

Celebrado neste domingo (15), o Dia da Escola reforça a importância das instituições de ensino na formação de cidadãos e no desenvolvimento da sociedade. Em Feira de Santana, um dos maiores símbolos dessa trajetória educacional é o Instituto de Educação em Tempo Integral Gastão Guimarães, uma das escolas mais tradicionais da cidade e que se prepara para completar 100 anos em 2027.
Fundado em 1927 como Escola Normal de Feira de Santana, o colégio nasceu com a missão de formar professores e, ao longo das décadas, consolidou-se como uma referência no ensino público estadual, acompanhando o crescimento da cidade e formando gerações de estudantes.

O nome da instituição homenageia Gastão Cloves de Souza Guimarães (1891–1954), médico, educador e figura de destaque na vida social de Feira de Santana entre as décadas de 1920 e 1950. Natural de Belmonte, no sul da Bahia, ele também foi professor de Língua Portuguesa e Literatura e dirigiu a instituição entre 1938 e 1943. Além da atuação na saúde e na educação, teve participação na conquista do Campeonato Intermunicipal de Futebol de 1921 pela Princesa do Sertão.

“Ela vem desde a escola normal e cresce junto com a população de Feira de Santana, sendo pioneira e vanguardista em diversos aspectos daqui de Feira, trazendo e levando expoentes de Feira de Santana e para o mundo”, afirmou o diretor-geral da instituição, professor Leandro Maciel.
Atualmente, o colégio funciona em regime de tempo integral e atende estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio. Ao todo, são cerca de 1.300 alunos distribuídos em 32 turmas.
À frente da instituição há quase dois anos, Leandro afirma que administrar uma escola com tanta tradição representa também um grande desafio.

“Em setembro, agora, eu completo dois anos aqui na instituição. E é um desafio diário por se tratar de uma escola tradicional, por se tratar de uma escola de porte especial, como o Gastão é, e com toda a complexidade hoje que se traz dentro da sociedade, nas relações com a comunidade escolar.”
Mais escola pública, mais educação
Segundo o Censo Escolar 2025, divulgado pelo Ministério da Educação, a Bahia é o quarto estado com mais estudantes em escolas de tempo integral. São 690 escolas desse modelo, investimento que, segundo o governo do estado foi superior a R$ 9,7 bilhões. 101 foram entregues a partir de 2023.
Segundo o professor Leandro, a escola pública tem papel fundamental na formação dos estudantes e o ensino integral amplia as oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento.

Entre as ações desenvolvidas no Gastão, estão projetos de protagonismo juvenil, como grêmio estudantil, produção de conteúdo e iniciativas lideradas pelos próprios alunos. Segundo o diretor, são elas que ajudam a fortalecer a formação crítica dos estudantes.
“É importante porque dá esse protagonismo ao jovem e traz essa formação política para o aluno. Para torná-lo crítico, para torná-lo cidadão e, principalmente, empoderar todos esses jovens para eles serem o que quiserem na sociedade, na universidade ou em qualquer outro lugar”, disse o professor.

No ensino integral, os pilares destacados pela direção estão a alimentação adequada, a ampliação da carga horária com professores capacitados e o acompanhamento dos alunos ao longo de todo o dia. “Um aluno com fome não consegue aprender”, declarou o professor.
Na modalidade, os estudantes participam de diversas atividades complementares, como teatro, natação, futebol, futsal, orientação pedagógica, reforço em língua portuguesa e matemática, além de oficinas socioemocionais conduzidas por equipes de psicologia.

Os resultados educacionais já são visíveis. De acordo com Leandro, dezenas de estudantes da escola ingressaram recentemente em universidades públicas em cursos como Pedagogia, Biologia, Química, Biomedicina, Direito e Engenharia de Alimentos. Depois da escola, quem não segue o caminho da academia, sempre encontra bons rumos no mercado de trabalho, inclusive, se afastando da criminalidade e de trabalhos extremamente exploratórios.
Apesar dos avanços, a escola também enfrenta desafios que refletem mudanças da sociedade contemporânea, como o excesso da internet e das redes sociais na aprendizagem dos alunos.

Orgulho de ensinar
Para quem está há décadas dentro do Gastão, o sentimento também é de pertencimento à história da educação feirense. É o caso do professor de biologia Marcos Pereira, que leciona no colégio há 23 anos.
“Estar no Gastão é motivo de orgulho. Apesar de esse sentimento não ser dos melhores sentimentos humanos, mas participar da história da educação de Feira em uma escola de qualidade como é o Gastão, nos faz sentir no ápice do que é exercer o magistério. É muita alegria e muita responsabilidade.”

“Ter uma escola que a cada dia tem nos dado uma condição melhor de exercer e contribuir na formação dos nossos estudantes é algo que nos dá a completude e a plenitude de exercer aquela atividade profissional que nós gostamos.”
Ao celebrar o Dia da Escola, o diretor também deixou uma mensagem de incentivo aos estudantes.
“A escola que eu desejo para o futuro é uma escola que se reconecte com as pessoas. A tecnologia está aí, ela tem que existir, mas a gente precisa se reconectar às relações. É a partir dos nossos alunos que se faz a escola, sem aluno não faz escola. Então, a mensagem de incentivo é, acreditem, vocês podem, e vocês podem muito mais”, acrescentou Leandro Maciel.
Com quase um século de história, o Colégio Gastão Guimarães segue formando gerações e reafirmando o valor da educação pública como instrumento de transformação social.
Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e Youtube e grupo de Telegram.
