outras vítimas já que ele tem esse hábito de praticar esse tipo de crime, nós vamos proceder a extração desses aparelhos e periciar para identificar outras vítimas.”

Durante a busca na residência do investigado, os policiais também encontraram um revólver calibre .32 e munições, o que resultou em prisão em flagrante.

A delegada explicou ainda que, embora a misoginia não seja tipificada como crime específico no Código Penal, ela pode agravar outras infrações já previstas em lei.

“Nesse caso, a misoginia não é o tipo penal autônomo. Existem projetos de lei para criminalizar esses atos, mas vai agravar a prática de outros crimes. Então, o que a gente teve aqui foi a prática de perseguição, stalking, violência psicológica, injúria, difamação e também a divulgação de cenas de nudez, agravados pela condição de mulher da vítima”, reforçou a delegada.

A Polícia Civil informou que os dispositivos eletrônicos apreendidos passarão por extração forense de dados para aprofundar as investigações e verificar se outras mulheres também foram vítimas do suspeito. A operação foi realizada na semana do Dia Internacional da Mulher, reforçando o enfrentamento à violência contra mulheres também no ambiente digital.

Vale reforçar que, divulgar imagens íntimas sem autorização é crime e pode levar à responsabilização penal. A polícia reforça que a prática é ilegal e orienta que vítimas procurem a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) para registrar ocorrência e buscar as medidas legais cabíveis para se proteger.

Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade

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