12 de March de 2026
Polícia Civil
Ilustrativa | Foto: Ascom PCBA
O tema motivou uma reunião na tarde desta quinta-feira (12), no Complexo do Sobradinho, em Feira de Santana.
Polícia Civil
Ilustrativa | Foto: Ascom PCBA

A divulgação de novas diretrizes sobre a comunicação institucional da Polícia Civil da Bahia tem gerado preocupação entre profissionais da imprensa que atuam na cobertura policial em Feira de Santana. O tema motivou uma reunião na tarde desta quinta-feira (12), no Complexo do Sobradinho, para discutir os impactos das medidas na rotina de trabalho dos jornalistas e repórteres.

As orientações foram publicadas no Diário Oficial do Estado no último dia 3, por meio do Ofício nº 090/2026 da Assessoria de Comunicação da Polícia Civil (Ascom-PCBA). O documento trata da padronização das rotinas de divulgação das atividades da corporação, com base na Lei Orgânica da Polícia Civil e na Portaria nº 292/2025, que estabelece a política de comunicação institucional.

Entre as determinações, o ofício reforça que informações de interesse público sobre as atividades da Polícia Civil devem ser repassadas exclusivamente pela Assessoria de Comunicação ou por autoridade policial previamente autorizada pelo Gabinete do Delegado-Geral, em Salvador. O texto também menciona a implantação de núcleos de comunicação nas diretorias regionais para centralizar o fluxo de informações.

O documento aponta ainda práticas que, segundo a Ascom, devem ser evitadas, como o acompanhamento de equipes de reportagem em operações policiais, a circulação de jornalistas nas dependências das delegacias e a concessão de entrevistas por delegados sem alinhamento prévio com a assessoria de Salvador.

Como exemplo, o ofício menciona a região de Feira de Santana como um dos pontos mais críticos do estado, sugerindo maior controle e restrição da circulação de jornalistas nas estruturas policiais.

Como a imprensa recebeu as novas diretrizes

A interpretação dessas medidas gerou reação de profissionais da comunicação que atuam na cobertura policial no município. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (12), o Sindicato dos Profissionais de Rádio e TV de Feira de Santana manifestou “profunda preocupação e descontentamento” com o que classificou como restrições ao livre exercício da atividade jornalística nas unidades policiais da cidade.

No documento, assinado pelo presidente do sindicato, Luciano Tapioca, e pela diretoria da entidade, os profissionais afirmam que receberam com estranheza a circulação do ofício e avaliam que a medida pode representar barreiras ao acesso à informação e prejuízo à transparência entre a Polícia Civil e a sociedade.

A categoria também argumenta que a centralização das informações pode dificultar a cobertura diária de ocorrências policiais. Na prática, casos como homicídios, roubos ou prisões passariam a depender de intermediação da assessoria em Salvador para eventual autorização de entrevistas com delegados, o que poderia comprometer a agilidade e a transparência da informação.

O sindicato afirma ainda que não busca privilégios no acesso às informações, mas defende a manutenção do respeito mútuo entre imprensa e instituições públicas, ressaltando que a comunicação social e a segurança pública devem caminhar juntas para garantir a prestação de contas à população.

A discussão também ganhou repercussão na imprensa local. O repórter Denivaldo Costa, vice-presidente do sindicato, criticou as restrições e afirmou que a medida representaria uma tentativa de “barrar” o acesso da imprensa às informações policiais, destacando a importância da Lei de Acesso à Informação (LAI) e do direito da sociedade de acompanhar dados relacionados à segurança pública.

“É alarmante o cerco que está sendo fechado contra a imprensa em nossa região. Hoje, o cidadão enfrenta uma barreira de silêncio para descobrir informações básicas, como a identidade de uma vítima. A lei existe para ser cumprida, e a transparência não é um favor das autoridades, é um dever previsto na Lei de Acesso à Informação. O povo tem o direito de saber!”, disse Denivaldo durante o programa Ronda Policial da Rádio Subaé.

Até o momento, a Polícia Civil não divulgou posicionamento oficial sobre possíveis alterações nas diretrizes após a reunião desta quinta. O encontro entre representantes da instituição e profissionais da imprensa buscou justamente esclarecer a aplicação das normas e avaliar seus impactos na relação entre a corporação e os veículos de comunicação da região.

Veja o documento completo publicado pela Civil aqui.

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